"Crónica de Costumes"

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Retrospectiva

Quando chega esta altura do ano paramos sempre defronte ao espelho, fechamos os olhos e tentamos relembrar detalhadamente cada conquista alcançada ao logo destes quase infidáveis 12 meses. Pensamos sempre no que terá transformado a nossa vida amorosa, profissional, no que terá mudado na saude, amizade e todos os outros campos que aqueles pseudo-videntes gostam de analisar nas suas cartinhas de Tarot que sairam como brinde da revista de horoscopo. Talvez seja o momento mais narcisista, porque pensamos sempre no que nos aconteceu e não no que fizemos aos outros. Não será essa a essencia do ser humano? Pensar em si primeiro? Bom, não vou entrar em pormenores relativamente a este aspecto porque senão começarei a divagar e dada altura começarei a usar exemplos biblicos para comprovar o egocentrismo humano. Enfim... é mais um movimento de translação que o nosso querido e enfermo planeta conclui, dando final ao ano de 2007... Anozinho estranho, hein. Dizem sempre os supersticiosos que os anos impares não costumam ser abençoados, talvez eu deva acreditar, se for a colocar a minha vida em retrospectiva, e talvez convide os leitores a fazerem o mesmo a tirarem as vossas próprias conclusoes.
Não vou escrever mais sobre isto, nem mais durante este anozeco (a não ser é claro que passe por um momento de iluminação xD). Dado que tenho a minha estante desarrumada vou aproveitar os ultimos dias do ano para colocar os livros nas prateleiras certas (se é que entendem a metáfora xD).


A todos uma entrada com o pé direito no ano de 2008, que eu espero que seja melhor do que este que passou.


Bjinhos***

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Um, Dois, Três Indiezinhos...

O quê?! Tipo assim você ainda não virou Indie? É que a moda agora é ser alternativo, e o que pode ser mais alternativo do que ser Indie? Num mundo como o Admirável Mundo Moderno, marcado pela Ditadura da Moda e novas tendências, fugir aos padrões tornou-se um componente da cultura Indie. Dizem por aí que os Indies são a evolução dos Emos, embora mais inteligentes. A inteligência é a imagem de marca desta cultura: o gosto requintado por tudo o que não é consumido pela actual sociedade alienada. Conclusões que podem tirar depois de ler este artigo: talvez a sua vida dê um filme Indie. (obs: Junto acrescento a evolução final dos Indies, os From UK xD)

Espécie: Indie

Origem do nome: Advêm do termo “independente” que surgiu nos anos 50 nos Estados Unidos após a criação dos selos musicais livres das editoras musicais. Actualmente o termo designa um estilo de vida que reúne música, moda, comportamento.


Aparência: Para se ser um bom Indie é necessário ter uma aparência extremamente alternativa e inteligente. Eis aqui alguns dos ingredientes para se identificar um Indie na rua.
· Um verdadeiro Indie deve assaltar aquele baú do sótão da avó e vestir aquelas roupas retro, que para a sociedade actual estão absolutamente fora de moda (OK, mas enquanto andarem por esses assaltos aos baús das vossas avozinhas evitem as roupas que cheiram a naftalina xD). Dado que os Indies se inspiram muito na década de 60, todo o visual deles circunda em volta desta época histórica.
·
Os Indies gostam muito de padrões, como tal é fácil de os identificar caso eles usem roupas com cores fortes, com padrões em linha ou em xadrez, e bem ao gosto arqueológico, quanto mais antigo, melhor!
· Cores! O Indies adoram cores! Por isso é bem provável que os veja usando T-shirts com cores fortes e estampas alusivas às suas bandas favoritas ou com frases em inglês.
· As jeans são de cintura baixa e bem justas; as camisas antiquadas.
· Como já atrás referido, os Indies apostam num visual retro, o mesmo acontece com os penteados. Embora alguns prefiram usar cortes inspirados nas bandas britânicas dos anos 60 (franjas desfiadas e de tamanhos irregulares), embora alguns também utilizem cortes extravagantes onde os cabelos parecem ter sido cortados num momento «não faça isto em casa».
· Os Indies abominam os ténis All Star (muitas vezes associados ao movimento Grunge ou aos Emos), eles preferem botas e sapatos retro (aqueles que o avozinho usou no dia em que se casou com a avozinha).
·
Por último, os óculos são fulcrais para identificar um verdadeiro Indie. Óculos ao estilo Ray Ban (sabem, aqueles que os Xerifes usam naqueles filmes americanos passados no Texas, em que esse Xerifezinho tem aquele sotaque irritante à la Bush) com armações coloridas.
Comportamento característico: O motivo porque o Bush invadiu o Iraque? Ninguém sabe! O motivo porque os Indies são tão detestados? Também ninguém sabe! Há apenas suposições. Dizem que é pelo ar arrogante que tem, será? A cultura Indie na verdade é uma cultura fechada uma vez que eles discriminam aquilo que é maioritário nesta sociedade que habita o Admirável Mundo Moderno. Os Indies, como o próprio nome indica, são independentes, não se deixam “contaminar” por aqueles videoclips que passam na MTV com mulheres seminuas ou com filmes banais que toda a gente vê, muito pelo contrário, eles possuem um gosto apurado no que diz respeito à musica, ao cinema, literatura, teatro. São pessoas com uma personalidade Cult, o que explica aquele ar blasé (blasé é alguém que entende bastante de determinado assunto) desenhado nos seus rostos. Há quem diga que os Indies também estão em constante crise existencial (mas isso também todos temos as nossas crises existenciais. Bom, provavelmente além de termos passado por um momento Emo também já passamos por um momento Indie em nossas vidas)

