"Crónica de Costumes"

sexta-feira, 28 de março de 2008

Conquistas e Derrotas

Certa vez estava lendo um policial da Agatha Christie quando encontrei a seguinte citação:

“As pessoas revoltadas com o mundo são sempre perigosas. Parecem pensar que a vida está em dívida para com elas”.

Coleccionei a citação, afinal é a mais pura verdade. Foi retirada de uma das histórias em que entra a Miss Marple, e verdade seja dita, esta velha solteirona tem um profundo conhecimento da natureza humana.

Esta citação pôs-me a pensar em inúmeras coisas e a concluir que efectivamente as pessoas revoltadas são perigosas. Que serão os ladrões, os assassinos, senão pessoas revoltadas? E porque serão eles revoltadas? Porque a vida não lhes sorriu? Talvez por inúmeros motivos… porém também me ensinaram que não devemos julgar os outros.

Uma vez, quando fui visitar uma das minhas tias a um bairro social, estava na companhia da minha tia Amélia, notámos que os prédios estavam maltratados, cheios de graffitis, escadas partidas, etc. Então a minha tia disse-me «já viste como as coisas são? Deram-lhes casa e vê como eles tratam as coisas? As coisas quando são oferecidas muito raramente são estimadas. Como eles não souberam o que custou lutar para ter a casa, tratam as coisas assim. A tua mãe faz isso com a casa?». Ao comparar o que a minha tia disse com a realidade, apercebi-me que ela tinha razão. Pensei então que a Segurança Social tende a cometer um erro crasso. Acho que em vez de darem “esmolas” às pessoas, deviam de arranjar empregos para que elas por si mesmas possam fazer as suas conquistas.

Anteriormente eu pensava que as riquezas deviam de ser divididas, que não deviam de existir ricos e que todos deviam de ter as mesmas coisas… mas agora que cresci passei a ver as coisas de maneira diferente e digamos que em parte a minha tia ajudou. Se os ricos são hoje ricos foi porque lutaram por isso. Eu pensava que a herança era um roubo, tal como dizia o Proudhon, porém, se o meu pai trabalhou toda a vida, eu seguramente que devo ter direito a herdar a fortuna que ele arduamente batalhou para ter. E as pessoas que nada têm? Para essas acredito que devam existir apoios, mas no sentido de as dotar de condições para que elas por si só consigam as coisas… uma vez o Seu Madruga, no programa do Chaves, disse: «Dar acostuma as pessoas à vadiagem». E o que pode ser mais delicioso do que o sabor da vitória? Lembro-me de como me sentia alegre quando no final do mês recebia o meu salário, o fruto do meu trabalho… era muito bom, e eu passei a valorizar as coisas que tinha porque sabia o quanto me custou para ter aquele dinheiro… E então, uma vez enquanto conversava com a minha tia sobre o comunismo, em que todos trabalhamos para o bem da comunidade, a minha tia me disse: «Então e diz-me lá porque que eu tenho de trabalhar para sustentar «aquele» se «ele» não quer trabalhar? Porquê que ele tem de ganhar o mesmo que eu se não faz nada». E uma vez mais a minha tia tinha razão, cada um deve receber mediante o trabalho que faz.

A vida é engraçada, e eu gosto por vezes de a comparar ao jogo do Super Mário. O jogo não teria piada se o Mário não tivesse que enfrentar tantos obstáculos para salvar a princesa… confesso que às vezes o jogo me enervava porque parecia que eu nunca mais chegava ao fim, mas no final sabia sempre bem passar mais um nível e saber que estava cada vez mais perto de salvar a princesa. E a vida é assim… que graça ela teria se fosse tudo tão fácil? A minha mãe até me disse uma vez: «Olha para os filhos dos «ricos», vê a Britney Spears, vê como ela está agora… a maioria acaba tudo na droga ou com os problemas que ela tem agora justamente por isso… porque conseguiram as coisas facilmente, porque não sabem o que é lutar para ter as coisas, têm tudo fácil e parece que para eles a vida não têm qualquer sentido».

E o que isto tem a ver com as pessoas revoltadas? Existem aquelas pessoas que sempre reclamam da vida e nada fazem para remediar… queixar é sempre mais fácil, dá menos trabalhos mas nada resolve… como eu ouvi uma vez numa música dos Racionais Mc’s «onde estiver seja lá como for, tenha fé porque até no lixão nasce flor». E foi como me ensinaram… sempre que a vida não estiver a nosso favor, devemos de lutar, ter fé, e nunca desistir, porque «o sofrimento alimenta mais a coragem».

E como Agatha Christie uma vez afirmou:

"Eu gosto de viver! Já me senti ferozmente, desesperadamente, agudamente infeliz, dilacerada pelo sofrimento, mas através de tudo ainda sei, com absoluta certeza, que estar viva é sensacional!"

sexta-feira, 21 de março de 2008

Aluna Agride Professora...

Primeiramente queria me desculpar com os leitores pela ausência ao longo destes dias, é que estava doente e como tal estava impedida de escrever o quer que fosse.

Hoje só postarei o video, depois elaborarei um texto sobre o tema. Esta notícia é bastante preocupante e tem dado muito que falar aqui em Portugal... digamos que houve uma mudança assustadora nos tempos...
Ps: O telemóvel de que tanto se fala na notícia é um celular... tudo começou por causa deste pequeno aparelho...


sábado, 15 de março de 2008

Sobre a nova lei

Pois é, nada como falar de política num sábado à noite. Tenho debatido muito o tema das aparências, das tatoos e piercings e dos diferentes estilos e espero encerrar amanhã com uma história do meu querido Gustavo (e que seja a última vez que se fala nisto porque tudo o que é demais enjoa). Presentemente estou a atravessar uma fase um bocado anarquista na minha vida, uma espécie de «break the rules» e esta nova lei é no mínimo ridícula!

Não teriam os senhores deputados nada de mais importante para tratar na administração portuguesa (estando o país a atravessar uma crise de desemprego), lembraram-se agora de proibir a realização de piercings na língua e nos genitais e a realização de tatoos para indivíduos com idade inferior a dezoito anos [esta é a parte em que solto uma série de palavras que se encontram na categoria das obscenidades].

