Após a consulta a umas comunidades do Orkut eu cheguei à seguinte conclusão: “No Orkut tem mesmo de tudo”. A comunidade em questão se denomina de: “Não fique triste, fique rica!”. Pelo nome já podemos ter uma vaga ideia do que a comunidade defende. Segundo o criador de “Não fique triste, fique rica!”, existem coisas mais importantes do que a evolução espiritual e intelectual, tudo isso é uma perda de tempo… o que pode ser mais importante do aquela roupa, aquele celular com câmera integrada, a actualizado do seu site de fofocas predilecto. Portanto caros leitores, esqueçam o aquecimento global, a guerra do Iraque, as epidemias em África, o mais importante é posar com roupa da Dior, passear num Mercedes descapotável enquanto o vento nos fustiga o cabelo com o corte à lá ultima tendência e o sol reluz nas lentes dos óculos D&G. Aqui está o que mais vigora no Admirável Mundo Moderno: as aparências. É uma espécie de neo-burguesismo ao estilo Bélle Epoque, onde mais do que ser é preciso aparecer. Daí, em princípio, se justifique que famílias se afundem em dívidas de cartões de crédito porque têm de manter uma casa de férias no Algarve para mostrar ao Joãozinho lá da firma e para ele ficar com inveja; é por isso que muitas pessoas mandam vir carros da Alemanha que ainda não existem em Portugal: lá estes são mais baratos; e por isso que muitas vezes jovens de bairros sociais se sentem excluídos do seu grupo de coleguinhas lá da escola: afinal não tem aquele relógio que diz as horas, é a prova de água e ainda registra o movimento de rotação dos planetas. E por aí fora, podia usar uns inúmeros exemplos mas posso somente contestá-los com a seguinte frase pronunciada pelo meu professor de História: «não há nada mais falso do que aquilo que se vê».Retomando ao assunto central deste post, há que definir o que é a futilidade. Não vou começar com as raízes da palavra, dizendo que ela advém do latim e do grego rsrsrs. Existem uma relação entre futilidade e inutilidade, logo o útil e o fútil são opostos e não se atraem. Aqueles que se dedicam a coisas inúteis de forma excessiva são, portanto, pessoas fúteis, isto é, pessoas superficiais. Estas pessoas vivem para os quinze minutos de fama, não se preocupam se o sapato é bom ou não, apenas que foi usado pela Paris Hilton na última entrega dos prémios MTV e por aí fora.
No entanto, nesta relação entre o fútil e o inútil não podemos cair na tentação de julgar alguém porque o que é útil e importante para nós pode não o ser para outra pessoa. Para uma pessoa o importante pode ser passar horas e horas no Shoping tentando ter um guarda-roupa igual ao da Britney Spears, e o fútil é passar horas debruçado sobre um livro chamado “Psicopatologia da Vida Quotidiana” de um autorzeco chamado Freud (ups, melhor usar outro exemplo, afinal Freud está sempre na moda =D). Não somos nós bombardeados com a ideia de que o ser humano está na terra em constante busca da felicidade plena? Então, para essas pessoas a felicidade possa ser isso ;).
Todavia, a futilidade não se cinge a essa coisa do inútil, ela é muito mais do que isso. É algo que acima de tudo é perpetuado pelos medias. Essas fábricas de fazer marionetes alienadas em massa que criam um mundo de fantasia onde as celebridades são veneradas como deuses, fazendo com que as pessoas “comuns” se sintam inferiores por não terem o corpo da Angelina Jolie e da Pamela Anderson. A mesma media que lança programas como Big Brother, que publica revistas como a “Caras”, a media que apostas nas fofocas dos famosos como se elas interessassem para alguma coisa. Pelos vistos interessam e é talvez aí que resida a futilidade: no facto de haverem pessoas que passam horas e horas comentando aquele artigo sobre o fim-de-semana escaldante da Victoria e do David Beckham em Saint. Tropez ou aquela foto da primeira página do jornal sensacionalista que mostra a Madona sem a depilação feita nas axilas. Aqui em Portugal existe um programa chamado “Contacto” onde há um quadro que reúne alguns dos ícones do jetset e pseudo-entendidos que se divertem a comentar artigos das revistas cor-de-rosa, servindo-se de preconceitos sociais para julgar os outros como se tivessem esse direito.
Talvez seja só eu que acho isto, mas no mínimo isto é fútil e tendencioso, mas fazer o que se é o que as pessoas do Admirável Mundo Moderno gostam?Enquanto houver quem alimente a perversão alienatória dos medias eles não se irão cansar de poluir sua mente…


2 comentários:
Acabo de desistir de ir ao shopping para comprar roupas... rsrsss
Mas, a verdade é que existe uma fase da vida em que as aparências tende a ser muito importante para se sentir aceito pelo grupo. Quer o grupo seja de maltrapilhos, quer seja de "dondocas". O caso que você comentou são das dondocas...
E não jogue Freud fora! Ele ainda é uma referência de alguma coisa! Até para o seu comentário1 rsrsssss
Camila, deixe o endereço do seu blog no meu.
Enviar um comentário