O que os Indies ouvem: Sem sombra de dúvida algo que não esteja na moda. Sendo eles entendidos no que diz respeito à música, preferem bandas que permaneçam no submundo do conhecimento musical das outras pessoas. Bandas que só eles conhecem. Para descobrir essas bandas eles servem-se do santuário que todos os Indies devem frequentar: o Myspace. Os Indies gostam de experimentações musicais rebeldes. Actualmente ouvem bandas como Radiohead, The Strokes, Scissor Sisters, Yeah Yeah Yeahs, Franz Ferdinand, Cansei de Ser Sexy e Arcade Fire. E claro todas as outras bandas que ninguém mais conhece, afinal, ninguém aqui é Indie… ou é?

O dilema Indie: Sendo a cultura Indie uma cultura fechada, nada os pode incomodar mais do que a propagação desta mesma cultura. No entanto, há que admitir que os membros mais antigos desta cultura estão travando uma luta inglória dado que actualmente são cada vez mais os que adquirem este estilo alternativo de viver. O principal receio é que esta cultura se torne popular de mais, acabando por cair na mundaneidade, o que é contrário ao estilo independente e reservado dos antigos Indies.

Uma variante dos Indies: Os From UK
Existe uma grande confusão agora com estas novas tendências. E como este movimento “From UK” ainda está em construção, é difícil de o definir. Dizem que os From UK são o último estádio da evolução dos Emos e dos Indies. É como se os Emos fossem os homens das cavernas, os Indies os Homus Erectus e os From UK os Homus Sapiens Sapiens (claro está que não há provas que comprovem isto que estou escrevendo). Os From UK adoptam um estilo britânico, tal como o nome indica. Colocam de lado o cabelo retro, preferindo um cabelo loiro quase branco, repicado e com algumas madeixas coloridas. Ainda mantêm as mesmas calças justas e as camisas com os nomes das suas bandas preferidas (herança dos Indies). No entanto, enquanto os Indies tentam parecer discretos, os From UK investem em maquilhagens exageradamente exageradas e unhas enormes. O que eles mantem em comum com os Indies? O Myspace e gosto pelas bandas que mais ninguém conhece. Dado que os From UK ainda estão em fase de “encubação”, é muito difícil encontrar material sobre eles.