Confesso que os dois lugares em que estes piercings foram proibidos também não são dos que mais me fascinam mas por favor, estamos em que ano? Quem é que está na presidência? O Cavaco Silva ou o Salazar? Se bem me lembro acho que (ainda) temos liberdade de fazermos o que bem entendermos com o nosso corpo, então qual o problema de colocar um piercing na língua ou nas “partes intimas”? Agora vamos ter que começar a mostrar a língua e a baixar as calças aos senhores fiscais? Daqui a pouco proíbe-se o uso de roupas escuras, das cristas de galo, por aí vai e depois, temos todos que andar vestidos como os filhinhos dos excelentíssimos senhores deputados? Com o cabelinho que cai para o olho pelo que temos de o afastar com o irritante tique na cabeça? Com camisas da Quebramar e da Lacoste? Com sapatinhos de vela? Por favor… poupem-me!

Esta lei está carregada de preconceitos. Enquanto países como o Reino Unido andam para a frente e já vemos assistentes de veterinários com piercing ou na Alemanha onde os guias dos museus tem o cabelo pintado de rosa e piercings, aqui proíbe-se o uso de piercings. Enfim! Estive lendo diversos comentários sobre a nova lei e rejubilo por saber que existem pessoas que também estão contra ela. Proibir nunca foi a resolução e esta lei é um atentado à liberdade dos cidadãos porque cada um tem o direito de fazer o que bem entender do seu corpo. Além disso, pensem comigo… mesmo que isto se venha a concretizar, irá sempre acontecer, os menores de dezoito anos irão procurar outros lugares para realizar os piercings, provavelmente lugares nada recomendáveis e que deixam muito a desejar em termos de condições de saúde. Por exemplo, o aborto antes era proibido, mas mesmo assim acontecia, o único problema é que era realizado em clínicas sem quaisquer condições de saúde… ou seja, a proibição em nada resulta! No mínimo só se tapa é o sol com a peneira!!! Porquê que não se fiscalizam os lugares onde são realizados os piercings? Não seria bem melhor do que proibir a realização dos mesmos?

Há algo mais subjacente a esta lei. Continua a prevalecer na sociedade o preconceito de que os piercings e as tatuagens estão associados à criminalidade e ao vandalismo. Maldito estereótipo!!! Desde quando é que uma tatuagem ou um piercing alteram o carácter de uma pessoa? Olhem, os senhores debutados não tem nenhuma destas artes no corpo mas pelos vistos carácter também não o têm!!! É quem em vez de trabalharem para quebrar com os preconceitos estão a fazer precisamente o contrário…

Além disso, há algo mais que ainda é sobejamente preocupante. É o facto do senhor primeiro-ministro Sócrates, que se diz democrata mas que no fundo é um puritano, ter deixado passar semelhante lei. Este Partido que está no poder não é de centro-esquerda? Ou será mais uma versão disfarçada do Partido Nacional Renovador (da extrema direita)? Salazar, será que te lembrarias de algo semelhante?

Só me resta aplaudir com total ironia esta lei… o país com um notável atraso em relação aos países da União Europeia a preocupar-se com as artes do corpo… qual era a intenção… fazer com que os pais e as mães poupem o dinheiro que gastam ao deixar os filhos fazerem piercings para pagarem ainda mais impostos?

Punks, Emos, Rockeiros, Metaleiros e afins deste Portugal afora, uni-vos!!!

P’ra semana vou fazer mais dois furos nas orelhas e não há de ser um deputado empertigado que me vai impedir!!!

Leiam a noticia e morram de rir

quarta-feira, 12 de março de 2008

Não que isto interesse a muita gente, ou até mesmo a alguém, mas por motivos pessoais e laborais e porque as minhas celeluas cinzentas estão cansadas e revoltadas só vou postar na sexta-feira. Como vou estar uma semana de férias da pascoa poderei retornar aos posts diários, isto se não tiver alguém a dizer «não faças isso, não faças aquilo»...
A sociedade e as suas regras são uma m*r*d*!!!

domingo, 9 de março de 2008

Sobre O Dia da Mulher

Pois é, dia 8 foi Dia da Mulher sim senhor e eu nada postei… podia escrever um texto ainda maior dos que eu habitualmente escrevo (será possível?) a louvar o brilhantismo do sexo feminino, mas não o fiz porque o dia 8 foi de uma correria tremenda… sim, fui fazer trabalho de campo. Surgiu um convite para assistir a um show no qual tocaria uma banda composta por meus antigos colegas de Liceu… e lá fui eu. Uma experiência definitivamente a repetir… conheci tanta gente legal (muitos me faziam lembrar a Joana e o Gustavo) e presenciei tantos momentos que tenho inspiração durante um bom tempo, e definitivamente recomendo um “bate-cabeça” todos os meses para descarregar o stress… vale a pena!

Bom, relativamente ao Dia da Mulher, sempre me disseram que o Dia da Mulher era todos os dias, mas este tem um significado especial, pelo menos para quem se interessa por estas coisas. Enganam-se aqueles que pensam que fui jantar fora com as minhas amigas, numa imitação barata de Sexo e a Cidade, e que depois fomos para a discoteca dançar com um monte de homens desesperados que se roçam em nós, ou assistir a um strip onde o homemzinho musculado balança a sua tanguinha de leopardo. Não… não gosto disso e já como disse fui ao show.

O que eu posso fazer por meio deste post é louvar as inúmeras mulheres que fazem parte da minha vida. Primeiramente confesso que me relaciono melhor com os meus amigos rapazes por considerar que a grande parte das minhas colegas fala exageradamente em temas fúteis, no então este desapreço não me leva a menosprezar os restantes elementos e graças a Deus que conheci boas representantes!

E com elas aprendi inúmeras coisas…

Aprendi que não devemos invejar os outros por terem mais do que nós, pois se têm é porque seguramente trabalharam para isso.

Aprendi que não vale a pena estar sempre reclamando da vida, é preciso descruzar os braços e ir à luta.

Aprendi que não devemos fazer mal aos outros pois nunca estamos a salvo da lei do retorno (aqui se faz, aqui se paga). No fim prestamos contas por tudo o que fazemos, seja de bom ou de mal.

Aprendi que quando lutamos para ter as coisas é muito melhor… nada se comparado ao sabor da conquista.

Aprendi que todo o acontecimento, bom ou mau, encerra uma lição e nos ajuda a crescer. “Desilusão não mata, ensina a viver”.

