(Na foto estou eu soprando as velas quando fiz dois anos. Idade com que vim para Portugal)
20! Confesso que nos últimos meses comecei a temer bastante este número. Sabia que muita coisa iria mudar quando eu chegasse às duas décadas de existência. E pensar que há precisamente vinte anos atrás minha mãe estava dando a luz a sua primeira filha e entretanto tanta coisa mudou. Sim, muita coisa mudou e é isso que mais assusta… ainda que eu goste de certas mudanças como as que passei, à coisas que vejo alterar-se e que me entristecem um bocado. À minha volta todos não são mais como eu sempre os conheci: joviais e enérgicos. Foram envelhecendo e perdendo muitas destas coisas. Agora vivem com medo que chegue o seu aniversário, o algarismo se altere e mais um ano comece a pesar sobre as já cansadas costas.
E eu aqui, que faço hoje vinte anos, oiço todos dizer «ah, agora é que vais começar a viver». Sim, por um lado os vinte anos até podem simbolizar algo de agradável, mas ao mesmo tempo também me assustam porque marcam o final da adolescência e o inicio da minha vida de jovem adulta… Então olho as crianças brincando na rua ou os adolescentes conversando besteira e invejo-lhes a inocência, a ideia de que a vida será sempre assim como eles a conhecem, a crença da imortalidade… E depois, olho para o outro lado e vejo os adultos, sempre com tantas responsabilidades em cima, tantas preocupações… Mas no entanto não são as responsabilidades ou as preocupações que me preocupam, mas sim o mundo adulto em si. Desde que fiz dezoito anos que comecei a aproximar-se mais e mais desse mundo e comecei a ver que a vida não é como sempre eu pensei que poderia ser, ninguém respeitava as lições de moral que os desenhos animados ensinavam. Tive que aprender a defender-me, deixei de ser a pessoa aberta que era e tive que colocar a armadura para me poder proteger. O mundo adulto passou a assustar-me porque me senti inadaptada dentro dele… dentro de mim ainda vivem as almas de uma criança brincalhona e de um adolescente rebelde, que por vezes chocam com os desejos do mundo real.
Se eu pudesse escolher, talvez preferisse ficar adolescente para sempre. Foi a fase das melhores descobertas e quem sabe também das piores desilusões, mas queria manter sempre essa alegria em relação ao mundo e a descontracção típica da idade. Quando olho para trás vejo que tudo o que vivi são agora memórias que por vezes ainda tento resgatar, mas que hoje têm um sabor diferente do que tinham na altura. Aqui estou eu, com vinte anos, com um pé preste a tornar-me naquelas pessoas que eu, quando era mais jovem, criticava… como o mundo muda…
E neste medo todo que tenho, acabo por negligenciar aquilo que de bom também possa estar para vir. Ontem a minha mãe disse-me: «Há uma idade certa para tudo, mas não quer dizer que tenhas que viver tudo nessa idade. Eu, só agora aos quarenta, é que comecei a viver e a sair mais». A Dona Élia, de 50 anos, que faz faculdade comigo, uma vez disse-me «para mim a vida começou aos 50 anos». E então pergunto-me: será que é a mesma coisa? Será que não será já tarde demais. E então o Gustavo, sábio como sempre, disse-me: «Só é tarde demais se tu quiseres que seja. O teu corpo só morre quando o teu coração deixa de bater, mas a tua alma, essa morre quando tu bem entenderes, quando deixares de viver e passares só a existir». Sim, a juventude é a mentalidade. Olhem para mim, talvez neste momento esteja-me a sentir mais velha do que a minha mãe ou até mesmo do que a Dona Élia alguma vez se sentiram. Com um medo ridículo e quase infantil de crescer e partir à descobertas de novas coisas que aguardam por mim. São só vinte anos. Já pesa um pouco em relação a pessoas de doze, catorze ou dezassete anos, mas eu só estarei velha quando eu decidir isso. Talvez consiga manter tudo vivo dentro de mim. O mundo que tenho cá dentro é tão grande que talvez ainda caiba uma Terra do Nunca também… onde lá a criança possa se sentar a brincar e o adolescente possa pular em cima do sofá enquanto ouve uma banda punk, convivendo pacificamente com o adulto que chega cansado das oito horas de trabalho e espera pacientemente pelas suas férias anuais de quinze dias.
I'm ready to jump!
Ps: Amanhã coloco as leituras dos vossos blogues em dia. Hoje tenho uma desculpa plausível xD.