Sua vida dava um filme Indie?
Bom, se já pensou em fazer um filme que vá contra os padrões da mainstream e que seja aclamado por todas as personalidades Cult que deambulam pelo mundo fora, porque não fazê-lo sobre a sua própria vida? Rsrsrs, este é mais um daqueles momentos para descomprimir e rirmos um pouco, sem demonstrar nada contra a cultura Indie, afinal, todos somos um pouquinho Indies também (afinal, vai me dizer que nunca demonstrou aquele arzinho Blasé é nenhuma fase da sua vida?). Aqui estão alguns dos pré-requisitos que a sua vida deve ter para se tornar um filme Indie (o texto em baixo foi tirado de uma comunidade do Orkut):
Se a sua vida, por mais óbvia que seja, passa a impressão de que é profunda ou extremamente complexa...
Se você odeia dar satisfações sobre o que é difícil de entender na sua vida, até porque, você ainda não se deu ao trabalho de entendê-la muito bem...
Se acha que só lhe darão o devido valor quando você sumir ou morrer...
Se possui alguma crise existencial interessante... às vezes, um ar depressivo, um olhar blasé, arrogante e perdido, de quem comeu e não gostou.
Se tudo o que você faz, por mais esquisito que seja, é sempre encarado como “proposta”...
Parabéns! Sua vida é um filme Indie =P

Amanha: a galerinha do Hip Hop

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

O mundo inteiro virou Emo?

Começamos bem… justamente com os Emos, provavelmente eles são a tribo que mais movimento de contestação criou. Por esse Orkut fora predominam comunidades anti-emo baseadas no preconceito de que os Emos são gays, lésbicas e a vergonha do movimento punk. Porém, enquanto habitantes do Admirável Mundo Moderno devemos primeiro conhecer determinada cultura antes de a julgar, somente por causa do “diz que disse”. E após lerem o que andei pesquisando sobre a cultura Emo vamos chegar à seguinte conclusão: todos já tivemos um momento Emo na nossa adolescência.

Espécie: Emo

Origem do nome: Provem da abreviação da palavra inglesa emotional, inicialmente usado para designar bandas do estilo punk de Washinton DC que compunham num lirismo mais emotivo do que habitual. Começou por ser um estilo musical mas agora tornou-se em mais uma das Tribos de Adolescentes que deambulam por este Admirável Mundo Moderno.

O seu lugar na história: Situam-se no começo da década de 80 nos Estados Unidos. As suas origens estilísticas são o Hardcore Punk, o Punk Rock. Embora pertencam ao movimento punk, os emos são frequentemente odiados por punks puristas, por ser muito exposto na televisão. Como isto se tornou moda, muitos falsos punks são atraidos para o estilo.

Aparência: «Devolvam as nossas coisas, emos?» É o que apregoam as pessoas “comuns”. Antigamente usar gravata era alternativo, agora virou estilo Emo. Mas como são então os Emos? Bom, se você se cruzar com alguém que possua estas características existe 99,9% de probabilidades de ela ser Emo:

  • Franja comprida jogada para um lado do rosto tapando um dos olhos. As meninas podem sempre usar uma bandulete para realçar a franja;

  • O cinto preto com quadrados metálicos;

  • A mochila ou outra mala deve ter pins… ninguém sabe bem porquê mas é Emo;

  • Maquilhagem preta nos olhos (isto é válido para homens e mulheres, talvez daí se diga que os garotos Emos são gays. Ora essa, mas os Kiss faziam muito mais do que besuntar os olhos com lápis preto, eles enchiam a cara de pintura e vejam lá se alguém diz alguma coisa? Bah!) e as unhas pintadas de preto (sim, os rapazes também).

  • Piercing no lábio inferior (claro que isto é facultativo. Alguém pode ser Emo e não ter o piercing, até porque são ainda raros os pais que deixam os filhos aparecer esburacados em casa).

  • O seu vestuário é predominantemente de cor preta pois para eles é uma cor que simboliza a profundidade, no entanto esta pode também ser branca e vermelha, podendo estas estar combinadas em xadrez ou em linha.

  • Os ténis All Star ou Mad Rats (ok, talvez eu seja um pouco Emo porque eu adoro os meus ténis Mad Rats) e as Vans estilo pantufa.

  • Vários acessórios de multi-cores, como as munhequeiras, pulseiras ou colares.