Aprendi que não devemos pagar da mesma moeda, porque senão somos iguais a quem nos fez mal, porque estar a agir da mesma maneira?

Aprendi a esperar, porque todas as coisas acontecem no momento que têm de acontecer, no tão famoso “momento certo”.

Aprendi a ser eu mesma independentemente do que os outros vão pensar. “Eles não vêem me trazer nada à porta de casa!”.

Aprendi que a felicidade não se procura, ela é um estado de espírito e tudo depende de nós.

Aprendi a não reclamar da vida, porque no fundo reclamos de barriga cheia quando há pessoas em piores condições.

Aprendi que juventude é mentalidade!

Aprendi que ser mulher é muito mais do que usar saltos altos…

Aprendi a viver… porque nesta vida estamos assim: vivendo e aprendendo!


E a todas elas o meu terno e grandioso OBRIGADO, porque, em parte, graças a elas sou o que sou hoje: essa adolescentezinha de dezanove anos que caminha nas ruas ao som de Simple Plan, com os seus ténis All Star e os lenços ao pescoço, e com um Admirável Mundo dentro da sua cabeça.

Às amigas, familiares, professoras, leitoras, e amigas cibernautas um grande beijinho pois vós sois GRANDES MULHERES!!!

Ps: acho que o texto roçou um bocado o pindérico! Junto acrescento uma música da Christina Aguilera directamente para as mulheres. Simplesmente linda! Nodoby can't hold us down!


sexta-feira, 7 de março de 2008

Sexo na Adolescência II (na perspectiva dos adolescentes do Admirável Mundo)


A ideia para este post surgiu de um problema de cariz semelhante que eu tive com uma das minhas “prés-adolescentes”. No fundo pretendo dar uma visão adolescente do tema e também uma lição de moral. Secalhar quem lê isto pensa «bah, os adolescentes não são assim!» Mas eu fui e também tive amigos assim… e que bom que seria se todos fossem como os jovenzinhos que eu crio!

Era sábado à tarde. Um primaveril dia no parque da cidade. As flores desabrochando coloriam o verdejante da relva e o chilrear dos pássaros rivalizava com a risada das crianças. Nos banquinhos adultos conversavam, liam o jornal ou alimentavam os pombos com pipocas. Na relva crianças brincavam, empinavam pipas, casais namoravam ou simplesmente conversavam.

À sombra agradável de uma árvore um grupinho de adolescentes conversava animadamente. Havia sido ideia da Diana aproveitarem aquele dia solarengo ao ar livre ao invés de fechados entre as quatro paredes de um cinema. Deitados sobre a toalha estavam Ivan, Diana, Becky e Raquel que jogavam às cartas, enquanto mais afastados se achavam Gustavo e Marco que andavam de skate no caminho calcetado do parque.

- P’ra próxima apostamos dinheiro – disse Becky que estava a ganhar. – Saio daqui rica!
- Só te fica mal estares-te a gabar, gorducha – atirou Marco que se aproximava do resto dos amigos na companhia do Gustavo. A transpiração na sua cara reluzia à luz forte do sol.
- Ai, vocês os dois nem comecem já a discutir – suplicou Diana.
- Então, surfista, já dominas o skate? – perguntou Ivan enquanto via os seus dois amigos perscrutarem as suas mochilas em busca de garrafas de água.
- Nem por isso, prefiro muito mais o mar, as manobras em terra são muito mais complicadas – respondeu Marco.
- Ainda vais a tempo de ir p’ra praia surfar, era um favor que me fazias – disse Becky.

Diana revirou os olhos enquanto Raquel sufocava o riso. Aqueles dois no fundo não conseguiam viver um sem o outro.

Joana apareceu nesse instante com uma cara de poucos amigos, o cabelo ondulava ao fraco vento e ela chegou junto dos amigos, sentou-se sem sequer lhes dirigir palavra. Todos tiraram os olhos das cartas, pasmados com aquela chegada tão abrupta. Gustavo apressou-se a desempenhar o seu papel como namorado, aproximando-se dela e colocando o seu braço em volta dos ombros a fim de a reconfortar.

- Que aconteceu, fofinha?

Foi a vez de todos controlarem o riso. Ouvir o Gustavo a referir-se a alguém por meio do adjectivo «fofinha» era deveras hilariante.
- ‘Tou super chateada com a minha prima – explicou Joana sucintamente. Os outros largaram as cartas e colocaram-se à escuta. – Aquela de treze anos… a Daniela…
- O que foi que ela fez? – quis Becky saber.
- Ela agora meteu naquela cabeça dela que quer ser popular! – contou Joana. – Que é p’ra ter um monte de amigos, ser convidada p’ras festas e p’ra conhecer rapazes…
- Ela tem treze anos? – repetiu Diana. – Então isso é normal, ‘tá na altura da rebentação das hormonas!
- Sim, Di, mas o que não é normal é ela ter mentido à mãe a dizer que ia dormir à casa do pai e dizer ao pai que ia dormir na casa da mãe… os meus tios são divorciados, caso não saibam. A minha tia ficou descansada e foi ao Norte visitar a nossa avó, portanto a menina Daniela ficou com a casa por conta dela… o que ela fez? Levou p’ra lá um pessoal, embebedaram-se e depois porque já era tarde e p’ra não irem embora sozinhos alguns dormiram lá em casa, e ela dormiu na mesma cama que um rapaz… não, não houve sexo – acrescentou Joana ao ver as reacções de choque nas caras de Becky e Raquel. – Mas o moço agora anda a espalhar pela Escola que dormiu com ela…

