
Depois do meu longo retiro espiritual/intelectual em que estive trabalhando num projecto que há muito tenho pensado e no qual conclui o livro que estava escrevendo, retornei novamente à blogsfera, esperando também que ainda se lembrem de mim e agradecendo como sempre pelo carinho de todos vocês.
O tema de hoje é actual e foi tratado no livro que escrevi: o individualismo. Já estamos, provavelmente, mais do que saturados de ouvir este vocábulo empregue em discursos evasivos e subversivos à política déspota, neoliberal e globalizada que se faz sentir por todo o mundo. Mas afinal o que é o individualismo?
Segundo a Wikipédia (e eu às vezes até tenho medo de tirar informação daqui porque tem sempre algum terrorista que comete algum atentado intelectual a determinado artigo), o individualismo é “um conceito político, moral e social que exprime a afirmação e liberdade do indivíduo frente a um grupo, especialmente à sociedade e ao Estado. Usualmente toma-se por base a liberdade no que concerte a propriedade privada e à limitação do poder do Estado. O individualismo em si, opõe-se a toda a forma de autoridade ou controle sobre os indivíduos e coloca-se como antítese do colectivismo”.
Sim, tem os seus lados maus porque esta total liberdade do indivíduo leva a que milhares de pessoas vivam em péssimas condições de vida para que outros possam andar em carros de luxo e tudo mais. Mas não é disso que vou falar hoje… deixemos de lado a propriedade privada, o colectivismo e tantos outros conceitos tipicamente marxista e vamos falar de outras coisas.
Hoje em dia diz-se que as pessoas vivem centradas em si mesmas, são egoístas, são individualistas. Se for assim, bem então confesso que também sou individualista (odeiem-me se quiserem!). Numa das minhas conversas com a minha tia, ela disse-me: «não há nada que possas fazer, o ser humano é individualista por natureza. Por mais que queira ajudar os outros, a partir do momento em que começa a faltar para si, esquece o altruísmo». Verdade ou mentira que não é assim? Podemos muito bem ajudar os outros, mas quando vemos que isso que isso nos prejudica a nós, fechamos logo a torneira. E porquê que isso é tão criticado? Porque vivemos num mundo onde é errado querermos o melhor para nós mesmos, porque isso é considerado egoísta. Quem é que vai ser hipócrita ao ponto de dizer que não quer o melhor para si? Acho que, pessoalmente, não há nada de mal com isso. O problema é que muitas vezes, nessa de querermos o melhor para nós, acabamos prejudicando os outros. Lá está a velha historia do «a minha liberdade começa onde a tua acaba». Olhe para a sala em que está, provavelmente bem equipada, com televisão, electricidade, computador com Internet e por aí a fora… já passou vos pela cabeça que nós, aqui no mundo ocidental (em muitas partes do mundo oriental) vivemos confortavelmente às custas do sofrimento de muita gente em África, na Ásia e na América Latina? Será que alguma vez já paramos para pensar verdadeiramente nisto?
Creio que, das termos que mais caracterizam o homem moderno: «indiferença» seria a palavra certa. Quantas vezes as pessoas andam pelas ruas e não se deixam intimidar pelos sem-abrigo ou pelas pessoas pedindo esmola nos semáforos? Ou pessoas comendo confortavelmente à mesa enquanto assistem a crianças definhando de fome em África? Uma vez mais a minha tia tratou de explicar: «As pessoas ajudam uma ou duas vezes, mas começam a ver que há muita gente que se aproveita da pobreza e que se faz de pedinte e claro, as pessoas não gostam de ser enganadas, por isso deixam de ajudar». Quantos não andam por ai a pedir esmolas, dizendo que perderam os braços, quando na verdade estão a mentir?
Eu sou individualista, justamente pelo mesmo motivo que muitas outras pessoas: perdi a fé na humanidade. Aliás, antes disto sou ainda apologista da total liberdade do indivíduo face à sociedade (porque sou weirdo e uma outsider e detesto as regras que a sociedade nos impõe). E sim, perdi a fé na humanidade. Actualmente vivemos num mundo onde, por mais que se queira ajudar os outros, as pessoas nunca aceitam a nossa ajuda e preferem somente pensar em si mesmas. A competitividade anda pela ordem do dia e cada um quer sobreviver a todo o custo nesta selvajaria. Senão pensarmos em nós mesmos, neste mundo, acreditem que ninguém vai parar para o fazer por nós. Então o que fazemos? Paramos de pensar nos outros para pensarmos em nós mesmos, para nos defendermos neste mundo onde é cada um por si. É uma faca de dois gumes: o mundo faz-nos individualistas e nós fazemos o mundo do individualismo.
