"Crónica de Costumes"

domingo, 2 de março de 2008

O meu “Eu” Líterário

Ah, que dia solarengo que foi este domingo. Sentei-me num banquinho de madeira enquanto observava as criancinhas andando de bicicleta, tão alegres, alheias ao leque de calamitosos acontecimentos que assolam o nosso Admirável Mundo. Como é bom ser criança e ainda encerrar dentro de nós ingenuidade… Fechei os olhos e pensei… lá ao fundo escutava os risos alegres das crianças… eram como uma chama reconfortante no meu peito… haverá som mais real e autêntico do que um riso de uma criança? E então o meu cérebro começou a trabalhar como programa de centrifugação da máquina de lavar a roupa… «O que vou escrever hoje no blog?», perguntei a mim mesma… O que não falta por aí são temas para se escrever… mas falar de catástrofes num domingo tão solarengo como este estava totalmente fora de cogitação… e igualmente também não estava com vontade de contar histórias sobre o Gustavo, a Joana ou a Raquel…o Gustavo, a Joana e a Raquel, pensei eu… que serão eles para os leitores do não mais personagens criadas por Camilla Kate Boyle… personagens que ela usa para narrar vivências da adolescência ou temas actuais… os leitores até já serão capazes de deliniar um pouco da personalidade de cada uma dessas personagens… mas e a criadora dessas personagens…será que conhecem? Eu acredito que a melhor forma de conhecer um escritor é através das suas obras, e não da sua biografia… no entanto, porque hoje estou um pouco narcisista, vou falar sobre mim… não dizer que gosto mais de café do que de chá, ou que prefiro a Primavera ao Verão, mas sim desmistificar a personalidade de Camilla Kate Boyle…

Enganam-se aqueles que pensam que me chamo realmente de Camilla Kate Boyle… pelo contrário, recebi de meus pais o nome Camila e pude vangloriar-me durante muitos anos de ter sido a única Camila de todas as escolas por onde passei; o nome que se segue é materno e é o que mais gosto pois relembra-me o nome de um dos meus escritores favoritos: Queiroz; e o meu sobrenome não poderia ser mais português: Santos… portanto o meu nome real é Camila Queiroz Santos. Uma vez disseram-me que eu tinha nome de intelectual, e até de escritora… acho que é o Queiroz que dá aquele toque requintado, ou talvez o Santos, mas já existem muitos escritores com este sobrenome, e a verdade é que Camila Queiroz Santos nada mais é do que um nome que consta na lista de alunos inscritos em Educação Social… Camilla Kate Boyle sim é que é escritora (ou algo assim) …

Aprendi a ler muito cedo, por intermédio da minha tia Amélia, que me ensinava as palavras, portanto, quando aos seis anos entrei para a escola, já sabia ler e escrever algo perceptível. A primeira coisa que li foi banda desenhada. Inicie com a Turma da Mónica, aos 11 descobri o Asterix e agora não vivo sem a Maitena. Pelo caminho tive outras paixões em quadradinhos, mas estas três anteriormente mencionadas foram as que se mantiveram até presentemente.

Dos quadradinhos passei para livros a sério… a tia extremista mas que eu tenho em grande conta facultou-me livros da Enid Blyton… como eu adorava as aventura dos Sete e dos Cinco… aos dez anos, quando entrei para o Ciclo, o manual de História começou a ser o meu principal companheiro.

Seguiram-se livros de autores portugueses no estilo de Enid Blyton e histórias de adolescentes da Katryn Lamb até aos 13 anos eu me apaixonar por um rapazinho moreno e de óculos redondos chamado Harry Potter… com o Potter veio os Lusíadas, de Luís de Camões, os autos de Gil Vicente e mais tarde Eça de Queirós! No entanto, foi aos 15 anos, quando entrei para o Liceu que eu encontrei o meu verdadeiro amor: Agatha Christie. A Rainha do Crime fez com que eu apaixonasse por policiais e muitos neste género eu li, mas para mim Poirot e Miss Marple serão sempre os melhores. Por esta altura já eu tinha lido inúmeros livros e felizmente que tinha com quem discuti-los, pois na sua grande maioria os meus amigos não gostavam de ler. Mas o Pedro era um entendido na matéria: «lê George Orwell, Dostoiévski, Charles Dickens», e assim foi: 1984, Crime e Castigo, Oliver Twist… nas estantes da biblioteca do Liceu também conheci Gustave Flaubert (Madame Bovary) e Alexandre Dumas (Três Mosqueteiros). Presentemente já fui formalmente apresentada a Jane Austen e agora estou tendo o prazer de conhecer Truman Capote e Emily Brontë.