- Isso é muito mau – desabafou Ivan, taciturno.
- Muito mau?! – repetiu Joana em tom jocoso. – Se fosse só isso… também sei de uma história que uns rapazes começaram a gritar de uma varanda, cenas estúpidas, e ela mais as amigas formam bater à porta do apartamento deles a pedir p’ra entrar… isto não é normal… o pessoal todo lá da Escola dela anda a comentar estas histórias… ela que quer ser popular, bela fama que ‘tá a arranjar!
- Mesmo! – anuiu Gustavo. – Os rapazes todos vão começar a ser fácil e ela vai passar a ser a «quebra-galho», sabem… aquela a quem os rapazes recorrem quando estão necessitados.
- O moço fez muito mal em ter andando a esplhar essas mentiras – opinou Diana -, mas a tua prima… cá entre nós, também não se deu ao respeito.
- Eu sei! Vocês tão cheios de razão… eu tenho que tentar meter-lhe algum juízo na cabeça. Ela tem me contado estas histórias como se fosse algo que desse muito orgulho e eu prometi não contar nada a minha tia… ela é um pouco distraída, mas é boa mãe, só que do jeito que as coisas andam talvez não vai conseguir domesticar a minha prima. É que sempre que lhe mando mensagens ela ‘tá na rua com os rapazes, a fazer sabe-se lá o quê!
- Fogo, que cena! – exclamou Gustavo. – Ela tem um exemplo do caraças mesmo na vizinha do lado, não é? Aquela que também já rodou a cidade quase toda… também andava nessa onda de querer ser popular e deixou-se papar por tudo quanto era moço, levou a fama e agora ‘tá aí sozinha! Acho que vocês conhecem! Chamam-na de “Dunas” porque ela ia p’ra trás das dunas da praia e…

- Ah, já sei quem é! – Marco disse. – Aquela tem a abertura quase do tamanho do túnel do metro… é tipo discoteca gratuita sem porteiro.

Os jovens riram-se do gracejo de Marco, até Becky lhe dirigiu um sorriso, mas a piada do amigo não parece animar Joana, facto que Raquel notou.

- Jo, acho que tens de te esforçar p’ra por juízo na cabeça da tua prima. A sério… nesta idade as miúdas estão com a vontade toda de serem populares e de quererem crescer à força toda e acham que se forem p’ra cama com alguém que passam a ser melhores por isso… só que depois nem pensam nas consequências: ficar grávida, doenças ou até ficar com fama.
- P’ra quê que a tua prima quer ser popular? – perguntou Ivan. – A sério, ser popular às vezes nem é tão fixe quanto parece! O pessoal fala todo na tua vida, p’ra onde vais tão sempre a controlar os teus passos e quando há confusão acham que ‘tás sempre metido no meio!
- Sim, mas vai lá dizer isso a uma miúda de treze anos – retorquiu Diana. – E depois… ser popular por os motivos que ela quer ser… por favor, poupem-me! O tiro só lhe vai é sair pela culatra porque o Bruno ‘tá-me sempre a dizer que os rapazes não gostam de moças fáceis, sabem… aquelas que eles estalam os dedos e elas ‘tão logo lá.
- E também não gostamos de carne mastigada – acrescentou Marco.

Novamente eles riram, mas as gargalhadas morreram com a mesma repentinidade com que emergiram. A feição carrega de Joana não os incentivava a rir e eles permaneceram uns minutos em silêncio, ouvindo lá ao longo as risadas das crianças.

- Treze anos! – exclamou Becky quebrando o silêncio, todos olharam para ela. – eu não era assim com treze anos! Só dei o meu primeiro beijo com quinze, durante as férias de Verão, com o tal Oliver de Liverpool – Marco limpou a garganta sonoramente. Ivan e Gustavo trocaram olhares significativos que expressavam claramente o motivo da reacção do seu amigo. – Acho com treze anos era bem parvinha.
- Tu ainda és bem parvinha, gorducha – zombou Marco e Ivan piscou o olho a Gustavo em sinal de as suas suspeitas haviam sido comprovadas.
- Queres o quê, os miúdos de hoje em dia querem crescer mais depressa – disse Diana. – Assim como eu ficou de boca aberta quando oiço histórias de moças de doze que já não são virgens, a minha irmã também ficou quando soube que eu já namorava. Ela só teve o primeiro namorado aos dezoito, perdeu a virgindade aos dezanove e no fundo só teve duas relações na vida, e só têm vinte e três anos.

Eles anuíram com a cabeça. Raquel, algo acabrunhada, falou.

- Às vezes eu acho que não sou igual aos outros adolescentes da minha idade. Não façam essa cara – dirigiu-se a Diana e Joana. – É que a maior parte das moças da minha idade já teve relações sexuais e…
- Raquel, já tínhamos falado nisso! – interrompeu Joana, exasperada, pois ela detestava ver a amiga desvalorizar-se. – Cada um tem o seu ritmo e tu não tens de ir atrás do que os outros fazem só p’ra te sentires enquadrada.
- Mas sabes que elas também não perdoam – ripostou Raquel. – Começam logo a mandar boquinhas, «ah, não sabes o que ‘tás a perder». Falam de ser virgem como se tivéssemos a perder algo muito importante da nossa vida. Já sabes que nesta idade a gente liga muito ao que os outros dizem, e acabam sempre por existir pessoas como uma da minha turma que foi p’ra cama com o namorado que conheceu há uma semana só porque riam-se dela por ser virgem… ela acabou por ceder à pressão!
- Gente sem personalidade – suspirou Diana. – Primeiro elas não têm nada a ver com isso! Depois, cada um sabe quando é o seu momento certo, não são elas. Todos os que tão aqui temos aproveitado bem a nossa vida e tanto quanto sei somos todos virgens, não é?

Alguns coraram, mas no fim todos responderam afirmativamente com a cabeça.

- Qual é a idade certa p’ra se perder a virgindade? – perguntou Becky, ela estava vermelha como um pimentão.
- Outra! – exclamou Joana contorcendo os cantos da boca. – Eu não acho que existem uma idade obrigatória p’ra perderes a virgindidade e quem não perder é reprovado e passa a ser um totó. Acontece quando tem de acontecer! Quando já te sentes preparada, quando achas encontras-te a pessoa certa, não é perder só por perder porque se andam a rir de ti!
- Sim, mas sendo assim também não podes censurar as miúdas de 13 anos – retorqiu Ivan. – Sabes lá se com essa idade elas não se sentem já preparadas?
- É diferente, Ivan – retaliou Gustavo. – Treze anos ainda é cedo, até a nível de desenvolvimento do corpo, sei lá. E depois chegas aos 18 e fazes o quê? Acho que há uma idade certa p’ra tudo, e treze anos é cedo.
- Mais vale esperar pelo momento certo e ir aproveitando os namorinhos – opinou Joana.
- Pois… nós esperamos pela pessoa certa e vocês, rapazes, esperam pela mais boazona? – indagou Becky dirigindo o seu olhar claramente para o Marco.