Talvez tenha sido a minha personalidade esquizóide e misantropa a falar, mas a verdade é que no final somos todos humanos…
Ps: este não é dos meus melhores textos, mas vou ter que recuperar o hábito para voltar a actividade xD
O tema de hoje é actual e foi tratado no livro que escrevi: o individualismo. Já estamos, provavelmente, mais do que saturados de ouvir este vocábulo empregue em discursos evasivos e subversivos à política déspota, neoliberal e globalizada que se faz sentir por todo o mundo. Mas afinal o que é o individualismo?
Segundo a Wikipédia (e eu às vezes até tenho medo de tirar informação daqui porque tem sempre algum terrorista que comete algum atentado intelectual a determinado artigo), o individualismo é “um conceito político, moral e social que exprime a afirmação e liberdade do indivíduo frente a um grupo, especialmente à sociedade e ao Estado. Usualmente toma-se por base a liberdade no que concerte a propriedade privada e à limitação do poder do Estado. O individualismo em si, opõe-se a toda a forma de autoridade ou controle sobre os indivíduos e coloca-se como antítese do colectivismo”.
Sim, tem os seus lados maus porque esta total liberdade do indivíduo leva a que milhares de pessoas vivam em péssimas condições de vida para que outros possam andar em carros de luxo e tudo mais. Mas não é disso que vou falar hoje… deixemos de lado a propriedade privada, o colectivismo e tantos outros conceitos tipicamente marxista e vamos falar de outras coisas.
Hoje em dia diz-se que as pessoas vivem centradas em si mesmas, são egoístas, são individualistas. Se for assim, bem então confesso que também sou individualista (odeiem-me se quiserem!). Numa das minhas conversas com a minha tia, ela disse-me: «não há nada que possas fazer, o ser humano é individualista por natureza. Por mais que queira ajudar os outros, a partir do momento em que começa a faltar para si, esquece o altruísmo». Verdade ou mentira que não é assim? Podemos muito bem ajudar os outros, mas quando vemos que isso que isso nos prejudica a nós, fechamos logo a torneira. E porquê que isso é tão criticado? Porque vivemos num mundo onde é errado querermos o melhor para nós mesmos, porque isso é considerado egoísta. Quem é que vai ser hipócrita ao ponto de dizer que não quer o melhor para si? Acho que, pessoalmente, não há nada de mal com isso. O problema é que muitas vezes, nessa de querermos o melhor para nós, acabamos prejudicando os outros. Lá está a velha historia do «a minha liberdade começa onde a tua acaba». Olhe para a sala em que está, provavelmente bem equipada, com televisão, electricidade, computador com Internet e por aí a fora… já passou vos pela cabeça que nós, aqui no mundo ocidental (em muitas partes do mundo oriental) vivemos confortavelmente às custas do sofrimento de muita gente em África, na Ásia e na América Latina? Será que alguma vez já paramos para pensar verdadeiramente nisto?
Creio que, das termos que mais caracterizam o homem moderno: «indiferença» seria a palavra certa. Quantas vezes as pessoas andam pelas ruas e não se deixam intimidar pelos sem-abrigo ou pelas pessoas pedindo esmola nos semáforos? Ou pessoas comendo confortavelmente à mesa enquanto assistem a crianças definhando de fome em África? Uma vez mais a minha tia tratou de explicar: «As pessoas ajudam uma ou duas vezes, mas começam a ver que há muita gente que se aproveita da pobreza e que se faz de pedinte e claro, as pessoas não gostam de ser enganadas, por isso deixam de ajudar». Quantos não andam por ai a pedir esmolas, dizendo que perderam os braços, quando na verdade estão a mentir?
Eu sou individualista, justamente pelo mesmo motivo que muitas outras pessoas: perdi a fé na humanidade. Aliás, antes disto sou ainda apologista da total liberdade do indivíduo face à sociedade (porque sou weirdo e uma outsider e detesto as regras que a sociedade nos impõe). E sim, perdi a fé na humanidade. Actualmente vivemos num mundo onde, por mais que se queira ajudar os outros, as pessoas nunca aceitam a nossa ajuda e preferem somente pensar em si mesmas. A competitividade anda pela ordem do dia e cada um quer sobreviver a todo o custo nesta selvajaria. Senão pensarmos em nós mesmos, neste mundo, acreditem que ninguém vai parar para o fazer por nós. Então o que fazemos? Paramos de pensar nos outros para pensarmos em nós mesmos, para nos defendermos neste mundo onde é cada um por si. É uma faca de dois gumes: o mundo faz-nos individualistas e nós fazemos o mundo do individualismo.
Talvez tenha sido a minha personalidade esquizóide e misantropa a falar, mas a verdade é que no final somos todos humanos…
Ps: este não é dos meus melhores textos, mas vou ter que recuperar o hábito para voltar a actividade xD