Ideologia: Os Emos defendem o amor, a liberdade, a liberdade de expressão e como é que eles fazem isso? Fazendo como o Presidente Americano e pegando em armas e bombardeando algum país da Ásia cujo nome sequer sabem pronunciar? (Desculpem, mas como adorei essa frase do Michael More tive que a colocar aqui xD) Não, nada disso! Através da expressão facial! Sim, isso mesmo, os Emos usam quase sempre aquela expressão de tristeza como se tivesse acabado de anunciar que iam terminar com aquele seriado que todos adoram (tipo o Chaves =D). Talvez por isso se associe quase tudo que é lamechas e deprimente aos Emos. O que é Falacioso! Não pense que de cada vez que você ri o Emo chora. Como o próprio nome indica, os Emos procuram sempre o lado emocional das coisas. Podem por vezes até ter aquela crise típica da adolescência de achar que tudo está errado, de ficar triste com tudo, mas o que os caracteriza é essa busca pelo que de mais emotivo há dentro de nós (O que há de errado com isso? É bem melhor do que andar batendo nos outros).

Comportamento característico: Bom, os nossos queridos amiguinhos emotivos adoram tirar fotos, principalmente como as que eu enumero na lista em baixo (conclusão que podemos tirar? Todos temos uma foto emo):
Fotos de cima para baixo;
Fotos a preto e branco;
Foto com o boné ou a franja encobrindo o rosto total ou parcialmente;
Fotos com cara de assustado ou triste;
Fotos fazendo biquinho ou com um pirolito ou fazendo uma bolinha com a pastilha elástica;
Fotos de partes do corpo ou dos ténis;
Fotos em frente do espelho e a câmera aparecendo;
Fotos com o rosto em primeiro plano;
Fotos olhando para o nada ou para cima;
Fotos com o “pé torto” em segundo plano;


Atitude: Dizem que é chorar por quase todos os motivos aparentes, desde o facto do ser azul até à morte da prima da irmã da cunhada da tia deles. Falacioso outra vez. Por ouvirem um tom de musica sentimental e emotivo. Costuma dizer-se que uma pessoa está sendo Emo quando demonstra sensibilidade (Ok, eu confesso, as vezes sou Emo, mas que mal há nisso? Todos temos as emoções à flor da pele quando somos adolescentes. Lá porque os garotos Emos tem as emoções mais acentuadas do que os outros não devem ser apelidados de homossexuais, é até de se louvar).

O que os Emos ouvem: Bandas como Blink 182, Simple Plan, Fall Out Boy, Good Charlote, My Chemical Romance, Panic! At The Disco, 30 Seconds to Mars, Green Day, entre outras. Estas bandas normalmente têm letras de fácil compreensão onde os temas centrais são o amor (e claro, são muito sentimentais) e embora por vezes o vocalista se pareça com uma menina cantando (rsrsrs) a base são instrumentos como o de uma banda rock.

O primeiro grande Emo da História, segundo os especialistas do Orkut (isto visa somente fazer rir e não denegrir a imagem desta Tribo):
Para descomprimir, trouxe aqui a análise feita pelos especialistas do Orkut. Baseando-se na História de um grande ícone contemporâneo e a noção que eles têm da ideologia Emo, chegaram à conclusão que Adolf Hitler foi o primeiro grande Emo da História da Humanidade. Isto porque:
Tinha a franjinha!
Era “revoltado” e odiava todo o mundo…
Só tirava fotos de perfil;
Queria a todo o custo chamar a atenção de todo o mundo;
Adorava gritar;
Achava-se um máximo!
Gostava de fazer cara de mau;
Era gay mas nunca se assumiu (Atenção, não existem provas que comprovem que o Hitler era gay nem que os Emos o seja. Aqui podemos somente constatar o bom de preconceito a funcionar).

Amanha: Indie's (não confundir com Indie Anna Jones xD)

domingo, 16 de dezembro de 2007

A Semana das Tribos Adolescentes



Por entre as minhas inúmeras divagações lembrei-me da seguinte ideia: escrever sobre algo que este sempre diante dos meus olhos. Decidi escrever sobre as diferentes sub culturas adolescentes que perambulam por este Admirável Mundo Novo. Após inúmeras pesquisas como não pode deixar de faltar para a realização de um bom trabalho, trago-vos agora durante o decorrer da próxima semana algumas das Tribos Adolescentes, digo algumas porque não irei colocar todas pelo simples motivo de que são tantas que tal se iria tornar enfadonho. Quem sabe se esta semana tiver sucesso talvez eu pense em fazer uma II Semana das Tribos Adolescentes xD.