- Nada disso – respondeu Gustavo. – E digo-te sinceramente, oportunidades não faltaram, mas preferia que fosse com alguém de quem eu gosto.
- Sim – concordou Marco. – P’ra ser com qualquer uma era só ligar à Dunas e pronto!
- E vocês acham sempre que nós temos de ser diferentes – rematou Ivan.

Elas riram.

- Eu não tenho problemas nenhuns em ser virgem – desabafou Diana. – Não sou nenhuma miudinha ingénua com o cinto de castidade como toda a gente pensa que elas são. Estou a ter o meu tempo, aproveitando a vida e o meu namorado e quando chegar, chegou. Que mania que as pessoas têm de pensar que o sexo faz amadurecer. Se fosse por isso as moças que começam a fazer isso bem cedo iam ter mais juízo na cabeça.

- Achas que essa pessoa é o Bruno? – inquiriu Joana lançando um sorriso à amiga, ela achava-se parecida com Diana pois também não ligava muito ao que as outras pessoas diziam.
- Sinceramente não sei… o que tiver que ser será! Se for o Bruno fico muito feliz porque a cada dia que passa gosto mais dele e acho que a nossa relação pode durar. Os meus pais e a minha irmão ficaram chocados quando souberam que o Bruno tem dezassete… já sabem, não é… um rapaz de dezassete anos tem interesses diferentes de uma moça de quinze… mas o meu bebé não, ele diz que não me quer forçar a nada, que espera até eu me sentir preparada… - e os nos seus olhos a felicidade dançava ao falar no namorado.
- Que fixe! – exclamou Joana. – Ele é bem diferente do Victor. O meu ex andava-me sempre a pressionar, «ah, eu tenho necessidades»… ainda bem que me livrei desse emplastro – e deu um beijo na bochecha do Gustavo.

- É tudo uma questão de atitude – filosofou Ivan. – Se souberes respeitar a outra pessoa e ti mesmo tudo bem.
- Vocês dizem isso porque ainda tão todos na idade – atalhou Raquel. – Agora aqueles que acabam a adolescência ainda virgens são todos vistos de lado. Toda a gente acha que antes já devíamos de ter vivido um grande amor, ter tido um namorado e pimba… mas depois há uns analfabetos sentimentais, como eu… os inúteis que não têm sorte nenhuma no amor… quero ver depois na casa dos vinte, quando se faz sexo por tudo e por nada, eu ainda virgem.

- Então tens uma solução, abre as pernas pró primeiro que aparecer e depois diz se valeu a pena – respondeu Joana, irritada. – Acorda p’ra vida, Raquel! Essas tuas colegas não batem é bem da cabecinha delas p’ra tarem a julgar quando é que tu tens ou não de ir p’ra cama com alguém. Tu esperas o tempo que achas que deves, e acredita que se ainda não apareceu ninguém p’ra ti é porque quando vier vai ser alguém mesmo muito especial! Quanto a essas vacas manda-as pastar porque se elas perdem tempo a comentar a vida sexual dos outros… é porque no fundo devem é ter uma vida sexual mesmo muito fracassada!

- Votem na Joana! – troçou Marco, aplaudindo.

E mais uma vez as gargalhadas ecoaram, somente forem quebradas pelo Bruno, o namorado da Diana, que apareceu com uma viola na mão.

- Olá, morzinho – Diana levantou-se e deu-lhe um beijo. Bruno saudou os amigos da namorada e eles retribuíram o cumprimento. – Trouxeste a viola?
- Sim, p’ra animar um bocado o pessoal e praticar – Bruno sentou-se do lado dela. – Que querem que toque?
- Outside, dos Staind – pediu Becky.
- Essa música é uma seca! – contrariou Marco. – Toca Olhos Certos, dos Detonautas.
- A minha é que é uma seca?! – admirou-se Becky. – Essa é uma porcaria!!!

E começaram a discutir.
- Olha, mor, toca uma música qualquer sobre duas pessoas que passam a vida a discutir mas que no fundo gostam muito uma da outra – sugeriu Diana.

Marco e Becky ficaram com as caras tingidas de escarlate de vergonha enquanto os seus amigos riam a bandeiras despregadas e Bruno tocava as notas inicias da música sugerida.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Emigração Controlada

Provavelmente depois deste post serei apetrechada e apontada como conservadora de direita (segundo a opção “visão política” do Orkut [ainda tem que me explicar o que é esquerda-liberal]) mas estou muito longe de o ser, apenas concordo com alguns pensamentos do lado direito e alguns pensamentos do lado esquerdo e por isso estou no centro, afinal é no meio que está a virtude.

Eu já tinha anteriormente suscitado este tema da Emigração Controlada na comunidade do Orkut da qual sou “proprietária”, no entanto tomou alguns caminhos um tudo ou nada diferenciados do tema proposto e de uma forma subtil quase que me acusaram de ser contra miscelinização dos povos (o que até tem tudo a ver não é? Eu nem sequer sou filha de uma brasileira e de um moçambicano). Enfim, detesto quando falo de pimentos e as pessoas começam a falar de cebolas! Está bem que são legumes (ou será que são vegetais?!) mas ainda assim são bastante diferentes um do outro.

É do conhecimento geral que o tema da emigração tem vindo a ser extremamente debatido nos parlamentos europeus. A Europa, esse velho continente, tem sido assolada por uma vaga de imigrantes provenientes da América Latina, Norte de África, Ásia e antiga União Soviética. Todavia, ligado à emigração está adjacente um naipe diversificado de problemas como a emigração ilegal, o tráfico de seres humanos, a exploração laboral, etc. Os emigrantes lutam para conseguir uma vida digna, o que por vezes não acontece pois muitos acabam confinados a guetos e com um nível de vida bastante reduzido, o que irá gerar uma série de problemas. São esses problemas que os governos europeus se têm empenhado em resolver.

