"Crónica de Costumes"

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Complexo de Greta Garbo


Toda a gente têm alguém famoso com quem se identifica e talvez por isso é que existam ídolos. Eu tenho uma lista interminável de personalidades que se destacaram nas mais variadas áreas e as quais venero como uma fiel crente… Mas cá entre nós, se algum dia eu quisesse ser outra pessoa que não eu mesma, provavelmente seria a actriz Greta Garbo… Não só pela sua beleza inconfundível, como também pelo charme e secretismo que envolvem a sua personagem.

Greta Garbo e eu não somos muito diferentes (tirando talvez o facto dela ser estupidamente bonita), mas há algo que nos aproxima bastante: ambas gostámos de estar sozinhas. Sim, ela ficou conhecida pela sua famosa frase «I want to be alone» (quero estar sozinha).

A maior parte das pessoas encara a solidão como algo pejorativo mas eu sinto necessidade de estar sozinha, talvez até mais do que a maior parte das pessoas “normais”. Acredito que todos passemos por aqueles momentos em que gostamos de estar connosco mesmos para pensar na vida mas eu, muitas vezes, chego ao ponto de ebulição de querer fugir da sociedade porque estar rodeada de pessoas ou a socializar é deveras desgastante. Aquela coisa toda de ter que fazer de conta que estou interessada no assunto ou de ter de puxar conversa para evitar que se caia num silêncio gélido é sem dúvida deprimente.

Chamem-me misantropa se quiserem, mas sempre achei entediantes os temas de conversa das pessoas comuns. Note-se que também não quero estar para aqui a dizer mal de ninguém ou a colocar-me num pedestal porque não estou… simplesmente sou estranha. Nunca vi grande interesse em passar horas infindáveis em tertúlias sobre a vida dos outros ou a debater as posições sexuais que se fez na semana passada ou a falar de episódios de uma vida comum e enfadonha. Sim, sou estranha porque não gosto de fazer isso… acho que revelar episódios privados como estes de cariz sexuais ou feitos no passado em público é de péssimo tom. Sempre dei mais valor ao silêncio e a guardar coisas para mim mesma e talvez por isso mesmo que me assemelhe tanto a Greta Garbo. Ela mesmo dizia:

"Há muitas coisas no seu coração que você nunca pode dizer a outra pessoa. Elas são você, suas alegrias particulares, suas tristezas, e nunca podem ser contadas. Se as contar, você estará barateando-as, barateando a si mesmo".

Não há nada melhor do que guardar segredo sobre nós mesmos do que andar brandindo aos sete ventos todos os pormenores da nossa vida e talvez por isso que evite as conversas com pessoas “comuns”. Justamente por não encontrar ninguém com quem possa ter uma conversa de horas a fio sobre filosofia, política, história ou literatura que prefiro resguardar-me dentro do meu próprio mundo ou mergulhar na solidão. Sim, vou transformar-me naquilo que mais odeio mas vou desabafar com quem que se dê ao trabalho de ler esta porcaria. Sempre me achei que não pertencia a “este mundo” porque sempre que queria falar de alguma coisa interessante acabava sempre por ter uma centena de olhos protuberantes a encarar-me como se eu fosse alguma aliênigena. Pensei então, de que adianta eu querer “cultivar-me” tanto se no fim não tenho com quem partilhar o que sei ou o que anseio em saber… Oh sim, também me assemelho a Greta Garbo por isso. Se eu, tal como ela, tivesse passado metade da minha vida em Hollywood, chegaria a um ponto que estaria farta da humanidade e iria preferir a solidão.

Chamem-me o que quiserem… mas também sou um bocado misantropa porque desprezo grande parte das características prevalecentes da humanidade/sociedade. Talvez por isso que sempre tenha gostado da solidão. Sim, sempre gostei… do silêncio, de puder estar horas e horas mergulhada nos meus pensamentos a escrever textos asquerosos que só o Gus lê (pelo menos aqueles que não chegam a ser postados). Existem pessoas que dariam em loucas por passarem tantas horas sozinhas… eu mesma sinto necessidade em socializar, mas somente durante curtos períodos porque habituei-me a estar sozinha… Quando começo a ficar muito rodeada de pessoas as coisas tendem a correr mal… acabamos sempre por ficar preocupados a pensar naquilo que estarão a achar da nossa conversa, se nos acham interessantes, se somos legais, essas tretas todas. E heis que sinto necessidade da reclusão ou de estar na companhia do único ser humano que se assemelha mais a mim: o Gus.

