Certo dia estava eu deambulando por esse novo ópio do povo que é o Orkut quando me deparei com a seguinte comunidade: “Amor banalizado”. Curiosamente entrei e comecei a ler os tópicos da conversa. Achei o tema interessante e ideal para postar aqui nesta minha nova morada cibernáutica. O que melhor pode definir a sociedade materialista e individualista que habita este admirável mundo moderno do que a vulgarização do amor? Poderia debruçar-me horas a fio sobre a temática do amor, exaltar aquele friozinho que este sentimento causa na nossa boca do estômago, poderia relembrar o como este mesmo sentimento faz o nosso coração bater contra as nossas costelas como um tambor da selva, poderia até reviver a ânsia, o formigueiro que toma conta de nós quando olhamos para aquela pessoa especial, mas não… não o vou fazer porque milhares de filósofos, escritores, poetas, e todos esses artífices do conhecimento estiveram durante anos a trabalhar nesta temática, dando a este nobre sentimento os significados mais macabros e lamechas (e confessem, quem é que não está saturado de ler e analisar poemas que os poetas numa centrifugação de sentimentos declamavam as suas amadas).
Até aqui os prezados leitores pensam que eu andei a volta da questão do amor e acabei por não dizer nada, limitei-me somente a exacerbar um leque considerável de palavras requintadas, mas calminha. Se andássemos por ai por essas ruas fora numa espécie de entrevista a indagar as pessoas sobre a temática do amor banalizado, muitas responderiam que “Ah, são aquelas pessoas que falam «eu te amo» sem realmente sentirem isso”. Sim, esse é um, digamos que, sintoma do amor banalizado: a vulgarização do verbo amar, o uso desta sublime palavra como se de um bom dia se tratasse (será pertinente comparar o “eu te amo” com um “bom dia”? Bem a julgar pela quantidade de pessoas bem educadas com quem nos esbarramos no dia-a-dia talvez o amor não seja tão banalizado assim, rsrsrsrs).
O amar é muito mais do que dizer um “bom-dia” para alguém… eu acho, na minha opinião, que as pessoas tendem a confundir a paixão com o amor, o que vulgarmente acontece quando somos adolescentes, mas que será justificável quando já somos mais velhos? Enquanto jovens, por entre aquele calor da relação, a miscelânea de sentimentos e de situações faz com que a gente diga «Morzão, eu te amo»… mesmo que esteja-mos namorando por somente 3 meses, 3 semanas, sei lá, talvez até 3 horas, dependendo da pessoa rsrsr. Você pode olhar para uma situação assim e pensar «ah, que bobocas, ainda são tão novos, não sabem o que isso é… ainda tem muito pela frente». Mas e se for já um individuo de meia-idade fazendo isso, qual a justificação? Bom, poderíamos responsabilizar as novelas em que os personagens se conhecem, depois dá o intervalo, quando a novela volta já transaram, depois dá o intervalo seguinte e quando volta já estão fazendo juras de amor. Caramba, será que as pessoas seguem assim tão a regra o que vêem na novela?
Na verdade, para pensarmos o quão ridículas estas pessoas podem ser quando pensam que amam para sempre a pessoa que só tem do seu lado à tão pouco tempo, basta termos como alicerce a nossa própria noção de amor. É a partir dessa noção, daquilo que achamos o que é, que iremos criticar o facto de se usar o verbo «amar» como quem usa papel higiénico para limpar a bunda. O amor é algo profundo, para já, não é algo que precisa de ser segredado ao ouvido do parceiro após uma noite escaldante de sexo… é algo que é demonstrado de forma espontânea. Desafio o(a) prezado(a) leitor(a) a se relembrar do momento em que disse ao seu (sua) companheiro(a) que o(a) amava. Aposto que olhou profundamente para os olhos dessa pessoa, quase como se lhe conseguisse ler a alma, inspirou como se do seu último fôlego se tratasse, sentiu um ligeiro tremor e por fim declamou aquelas palavras… Foi quase tão romântico como uma daquelas histórias que ansiamos por viver, correcto?
Penso que o ponto central de todo este tema está enraizado na sociedade actual que tem vindo a fomentar o «ficar», com as novelas, filmes, romances; com a confusão de sentimentos; por vezes até mesmo com o intuito de segurar alguém; e claro com a confusão do português, a troca do “gosto” pelo “ai, eu amo seu cabelo”. Assim se perpetua toda a banalização deste sentimento que os grandes pensadores defendiam como o mais nobre de todos. A própria sociedade que ao mesmo tempo incentiva ao sexo casual sem compromisso, também o descrimina através de uma hipocrisia puritana, exerce uma certa pressão sobre os indivíduos no sentido de que isso é errado, tem que haver amor e bla bla bla, talvez por isso se minta tanto em relação ao amor, é uma desculpa para o sexo sem sentimento, uma forma de se esconder sobre o medo que existe de se ser recriminado por esta sociedade que só contribui para tornar o amor em algo mais burocrático que a distribuição das finanças.
Na verdade, para pensarmos o quão ridículas estas pessoas podem ser quando pensam que amam para sempre a pessoa que só tem do seu lado à tão pouco tempo, basta termos como alicerce a nossa própria noção de amor. É a partir dessa noção, daquilo que achamos o que é, que iremos criticar o facto de se usar o verbo «amar» como quem usa papel higiénico para limpar a bunda. O amor é algo profundo, para já, não é algo que precisa de ser segredado ao ouvido do parceiro após uma noite escaldante de sexo… é algo que é demonstrado de forma espontânea. Desafio o(a) prezado(a) leitor(a) a se relembrar do momento em que disse ao seu (sua) companheiro(a) que o(a) amava. Aposto que olhou profundamente para os olhos dessa pessoa, quase como se lhe conseguisse ler a alma, inspirou como se do seu último fôlego se tratasse, sentiu um ligeiro tremor e por fim declamou aquelas palavras… Foi quase tão romântico como uma daquelas histórias que ansiamos por viver, correcto?
Penso que o ponto central de todo este tema está enraizado na sociedade actual que tem vindo a fomentar o «ficar», com as novelas, filmes, romances; com a confusão de sentimentos; por vezes até mesmo com o intuito de segurar alguém; e claro com a confusão do português, a troca do “gosto” pelo “ai, eu amo seu cabelo”. Assim se perpetua toda a banalização deste sentimento que os grandes pensadores defendiam como o mais nobre de todos. A própria sociedade que ao mesmo tempo incentiva ao sexo casual sem compromisso, também o descrimina através de uma hipocrisia puritana, exerce uma certa pressão sobre os indivíduos no sentido de que isso é errado, tem que haver amor e bla bla bla, talvez por isso se minta tanto em relação ao amor, é uma desculpa para o sexo sem sentimento, uma forma de se esconder sobre o medo que existe de se ser recriminado por esta sociedade que só contribui para tornar o amor em algo mais burocrático que a distribuição das finanças.
É caso para dizer, é tudo culpa dessa sociedade que habita este admirável mundo moderno...


2 comentários:
Agora, me responda você: amor é eterno, enquanto dure, ou ele é eterno, simplesmente?
Beijinhos!
muito bem rapariga... continua assim com as tuas inspiraçoes ;) kiss
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