Sou a favor do controlo da emigração. Por exemplo, na Austrália ou em Luxemburgo existem uns modelos muito próprios para esta situação da qual eu sou apologista. Se um país precisa de um «X» número de emigrantes, então deixa entrar esse número «X» pois é do nosso conhecimento que caso entrem demasiados emigrantes a procura laboral é tanta que não serão todos empregados, logo a taxa de desemprego aumenta e se a taxa de desemprego aumenta o que acontece? A criminalidade tende a aumentar…

A emigração deve ser tratada com devida atenção e não posta de lado, tanto para o bem dos emigrantes como para dos próprios países. É que não basta simplesmente deixar as pessoas entrar no país e depois deixá-las ao Deus dará. É que senão houver controlo onde vão os países parar? A pobreza, o desemprego e a exclusão são meio caminho andado para a criminalidade, afinal há que se arranjar dinheiro para comer, nem que seja roubando. Quando discuti este tema com a minha tia, ela disse-me «Não tarda muito para aparecer outro Hitler. É que o Hitler não apareceu por acaso!». E não apareceu mesmo, foram os alemães que o colocaram no poder em resposta às feridas causadas pela Primeira Guerra. Porque acham que estão aparecendo cada vez mais grupos nacionalistas por essa Europa fora? A Europa pode ser um continente envelhecido e estes emigrantes contribuem para o rejuvenescimento da população, no entanto os países não têm capacidades para suportar tantos emigrantes e as taxas de desemprego aumentam sempre, Portugal por exemplo tem a terceira maior taxa da União Europeia. Quando ocorre de serem recambiados os emigrantes de volta à sua Pátria aparece logo uma série de gente a dizer que é xenofobia, mas por favor, como é que um país com taxa de desemprego exorbitante tem condições para deixar entrar mais gente? Enquanto não se empregarem aqueles que não têm trabalho de nada adianta deixar entrar mais gente! É como a União Europeia: se continuar a deixar entra mais países nunca conseguirá ficar coesa de modo a rivalizar com o mercado americano ou com o asiático (e aviso já que sou contra a União Europeia pois acho que esta só beneficia os grandes capitalistas e os turistas que já não precisam de passaporte nem de fazer câmbio de moedas).

Creio que a imagem do emigrante de sucesso do século XIX que ia para a Europa ou para os EUA e enriquecia muito depressa já se perdeu há bastante tempo, os tempos mudaram e como eu li uma vez (e adaptando à realidade europeia): «O American Dream tornou-se num nightmare».

O que me responderam quando escrevi isto foi:

“Pena que os índios não possuíam parlamentos para discutir e controlar a invasão europeia na época das colonizações...Ninguém é ilegal.Todos somos estrangeiros, quase no mundo todo.Mi casa, tu casa!Não se preocupe: os europeus emigram também! Mallorca, por exemplo, já é considerada meia alemã. Kreuzberg em Berlim é tida como Istambul. Em São Paulo o bairro da Liberdade é japonês. Em Toronto há uma grande colónia portuguesa. Viva as misturas, viva a multiplicidade dos seres. Crianças de raças misturadas são as mais lindas de todas”.

Ponto 1: Detesto quando vão buscar respostas a temas actuais a coisas que aconteceram quase antes de Cristo. Os gauleses também não possuíam parlamentos para discutir e controlar a invasão romana. Se os Europeus não tivessem ido para a América secalhar não existia Brasil, Argentina, El Salvador, Canadá, etc. e provavelmente a pessoa que me respondeu nem teria nascido. Nem eu! Nem metade das pessoas que me estão a ler!

Ponto 2: Ninguém é ilegal? Em que mundo é que vivemos?! Se bem me lembro no Admirável Mundo, não é!

Ponto 3: Em que parte do meu argumento é que eu disse que era contra a miscelinização dos povos? Eu só falei em controlar a emigração, não em aboli-la. Acaso coloquei os europeus num pedestal e comecei a venerá-los? Até porque esta medida devia de ser tomada por todos os países! Acho que só faltou o autor deste argumento ter-me mandado para uma reunião dos “Extremistas Anónimos”!

Decididamente nos dias de hoje confunde-se mesmo ordem com ditadura e liberdade com libertinagem!

terça-feira, 4 de março de 2008

Risadas Inconvenientes

Bom, o texto está em espanhol mas até que é perceptível. Eu sofro disto. Normalmente dou sempre risadas em momentos impróprios porque fico perdida em pensamentos e acabo por me relembrar de um momento deveras engraçado e pimba! É muito embaraçoso


Ps: Carreguem na imagem para a conseguirem ver melhor, ou então serviam-se de uma lupa à lá Sherlock Holmes rsrsrs.
A minha rotina está me consumindo mas amanha já tenho algum tempo e escrevo algo mais rebuscado.

domingo, 2 de março de 2008

O meu “Eu” Líterário

Ah, que dia solarengo que foi este domingo. Sentei-me num banquinho de madeira enquanto observava as criancinhas andando de bicicleta, tão alegres, alheias ao leque de calamitosos acontecimentos que assolam o nosso Admirável Mundo. Como é bom ser criança e ainda encerrar dentro de nós ingenuidade… Fechei os olhos e pensei… lá ao fundo escutava os risos alegres das crianças… eram como uma chama reconfortante no meu peito… haverá som mais real e autêntico do que um riso de uma criança? E então o meu cérebro começou a trabalhar como programa de centrifugação da máquina de lavar a roupa… «O que vou escrever hoje no blog?», perguntei a mim mesma… O que não falta por aí são temas para se escrever… mas falar de catástrofes num domingo tão solarengo como este estava totalmente fora de cogitação… e igualmente também não estava com vontade de contar histórias sobre o Gustavo, a Joana ou a Raquel…o Gustavo, a Joana e a Raquel, pensei eu… que serão eles para os leitores do não mais personagens criadas por Camilla Kate Boyle… personagens que ela usa para narrar vivências da adolescência ou temas actuais… os leitores até já serão capazes de deliniar um pouco da personalidade de cada uma dessas personagens… mas e a criadora dessas personagens…será que conhecem? Eu acredito que a melhor forma de conhecer um escritor é através das suas obras, e não da sua biografia… no entanto, porque hoje estou um pouco narcisista, vou falar sobre mim… não dizer que gosto mais de café do que de chá, ou que prefiro a Primavera ao Verão, mas sim desmistificar a personalidade de Camilla Kate Boyle…