É sempre difícil lutar contra a nossa natureza e acho que já nasci assim: observadora, pensativa, aluada, misantropa. Por vezes é difícil lidar com as críticas: «anti-social» e essas tretas viver ensina-nos inúmeras coisas. Tenho pesquisando sobre isto, na ânsia de me conhecer melhor e saber se existe alguém que se pareça comigo ou se sou mesmo alguma enviada do espaço… Dão-lhes inúmeros nomes: Misantropia, Personalidade Introvertida, Distúrbio de Personalidade Esquiva, Fobia Social… eu prefiro chamar-lhe carinhosamente de complexo de Greta Garbo, porque ela mostrou-me que a solidão não tem que ser sempre algo mau.

PS: O Texto roça o merdoso mas foi o que consegui para já. A falta de tempo tem sido a minha maior inimiga. E peço desculpa se escrevi alguma coisa que não devia… como já vos disse acho que não sou a pessoa mais indicada para perceber as pessoas.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Portugal is the new Brasil


Ok, os que forem ler isto (principalmente os leitores brasileiros) vão pensar que eu sou uma cabra, mas esta realidade, como todas as que realmente interessam, tem que ser faladas.

Hoje de noite acordei sobressaltada… tinha tido um daqueles pesadelos que quase parecem reais e nos deixam atarantados quando acordamos. Sonhei que haviam feito um arrastão na escola em que a minha prima Raissa estuda (e eu gosto dela como uma irmãzinha). Contado assim até parece ridículo mas foi bem real. Já sei que se fosse contar a alguém, provavelmente me responderiam: «Tens uma imaginação muito fértil», «Andas a ver muitos filmes» ou então «Bem, o mundo de facto está muito violento». De qualquer maneira, quem for ler qualquer jornal português, rapidamente perceberá que já estivemos mais longe de nos tornarmos num exemplo bem próximo do Brasil. Sim, os números de assaltos, de violência aumentaram drasticamente e sempre tem uma porção de brasileiros envolvidos pelo meio. Ok, não digo que os portugueses, os russos ou os africanos que cá vivem não assaltem também, mas é diferente… os portugueses estão no país dele! Já tem aqui os «marginais» que lhes cheguem e não «precisam de aturar com o dos outros».

Tenho ouvido inúmeras queixas de portugueses em relação a isto. Estão todos revoltados porque foram deixando entrar tudo quanto é gente e até bandidagem veio junto. Mesmo que eu não queira, sou obrigada a concordar com eles. Sim, eu tenho orgulho em ser brasileira e gosto muito do meu povo. Fico feliz por ver aqueles que triunfam aqui em Portugal… mas verdade seja dita, por cada brasileiro trabalhador aqui em Portugal têm uns quatro que são safados.

A verdade é que ser brasileiro em terra alheia envergonha qualquer patriota convicto. Isto porque, e como já ouvi muita gente dizer «os brasileiros não estão preparados para viver na Europa». Eles vêem para cá e se comportam como se estivessem no Brasil, fazendo coisas que lá até seriam aceitáveis, mas aqui não. Bolas, eles não estão na terra deles! E depois tem os brasileiros que afirmam «quando eu vejo o que os outros fazem até tenho vergonha de dizer que sou brasileiro». Minha professora de Alemão sempre me disse (quando falávamos de emigração): «Se eu vou para a casa de outra pessoa, tenho que viver segundo as regras dela, não vou para lá fazer as coisas que faço na minha casa e pôr os pés em cima do sofá ou beber o leite directamente do pacote» e no fundo é isto que falta aos brasileiros. Puxa vida, minha mãe se adaptou quando veio para cá e têm inúmeros brasileiros que também se adaptaram… o número que contraria essa regra aumenta de dia para dia.