Mas e o que é isso das tais tribos? Bom, enquanto adolescentes todos sentimos necessidade de sair de debaixo da asa dos pais e estabelecer laços de amizade com outros adolescentezinhos, essa relação irá basear-se em sentimentos e interesses em comum que possuimos com as outras pessoas. Por detrás dos grupos adolescentes está uma ideologia, uma forma de esta e de encarar o mundo, o que levará o adolescente a construir a sua imagem e personalidade.


Durante esa semana irei vos falar dos:
  • Emos

  • Indies

  • From UK

  • A galera do Hip Hop

  • Grunges

  • Punks

  • Patricinhas e Playboys

  • Nerds

Por vezes rondam a volta destas mesmas tribos estereótipos que levam a uma discriminação por parte de membros de outra tribo. No entanto, não há que negar que cada uma destas culturas tem traços que as distinguem dos outros e talvez por isso seja divertido analisar estas mesmas tribos tendo como base as nossas vivências de adolescência.

Declaro portanto inaugurada a Semana das Tribos Adolescentes!

Sentem-se confortavelmente em frente do computador e desfrutem.


Amanhã: Emos (será que enquanto você ri o Emo chora?)



sábado, 15 de dezembro de 2007

Manifesto Anti-Esteriótipos




Por motivos de força maior ontem não pude postar nada aqui, então hoje decidi escrever sobre estereótipos, uma das doenças talvez mais comuns e mais antigas deste Admirável Mundo Moderno. O presente texto que encontrei num Hi5 (uma espécie de Orkut) de uma conhecida minha consite em alguns dos Esteriótipos já enraizados dentro da sociedade. Estejam descansados porque este texto não é nenhuma espécie de carta corrente que se você não enviar para 11 pessoas no prazo de 11 minutos irá aparecer algum malfeitor com um cutelo para lhe decepar a cabeça. Boa leitura ;). (Obs: o texto estava em inglês, tive que traduzi-lo).

“Eu sou Emo, logo eu DEVO cortar os meus pulsos”; “ Eu sou negro, logo eu DEVO ter uma arma”; “Eu sou japonês, logo eu DEVO ser inteligente”; “Eu não sou como as outras pessoas, logo eu DEVO ser um falhado”; “ Eu sou Gay, logo eu DEVO ter AIDS (ou SIDA)” “Eu sou Lésbica, logo eu DEVO ter gravado um filme pornográfico”; “Eu sou muçulmano, logo eu DEVO ser terrorista”; “Eu digo o que penso, logo eu DEVO ser uma cabra”; “Eu estou acima do peso, logo eu DEVO ter um problema de personalidade”; “Eu sou mãe adolescente, logo eu DEVO ser uma irresponsável”; “Eu sou ateu, logo eu DEVO odiar o mundo”; “Eu não tenho religião, logo eu NÂO tenho valores morais”; “Eu sou de direita, logo eu NÂO me preocupo com os pobres”; “Eu sou de esquerda, logo eu NÂO sou uma pessoa responsável”; “Eu sou Liberal, logo eu DEVO ser gay”; “Eu tomo anti-depressivos, logo eu DEVO ter algum problema mental”; “Eu sou Irlandês, logo eu DEVO ter um sério problema com a bebida”; “Eu sou Indiano, logo eu DEVO ter uma loja de conveniências”; “Eu sou Punk, logo eu DEVO andar na droga”; “Eu sou jovem, logo eu DEVO ser ingénuo”; “Eu uso roupas pretas, logo eu DEVO ser gótica”; “Eu sou loira, logo eu DEVO ser burra”; “Eu sou Cubano, logo eu DEVO passar o meu tempo enrolando charutos”; “Eu não sou virgem, logo eu DEVO ser fácil”; “Eu sou bonita, logo eu NÂO sou virgem”; "Eu saio com pessoas que bebem e fumam, logo eu DEVO beber e furmar também"; "Eu tenho um talento artístico, logo eu DEVO pensar que todos os que não têm são mundanos"; “Eu só tenho notas boas, logo eu NÂO tenho vida social”; “Eu pintei o meu cabelo com cores excêntricas, logo eu DEVO estar à procura de atenção”; “Eu visto roupas excêntricas, logo eu DEVO estar à procura de atenção”; “Eu sou vegetariano, logo eu DEVO ser algum activista político”; “Eu tenho muitos amigos rapazes, logo eu DEVO estar indo para a cama com todos eles”; “Eu tenho muitas amigas meninas, logo eu DEVO ser gay”; “Eu tenho grandes seios, logo eu DEVO ser uma puta”; “Eu sou Colombiano, logo eu DEVO ser traficante de droga”; “Eu sou Alemão, logo eu DEVO ser Nazi”; “Eu tenho amigos gays, logo eu DEVO ser gay também”; “Eu sou Brasileira, logo eu DEVO ter uma bunda grande”; “Eu sou bissexual, logo eu DEVO achar atraente todas as pessoas que vejo”; “Eu não gosto de sol, logo eu DEVO ser albino”; “Eu tenho muitos amigos, logo eu DEVO gostar de festas e de beber”; “Eu não seria capaz de fazer mal a uma mosca, logo eu DEVO ser maricas (ou bixinha)”; “Eu ando num colégio privado, logo eu DEVO ser um rico snobe”; “Eu sou católica, logo eu DEVO odiar homossexuais”; “Eu não gosto de estar em grupos grandes, logo eu DEVO ser anti-social”; “Eu participo em competições desportivas, logo eu DEVO achar que sou melhor que toda a gente”; “Eu assisto filmes pornográficos, logo eu DEVO ser pervertido”; “Eu não tenho namorado, logo eu DEVO ser lésbica”; “Eu não sou uma pessoa religiosa, logo eu DEVO ser uma má pessoa”; “Eu tenho um gato, logo eu DEVO odiar cães”; “Eu não gosto de usar sapatos, logo eu DEVO ser Hippie”…