Enganam-se aqueles que pensam que me chamo realmente de Camilla Kate Boyle… pelo contrário, recebi de meus pais o nome Camila e pude vangloriar-me durante muitos anos de ter sido a única Camila de todas as escolas por onde passei; o nome que se segue é materno e é o que mais gosto pois relembra-me o nome de um dos meus escritores favoritos: Queiroz; e o meu sobrenome não poderia ser mais português: Santos… portanto o meu nome real é Camila Queiroz Santos. Uma vez disseram-me que eu tinha nome de intelectual, e até de escritora… acho que é o Queiroz que dá aquele toque requintado, ou talvez o Santos, mas já existem muitos escritores com este sobrenome, e a verdade é que Camila Queiroz Santos nada mais é do que um nome que consta na lista de alunos inscritos em Educação Social… Camilla Kate Boyle sim é que é escritora (ou algo assim) …

Aprendi a ler muito cedo, por intermédio da minha tia Amélia, que me ensinava as palavras, portanto, quando aos seis anos entrei para a escola, já sabia ler e escrever algo perceptível. A primeira coisa que li foi banda desenhada. Inicie com a Turma da Mónica, aos 11 descobri o Asterix e agora não vivo sem a Maitena. Pelo caminho tive outras paixões em quadradinhos, mas estas três anteriormente mencionadas foram as que se mantiveram até presentemente.

Dos quadradinhos passei para livros a sério… a tia extremista mas que eu tenho em grande conta facultou-me livros da Enid Blyton… como eu adorava as aventura dos Sete e dos Cinco… aos dez anos, quando entrei para o Ciclo, o manual de História começou a ser o meu principal companheiro.

Seguiram-se livros de autores portugueses no estilo de Enid Blyton e histórias de adolescentes da Katryn Lamb até aos 13 anos eu me apaixonar por um rapazinho moreno e de óculos redondos chamado Harry Potter… com o Potter veio os Lusíadas, de Luís de Camões, os autos de Gil Vicente e mais tarde Eça de Queirós! No entanto, foi aos 15 anos, quando entrei para o Liceu que eu encontrei o meu verdadeiro amor: Agatha Christie. A Rainha do Crime fez com que eu apaixonasse por policiais e muitos neste género eu li, mas para mim Poirot e Miss Marple serão sempre os melhores. Por esta altura já eu tinha lido inúmeros livros e felizmente que tinha com quem discuti-los, pois na sua grande maioria os meus amigos não gostavam de ler. Mas o Pedro era um entendido na matéria: «lê George Orwell, Dostoiévski, Charles Dickens», e assim foi: 1984, Crime e Castigo, Oliver Twist… nas estantes da biblioteca do Liceu também conheci Gustave Flaubert (Madame Bovary) e Alexandre Dumas (Três Mosqueteiros). Presentemente já fui formalmente apresentada a Jane Austen e agora estou tendo o prazer de conhecer Truman Capote e Emily Brontë.

Se me perguntarem quem mais me marcou ao longo destes curtos dezanove anos de vida, poderei citar nomes como Joana, Ruben, Rafhaela, Raíssa, Gustavo, Pedro, etc, mas também citarei nomes como os a negrito mencionados. Cada um destes autores, embora uns mais do que outros, ajudaram-me a construir a minha personalidade e a ser quem eu sou hoje. Agatha Christe ajudou-me a entender a natureza humana, Eça de Queirós foi uma ajuda para analisar a sociedade… sim, cada um deles foi um amigo quase tão imprescindível como os que eu pessoalmente conheço. As suas obras foram a minha companhia ao longo deste anos… «todo o escritor começa como leitor», li eu uma vez… e se eu hoje escrevo algo que dá algum deleite às pessoas, devo a estas ilustres figuras pois cada uma delas foi um degrau que me ajudou a chegar ao mundo da imaginação…

E a minha imaginação desde cedo que foi vasta. Começando pelos amigos imaginários até às composições que a professora de português mandava escrever, creio que desde tenra idade que me apercebi que tinha mais do que massa cinzenta e vento dentro da minha cabeça. Foi aos 11 anos que escrevi a minha primeira história. Por esta altura já tinha decidido para mim mesma que queria ser professora de História e na altura estava em voga a novela «Terra Nostra», então eu peguei nos meus colegas e escrevi uma história sobre a nossa turma, mas desenrolada no século XIX: Famílias Rivais, foi como lhe chamei.

Foi então que surgiu um novo amigo imaginário na sequência de eu estar a ler Harry Potter: o Jimmy. Confesso que sempre senti uma certa admiração por nomes ingleses e eu queria escrever uma história com esses nomes, então agarrei na lista telefónica e comecei a vasculhar em busca de nomes ingleses (tenho uma lista com mais de 1000 nomes)… numa dessas demandadas encontrei o nome Boyle. Nunca acreditei muito no amor à primeira vista, mas acho que foi o que senti por este sobrenome. Adaptando o meu nome então à sua forma anglo-saxónica surgiu o «Camilla»… e daí até descobrir o Kate foi um pulinho, bastou-me pensar num nome que combinasse… e assim surgiu Camilla Kate Boyle…

Escrevi pequenas histórias com os nomes ingleses que eu colhi, porém foi aos 14 anos que consegui escrever algo a sério. Eu tinha dado à luz o «The Rap Game». Na altura estava apaixonada pelo filme do Eminem, 8 Mile, e então o livro que escrevi era algo neste género. Era destinado principalmente ao público da minha idade e dividia-se em quatro livros. Existiam vários gangs, sendo que o principal eram os Wolfkillers, do qual faziam parte Camilla Kate Boyle, Peter McVan, Zack Spencer, Denaun Porter e Jimmy Rivers. Foi um furor na minha turma, alguns dos meus colegas interessaram-se e pediram-me para ler o livro… simplesmente adoraram… e vivam a história quase tanto como eu: davam palpites quanto à continuidade da história, forneciam-me ideias e sugestões… eram tantos elogios que por momentos eu até pensei em poder vir a ser escritora. Mas o The Rap Game sofreu inúmeras transformações até eu completar 17, altura em que coloquei este projecto sem stand by. Ninguém soube ao certo, mas este livro foi o meu alicerce para suportar os problemas que então me perturbavam: a fraca auto-estima e o segundo divórcio da minha mãe… no fundo este mundo que criei foi um subterfúgio e o livro é em grande parte autobiográfico… no entanto, sempre tenho ideias a acrescentar a este livro e acho que sempre que lhe falta algo mais, talvez por isso que nunca tenha concluído o último livro desta saga, pois todos os anteriores ainda estão a sofrer alterações… e ainda hoje me perguntam quando irei publicar o The Rap Game…