Se me perguntarem quem mais me marcou ao longo destes curtos dezanove anos de vida, poderei citar nomes como Joana, Ruben, Rafhaela, Raíssa, Gustavo, Pedro, etc, mas também citarei nomes como os a negrito mencionados. Cada um destes autores, embora uns mais do que outros, ajudaram-me a construir a minha personalidade e a ser quem eu sou hoje. Agatha Christe ajudou-me a entender a natureza humana, Eça de Queirós foi uma ajuda para analisar a sociedade… sim, cada um deles foi um amigo quase tão imprescindível como os que eu pessoalmente conheço. As suas obras foram a minha companhia ao longo deste anos… «todo o escritor começa como leitor», li eu uma vez… e se eu hoje escrevo algo que dá algum deleite às pessoas, devo a estas ilustres figuras pois cada uma delas foi um degrau que me ajudou a chegar ao mundo da imaginação…

E a minha imaginação desde cedo que foi vasta. Começando pelos amigos imaginários até às composições que a professora de português mandava escrever, creio que desde tenra idade que me apercebi que tinha mais do que massa cinzenta e vento dentro da minha cabeça. Foi aos 11 anos que escrevi a minha primeira história. Por esta altura já tinha decidido para mim mesma que queria ser professora de História e na altura estava em voga a novela «Terra Nostra», então eu peguei nos meus colegas e escrevi uma história sobre a nossa turma, mas desenrolada no século XIX: Famílias Rivais, foi como lhe chamei.

Foi então que surgiu um novo amigo imaginário na sequência de eu estar a ler Harry Potter: o Jimmy. Confesso que sempre senti uma certa admiração por nomes ingleses e eu queria escrever uma história com esses nomes, então agarrei na lista telefónica e comecei a vasculhar em busca de nomes ingleses (tenho uma lista com mais de 1000 nomes)… numa dessas demandadas encontrei o nome Boyle. Nunca acreditei muito no amor à primeira vista, mas acho que foi o que senti por este sobrenome. Adaptando o meu nome então à sua forma anglo-saxónica surgiu o «Camilla»… e daí até descobrir o Kate foi um pulinho, bastou-me pensar num nome que combinasse… e assim surgiu Camilla Kate Boyle…

Escrevi pequenas histórias com os nomes ingleses que eu colhi, porém foi aos 14 anos que consegui escrever algo a sério. Eu tinha dado à luz o «The Rap Game». Na altura estava apaixonada pelo filme do Eminem, 8 Mile, e então o livro que escrevi era algo neste género. Era destinado principalmente ao público da minha idade e dividia-se em quatro livros. Existiam vários gangs, sendo que o principal eram os Wolfkillers, do qual faziam parte Camilla Kate Boyle, Peter McVan, Zack Spencer, Denaun Porter e Jimmy Rivers. Foi um furor na minha turma, alguns dos meus colegas interessaram-se e pediram-me para ler o livro… simplesmente adoraram… e vivam a história quase tanto como eu: davam palpites quanto à continuidade da história, forneciam-me ideias e sugestões… eram tantos elogios que por momentos eu até pensei em poder vir a ser escritora. Mas o The Rap Game sofreu inúmeras transformações até eu completar 17, altura em que coloquei este projecto sem stand by. Ninguém soube ao certo, mas este livro foi o meu alicerce para suportar os problemas que então me perturbavam: a fraca auto-estima e o segundo divórcio da minha mãe… no fundo este mundo que criei foi um subterfúgio e o livro é em grande parte autobiográfico… no entanto, sempre tenho ideias a acrescentar a este livro e acho que sempre que lhe falta algo mais, talvez por isso que nunca tenha concluído o último livro desta saga, pois todos os anteriores ainda estão a sofrer alterações… e ainda hoje me perguntam quando irei publicar o The Rap Game…

O The Rap Game era inicialmente narrado nos EUA, todavia, quando o Bush subiu ao poder e começou a Guerra no Iraque o meu apreço por este país desceu vertiginosamente, e então eu pensei em criar um país e assim o fiz (e levei a minha imaginação a um patamar nunca antes pensado): assim nasceu Cayenne. Foram horas intermináveis a fazer pesquisas, a criar histórias, a escrever e assim nasceu tudo… a história do país, a bandeira, os mapas com as cidades e tudo mais… está tudo completíssimo. Resumidamente Cayenne é uma ilha com aproximadamente o tamanho da Aústria, foi descoberta pelos vikings, conquistada pelos ingleses e mais tarde alcançou a independência. O seu actual presidente foi principalmente inspirado no Dumbledore e no fundo o que eu pretendo é fazer uma sátira ao Mundo Actual. Quem já leu rendeu-se! É que eu até escrevi um pequeno guia turístico de Cayenne, como aqueles livretes que os turistas adoram: Cayenne, a Jóia dos Vikings.