Se você odeia estereótipos e acha que as pessoas deviam de estar caladas em vez de julgar os outros pelo que são, então faça com o maior número de pessoas leia este texto (Não, você não terá uma morte dolorosa no prazo de uma semana, mas talvez perca a oportunidade de abrir a mente de mais alguém).

“Quando perdemos o direito de ser diferentes, perdemos o privilégio de ser livres”.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Futilidade Mata?

Após a consulta a umas comunidades do Orkut eu cheguei à seguinte conclusão: “No Orkut tem mesmo de tudo”. A comunidade em questão se denomina de: “Não fique triste, fique rica!”. Pelo nome já podemos ter uma vaga ideia do que a comunidade defende. Segundo o criador de “Não fique triste, fique rica!”, existem coisas mais importantes do que a evolução espiritual e intelectual, tudo isso é uma perda de tempo… o que pode ser mais importante do aquela roupa, aquele celular com câmera integrada, a actualizado do seu site de fofocas predilecto. Portanto caros leitores, esqueçam o aquecimento global, a guerra do Iraque, as epidemias em África, o mais importante é posar com roupa da Dior, passear num Mercedes descapotável enquanto o vento nos fustiga o cabelo com o corte à lá ultima tendência e o sol reluz nas lentes dos óculos D&G. Aqui está o que mais vigora no Admirável Mundo Moderno: as aparências. É uma espécie de neo-burguesismo ao estilo Bélle Epoque, onde mais do que ser é preciso aparecer. Daí, em princípio, se justifique que famílias se afundem em dívidas de cartões de crédito porque têm de manter uma casa de férias no Algarve para mostrar ao Joãozinho lá da firma e para ele ficar com inveja; é por isso que muitas pessoas mandam vir carros da Alemanha que ainda não existem em Portugal: lá estes são mais baratos; e por isso que muitas vezes jovens de bairros sociais se sentem excluídos do seu grupo de coleguinhas lá da escola: afinal não tem aquele relógio que diz as horas, é a prova de água e ainda registra o movimento de rotação dos planetas. E por aí fora, podia usar uns inúmeros exemplos mas posso somente contestá-los com a seguinte frase pronunciada pelo meu professor de História: «não há nada mais falso do que aquilo que se vê».
Retomando ao assunto central deste post, há que definir o que é a futilidade. Não vou começar com as raízes da palavra, dizendo que ela advém do latim e do grego rsrsrs. Existem uma relação entre futilidade e inutilidade, logo o útil e o fútil são opostos e não se atraem. Aqueles que se dedicam a coisas inúteis de forma excessiva são, portanto, pessoas fúteis, isto é, pessoas superficiais. Estas pessoas vivem para os quinze minutos de fama, não se preocupam se o sapato é bom ou não, apenas que foi usado pela Paris Hilton na última entrega dos prémios MTV e por aí fora.