O The Rap Game era inicialmente narrado nos EUA, todavia, quando o Bush subiu ao poder e começou a Guerra no Iraque o meu apreço por este país desceu vertiginosamente, e então eu pensei em criar um país e assim o fiz (e levei a minha imaginação a um patamar nunca antes pensado): assim nasceu Cayenne. Foram horas intermináveis a fazer pesquisas, a criar histórias, a escrever e assim nasceu tudo… a história do país, a bandeira, os mapas com as cidades e tudo mais… está tudo completíssimo. Resumidamente Cayenne é uma ilha com aproximadamente o tamanho da Aústria, foi descoberta pelos vikings, conquistada pelos ingleses e mais tarde alcançou a independência. O seu actual presidente foi principalmente inspirado no Dumbledore e no fundo o que eu pretendo é fazer uma sátira ao Mundo Actual. Quem já leu rendeu-se! É que eu até escrevi um pequeno guia turístico de Cayenne, como aqueles livretes que os turistas adoram: Cayenne, a Jóia dos Vikings.

O Anjo da Guarda, que escrevi entretanto também vai sofrer algumas alterações, e A Minha Vida Dava Uma Comédia Romântica (título provisório) que ainda não passa só de um esboço, são algumas das obras que já escrevi. O The Rap Game está guardado, esperando que me debruce sobre ele para lhe dar a atenção e continuidade que ele, como filho primogénito, merece. Actualmente estou começando a construir a história para um livro que será uma biografia da minha mãe, que irá explorar temas como a emigração, o capitalismo e a resiliência, vou até aproveitar as longas horas de almoço que tenho para começar a escrever e quem sabe desta vez fazer uma versão final e definitiva de um livro. E para além deste tenho também o Admirável Mundo Moderno, a minha morada cibernautíca que eu levianamente criei mas sem a qual já não consigo viver. Tinha sempre receio de que os temas se esgotasse e de que eu voltasse a repetir histórias, mas vejo que isto está longe de acontecer (Thank God). E por acaso as personagens que aqui habitam sãos as primeiras a quem dou nomes portugueses… mas sinceramente continuo a preferir os nomes estranhos.

E assim é o mundo de Camilla Kate Boyle. Durante anos imaginei o meu nome gravado na capa de um livro, eu dando autógrafos e entrevistas… posso não ter tido uma legião de fãs, mas tive um pequeno grupo de leitores que me ajudou a prosseguir nesta caminhada. Por vezes insultavam-me, dizendo que eu esta perdendo tempo escrevendo histórias, mas a essas pessoas eu só dizia: «Há pessoas que são viciadas em drogas, outras em álcool e ainda há aquelas que não vivem sem sexo. Eu só gosto de escrever!».

Ps: quem ler este texto até ao fim sobe 10 pontos na minha consideração e ganha um chocolate.

sábado, 1 de março de 2008

Dublagens para que vos quero?

Este texto foi algo que formulado às três pancadas, enquanto eu esperava pelo autocarro (ônibus).

O primeiro filme da Disney a ser dublado em português de Portugal foi o “Rei Leão”, todos os outros eram dublados em brasileiros… ah como eu me lembro do Pinóquio, do Bambi, dos Aristogatos com o sotaque da velha Pátria Amada… mas ver o Nemo ou o Shrek com sotaque lusitano também não foi mau, e a verdade é que quando a dublagem se trata de desenhos animados, OK, tudo bem ainda é aceitável e até tem a sua piada… mas e quando são filmes?

Meus amigos eu agradeço muito o facto de Portugal ser dos poucos países da Europa que não dubla os filmes, preferindo as legendagens. Já viram o que é assistir ao «Como perder um homem em 10 dias» ou ao «V de Vingança» com os actores conversando em alemão ou espanhol e cujas vozes nada têm a ver com os actores? Embrulha o estômago… até porque uma vez, quando queria ver o quarto filme do Harry Potter, fui avisada de as secções no indioma original já estavam esgotada, pelo que só sobrava lugares para o filme dublado em português. Conseguem imaginar o Ron a falar com o sotaque do Norte e os restantes actores a pronunciarem o nome do Potter como «Ahrrrrrry»… foi degradante. Não a sério, não sei mesmo porquê que se têm de dublar os filmes para maiores de 12 anos.

Às vezes pergunto-me se os alemães, os espanhóis ou os franceses já alguma vez ouviram a voz original do Johnny Depp… é que eu, falando por mim, não só gosto deste actor por ele ser deveras interessante e lindo de morrer, mas também porque tem uma voz de fazer eriçar os cabelos do pescoço (não, a voz dele não mete medo).

Então pus-me a pensar… as dublagens para além de serem ridículas, são igualmente desnecessárias quando se trata de filmes a sério. Falando no meu caso, eu aprendi inglês na escola, mas a maior parte das coisas que sei hoje foi através dos filmes, porque ao ouvir os actores e associando ao que estava escrito nas legendas foi uma boa maneira de aprender inglês… contrariamente àqueles que vivem em países onde isto não acontece. Aos se dublar um filme para a língua do país estamos a contribuir para o comodismo, afinal os telespectadores só têm de ver o filme e ouvir as vozes (rídiculas) dos dubladores… mas quando o filme é somente legendado, os telespectadores devem estar atentos à história, ouvir os actores e ler as legendas… um apelo às celulazinhas cinzentas!

No teste de Inglês que fiz há dois semestres atrás também se falou nisso, mas na perspectiva de na Inglaterra todas as informações facultadas aos imigrantes serem feitas na sua língua materna, mesmo eles estando lá há muito, muito tempo. É algo impensável pois só estará a condicionar a sua aprendizagem à língua inglesa… e acho que os filmes dublados podem algo que se enquadrar neste aspecto.

Bom, o texto não está algo que a gente diga «nossa que texto fantástico», mas venho por este meio exigir o final das dublagens! Por favor… são ridículas.

Ps: Estive um pouco parada durante um/dois dias porque estive organizando as ideias para uma história que estou pensando em escrever (um livro) e também estive colhendo inspiração para as histórias dos habitantes do meu Admirável Mundo.