O Anjo da Guarda, que escrevi entretanto também vai sofrer algumas alterações, e A Minha Vida Dava Uma Comédia Romântica (título provisório) que ainda não passa só de um esboço, são algumas das obras que já escrevi. O The Rap Game está guardado, esperando que me debruce sobre ele para lhe dar a atenção e continuidade que ele, como filho primogénito, merece. Actualmente estou começando a construir a história para um livro que será uma biografia da minha mãe, que irá explorar temas como a emigração, o capitalismo e a resiliência, vou até aproveitar as longas horas de almoço que tenho para começar a escrever e quem sabe desta vez fazer uma versão final e definitiva de um livro. E para além deste tenho também o Admirável Mundo Moderno, a minha morada cibernautíca que eu levianamente criei mas sem a qual já não consigo viver. Tinha sempre receio de que os temas se esgotasse e de que eu voltasse a repetir histórias, mas vejo que isto está longe de acontecer (Thank God). E por acaso as personagens que aqui habitam sãos as primeiras a quem dou nomes portugueses… mas sinceramente continuo a preferir os nomes estranhos.

E assim é o mundo de Camilla Kate Boyle. Durante anos imaginei o meu nome gravado na capa de um livro, eu dando autógrafos e entrevistas… posso não ter tido uma legião de fãs, mas tive um pequeno grupo de leitores que me ajudou a prosseguir nesta caminhada. Por vezes insultavam-me, dizendo que eu esta perdendo tempo escrevendo histórias, mas a essas pessoas eu só dizia: «Há pessoas que são viciadas em drogas, outras em álcool e ainda há aquelas que não vivem sem sexo. Eu só gosto de escrever!».

Ps: quem ler este texto até ao fim sobe 10 pontos na minha consideração e ganha um chocolate.

5 comentários:

Anónimo disse...

Isso que tá no ps é verdade? Então eu quero M&Ms se faz favor x)!
Boyle, Boyle, gostei do texto, apesar de ter achado que podias ter revelado algo mais sobre a personalidade de C. K. Boyle. E olha: pra mim podes ter mencionado esses autores todos mas a tua mente continua a ser o meu livro preferido (vá isto foi fofinho quero Kit Kat também x)). Tás aqui <3 ó pseudo-escritora xD. E não há dúvidas de que o Rap Game marcou uma geração, a história era mesmo muito fixe e se conseguiu por putos de 14 anos que so liam as legendas das fotos da Playboy a ler é porque tens futuro, my dear. Quero saber como acaba a história... apesar de eu saber onde escondes o teu caderninho de anotações (riso maléfico) =D.

Bjoooooo

ps: o meu nome apareceu no texto!!! ='D

Anónimo disse...

Grande texto Camila! ^-^
Tens de publicar esse livro The Rap Game, fiquei curiosa =o
And Horray para o Harry Potter xD (tinha de por isto lol Fan Stuff xD)

PS: Psssst eu tenho lido os outros textos tb, and guess what..they rock!

mm Ganho um choc agr? xD (kidding)

Leticia disse...

Cadê o chocolate?kkk
A pessoa por trás da escritora...interessante.

Letícia C. disse...

Fiquei chocada com a revelação do nome xD (finja que não notei que 'kate boyle' não é exatamente um nome português) e esse texto me deu uma vontade tremenda de voltar a escrever e mexer nos meus contos antigos (nunca passei disso), por Deus, voce fez UM PAÍS! Eu seria uma das fãzinhas a pedir autógrafo caso voce publique algo um dia... Eu tenho muito vontade, já pensei até em um pseudônimo mas acabo desanimando. Post muito legal...
Comentários inúteis sobre o anterior, a voz do Jhnny Depp realmente arrepia, e se voce assistir o Rei Leão dublado em portugues brasileiro, o leão malvado (nem lembro o nome), quando está sendo encurralado pelas hienas grita "vocês não entendem... eu sou bicha", ningume percebe porque se junta com uns efeitos sonoros, mas dá pra ouvir. Inútil mesmo... bom, até mais, continue escrevendo! o/

Mirian Martin disse...

Prá começo: está me devendo 10 pontos e um chocolate.
E eu não acredito que vou ter que ler tudo de novo para achar o nome do Teflon!! ;)
Ah, nem se atreva em engavetar por mais tempo - eu sei o custo que é isso! Termine que, com certeza, serei uma das primeiras a estar aí para a noite de autógrafos!
Beijinhos, garota!