No entanto, nesta relação entre o fútil e o inútil não podemos cair na tentação de julgar alguém porque o que é útil e importante para nós pode não o ser para outra pessoa. Para uma pessoa o importante pode ser passar horas e horas no Shoping tentando ter um guarda-roupa igual ao da Britney Spears, e o fútil é passar horas debruçado sobre um livro chamado “Psicopatologia da Vida Quotidiana” de um autorzeco chamado Freud (ups, melhor usar outro exemplo, afinal Freud está sempre na moda =D). Não somos nós bombardeados com a ideia de que o ser humano está na terra em constante busca da felicidade plena? Então, para essas pessoas a felicidade possa ser isso ;).

Todavia, a futilidade não se cinge a essa coisa do inútil, ela é muito mais do que isso. É algo que acima de tudo é perpetuado pelos medias. Essas fábricas de fazer marionetes alienadas em massa que criam um mundo de fantasia onde as celebridades são veneradas como deuses, fazendo com que as pessoas “comuns” se sintam inferiores por não terem o corpo da Angelina Jolie e da Pamela Anderson. A mesma media que lança programas como Big Brother, que publica revistas como a “Caras”, a media que apostas nas fofocas dos famosos como se elas interessassem para alguma coisa. Pelos vistos interessam e é talvez aí que resida a futilidade: no facto de haverem pessoas que passam horas e horas comentando aquele artigo sobre o fim-de-semana escaldante da Victoria e do David Beckham em Saint. Tropez ou aquela foto da primeira página do jornal sensacionalista que mostra a Madona sem a depilação feita nas axilas. Aqui em Portugal existe um programa chamado “Contacto” onde há um quadro que reúne alguns dos ícones do jetset e pseudo-entendidos que se divertem a comentar artigos das revistas cor-de-rosa, servindo-se de preconceitos sociais para julgar os outros como se tivessem esse direito.

Talvez seja só eu que acho isto, mas no mínimo isto é fútil e tendencioso, mas fazer o que se é o que as pessoas do Admirável Mundo Moderno gostam?Enquanto houver quem alimente a perversão alienatória dos medias eles não se irão cansar de poluir sua mente…

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Amo-te Para Sempre Até Amanhã



Certo dia estava eu deambulando por esse novo ópio do povo que é o Orkut quando me deparei com a seguinte comunidade: “Amor banalizado”. Curiosamente entrei e comecei a ler os tópicos da conversa. Achei o tema interessante e ideal para postar aqui nesta minha nova morada cibernáutica. O que melhor pode definir a sociedade materialista e individualista que habita este admirável mundo moderno do que a vulgarização do amor?

Poderia debruçar-me horas a fio sobre a temática do amor, exaltar aquele friozinho que este sentimento causa na nossa boca do estômago, poderia relembrar o como este mesmo sentimento faz o nosso coração bater contra as nossas costelas como um tambor da selva, poderia até reviver a ânsia, o formigueiro que toma conta de nós quando olhamos para aquela pessoa especial, mas não… não o vou fazer porque milhares de filósofos, escritores, poetas, e todos esses artífices do conhecimento estiveram durante anos a trabalhar nesta temática, dando a este nobre sentimento os significados mais macabros e lamechas (e confessem, quem é que não está saturado de ler e analisar poemas que os poetas numa centrifugação de sentimentos declamavam as suas amadas).

Até aqui os prezados leitores pensam que eu andei a volta da questão do amor e acabei por não dizer nada, limitei-me somente a exacerbar um leque considerável de palavras requintadas, mas calminha. Se andássemos por ai por essas ruas fora numa espécie de entrevista a indagar as pessoas sobre a temática do amor banalizado, muitas responderiam que “Ah, são aquelas pessoas que falam «eu te amo» sem realmente sentirem isso”. Sim, esse é um, digamos que, sintoma do amor banalizado: a vulgarização do verbo amar, o uso desta sublime palavra como se de um bom dia se tratasse (será pertinente comparar o “eu te amo” com um “bom dia”? Bem a julgar pela quantidade de pessoas bem educadas com quem nos esbarramos no dia-a-dia talvez o amor não seja tão banalizado assim, rsrsrsrs).