Também já ouvi muito português dizendo «essa gente brasileira que vêem para cá é quase tudo da favela». Nesse aspecto ser da favela ou do Leblon é irrelevante porque não é isso que determina o resto até porque muitos são super humildes e eu fico toda derretida só de falar com eles. O que me irrita mesmo é deixarem entrar gente que já tem cadastro ou que vem para cá para fazer a ponta de um corno. Vejam só que até Facção criminal brasileira instalada em Setúbal a gente já tem, assaltos a restaurante… Foda-se, como é que deixam gente assim entrar? Eu acho que nesse aspecto deviam de ter uns critérios mais rígidos para os emigrantes. Porque que os brasileiros que vão para a Islândia não caem no crime? Porque eles têm leis muito rígidas e eu acho que assim é que deveria ser.

E depois há aqueles que vêem para cá, não encontram trabalho e caem no crime. Eu sei que é a necessidade mas essa coisa é complicada que se farta. Eu pelo menos não seria capaz de ir para um país à parva sem saber se teria emprego ou não, mas a necessidade às vezes fala mais alto. No entanto, ainda que eles tenham tido uma infância daquelas fudidas e tenham passado por muitos problemas na vida, ninguém quer andar na rua sabendo que pode ser assaltado ou que pode levar um tiro.

Oiço próprios brasileiros dizendo «brasileiro adora fazer piada p’ra português rir» ou «brasileiro adora chamar à atenção» … sim, quem fala isso têm vergonha de dizer a sua nacionalidade. Você até podem estar achando que eu estou a exagerar, mas só quem vive aqui e sabe como é… eu oiço dos dois lados e já nem sei o que pensar. Com tanta coisa que eu tenho visto nestes últimos tempos, até já começo a pensar como a minha mãe «Um dia a gente acorda pensando que está em Portugal e vê que está é no Brasil». E diz isto uma pessoa que morava num bairro de portugueses e que de repente foi invadido por brasileiros e ficou a ser comummente conhecido como «Brasilândia». Eu vim para cá na altura em que encontrar um brasileiro aqui na rua era uma raridade e dava para conversar umas três horas…

Ps: E o que mais me irrita no meio de isto tudo foi quando vi as notícias da Record hoje de manhã. Aquela velha história dos brasileiros barrados em Espanha… isto sim é exagero. Enquanto Portugal deixa entrar qualquer um, Espanha barra aqueles que valem verdadeiramente a pena… O mundo está mesmo ao contrário!!!

terça-feira, 7 de outubro de 2008

O que veio primeiro, a economia ou a política?


“Economia é a arma. Política é saber quando se deve apertar o gatilho” – Michael Corleone

Hurra, voltei! Parece que a minha vontade de escrever foi mais forte que a minha pseudo-misantropia, portanto cá estou eu com a cabeça fervilhando de ideias. Mas pulando esta parte enfadonha que envolve a minha vida pessoal mais atribulada que um melodrama latino, hoje, na minha aula de Políticos Sócio-Educativas no Contexto Europeu (sim, eu tenho disciplinas super interessantes) e enquanto enumerávamos aquilo que compõe a política, e então a professora disse que a política é que define a economia, mas eu dei por mim a pensar: será mesmo assim? Ou será que é a economia que define a política?

Quando estava no carro com a minha tia e conversávamos sobre as eleições americanas, manifestei a opinião de que talvez o Obama seja eleito, então a minha tia disse: «Será eleito? Será eleito se deixarem? Quem manda são os grandes homens de negócios». E eu penso que assim seja. Quem é têm mais dinheiro? Quem é que comanda os sectores mais importantes da economia? Claro está que são os homens de negócios ( e também já está mais do que provado que os negócios funcionam melhor quando entregues a entidades privadas). Com tanto poder, obviamente que eles podem comandar o país e definir qual a política que mais os convém. E nisto pergunto-me então: será que valemos alguma coisa no meio deste jogo todo? Será que aquele que elegemos não passa de um marionete nas mãos dos grandes homens de negócios. O mundo moderno é mais complexo do que eu poderia imaginar! Alguém que não é a favor desta minha opinião? Aceitam-se contraposições...

Ps: Eu sei que não é dos melhores regressos, mas enfim....