O amar é muito mais do que dizer um “bom-dia” para alguém… eu acho, na minha opinião, que as pessoas tendem a confundir a paixão com o amor, o que vulgarmente acontece quando somos adolescentes, mas que será justificável quando já somos mais velhos? Enquanto jovens, por entre aquele calor da relação, a miscelânea de sentimentos e de situações faz com que a gente diga «Morzão, eu te amo»… mesmo que esteja-mos namorando por somente 3 meses, 3 semanas, sei lá, talvez até 3 horas, dependendo da pessoa rsrsr. Você pode olhar para uma situação assim e pensar «ah, que bobocas, ainda são tão novos, não sabem o que isso é… ainda tem muito pela frente». Mas e se for já um individuo de meia-idade fazendo isso, qual a justificação? Bom, poderíamos responsabilizar as novelas em que os personagens se conhecem, depois dá o intervalo, quando a novela volta já transaram, depois dá o intervalo seguinte e quando volta já estão fazendo juras de amor. Caramba, será que as pessoas seguem assim tão a regra o que vêem na novela?

Na verdade, para pensarmos o quão ridículas estas pessoas podem ser quando pensam que amam para sempre a pessoa que só tem do seu lado à tão pouco tempo, basta termos como alicerce a nossa própria noção de amor. É a partir dessa noção, daquilo que achamos o que é, que iremos criticar o facto de se usar o verbo «amar» como quem usa papel higiénico para limpar a bunda. O amor é algo profundo, para já, não é algo que precisa de ser segredado ao ouvido do parceiro após uma noite escaldante de sexo… é algo que é demonstrado de forma espontânea. Desafio o(a) prezado(a) leitor(a) a se relembrar do momento em que disse ao seu (sua) companheiro(a) que o(a) amava. Aposto que olhou profundamente para os olhos dessa pessoa, quase como se lhe conseguisse ler a alma, inspirou como se do seu último fôlego se tratasse, sentiu um ligeiro tremor e por fim declamou aquelas palavras… Foi quase tão romântico como uma daquelas histórias que ansiamos por viver, correcto?

Penso que o ponto central de todo este tema está enraizado na sociedade actual que tem vindo a fomentar o «ficar», com as novelas, filmes, romances; com a confusão de sentimentos; por vezes até mesmo com o intuito de segurar alguém; e claro com a confusão do português, a troca do “gosto” pelo “ai, eu amo seu cabelo”. Assim se perpetua toda a banalização deste sentimento que os grandes pensadores defendiam como o mais nobre de todos. A própria sociedade que ao mesmo tempo incentiva ao sexo casual sem compromisso, também o descrimina através de uma hipocrisia puritana, exerce uma certa pressão sobre os indivíduos no sentido de que isso é errado, tem que haver amor e bla bla bla, talvez por isso se minta tanto em relação ao amor, é uma desculpa para o sexo sem sentimento, uma forma de se esconder sobre o medo que existe de se ser recriminado por esta sociedade que só contribui para tornar o amor em algo mais burocrático que a distribuição das finanças.

É caso para dizer, é tudo culpa dessa sociedade que habita este admirável mundo moderno...

domingo, 23 de setembro de 2007

A Minha Carta de Compromissos


Caros leitores,

Saudações! Este é, como já devem ter reparado, o meu primeiro post neste novo blog, e porque não começar, por defenir aquilo que pretendo com o meu blog?

Bom, para começar, comecei este blog por necessidade de divulgar os meus textos, no entanto, embora não possua poderes de clarividência, posso prever que não irei ter muitas visitas, mas nada melhor do que a satisfação pessoal, e essa é, provavelmente, a razão principal que escrevo este neste blog.

Acho que todos temos de concordar que a melhor época da nossa vida é a adolescência. Os adolescentes acabam por constituir um grupo distinto do resto da sociedade pois acabam formando diversas subculturas dentro da cultura de um determinado país. Sera esse o principal tema do meu blog! A ADOLESCENCIA!

Irei relatar as novas tendências; as subculturas e temas que vigoram nesse Admiravel Mundo Moderno em que estamos actualmente vivendo.

Desde já espero que desfrutem do blog ;)

Os meus mais sinceros cumprimentos,

Camilla Boyle