
Tirei uma semana dos meus 30 e muitos dias de férias para fazer uma pausa do blog que me permitisse descansar e reorganizar a minha vida social (sim, finalmente tenho a minha vida social de volta!!!), no entanto, acho que esta interrupção esteve muito longe de ser tranquila. Todas as vezes que eu tentava ver alguma coisa na televisão, as primeiras coisas que me apareciam à frente eram as fatídicas notícias sobre os despedimentos massificados que temos verificado ao longo do começo deste ano; nos jornais era a mesma coisa «fábricas que fecham, empregados que vão para a rua e o Obama falando do seu pacote anti-crise»; convido amigos para ir beber café e conversar sobre temas soft tipo música, cinema ou literatura, mas eis que a palavra «crise» volta a ser vociferada por pessoas com um ar desanimado e sem disposição para gastar as suas parcas poupanças em cafés (e felizmente o preço do café ainda não aumentou… God, acho que matava alguém se isso acontecesse!). De tantas vezes ouvir esta palavra acabei por concluir que era necessário dar o meu parecer sobre este tema e aqui estou eu para criticar o sistema neoliberal (coisa que eu faço com bastante gosto).
Não sei se o Huxley previu isso no Admirável Mundo ou se o Nostredamus profetizou algo assim, mas a verdade é que estamos vivendo tempos difíceis, e desta vez isto não é somente a sinopse de um filme americano ou de um romance de Steinbeck, é a mais pura realidade. Sinceramente esta verdade começa a assustar-me cada vez mais, dado que daqui a uns tempos terminarei o meu curso e serei lançada aos leões.
Acho que os meus olhos são demasiado keynesianos para entender a lógica neoliberal, abertamente acho-a com mais buracos que um campo de golfe (uma comparação algo estúpida, mas enfim). O actual sistema económico incentiva, entre outras coisas, o consumo desenfreado, e num mundo onde tudo o que temos hoje em uma semana acaba passando de moda, penso que as pessoas também entraram nesse catálogo e acabaram-se tornando descartáveis. As grandes empresas (expressão delicada para «uma-cambada-de-filhos-da-mãe-que-possui-o-monopólio-de-determinado-sector-e-que-se-está-a-“cagar”-para-o-resto-das-pessoas») fomentam essa própria flexibilidade em poder-se livrar de tudo, senão vejamos. Uma das tarefas mais difíceis para um recém-licenciado é encontrar emprego. Mandas o teu currículo para todo o lado, vais a entrevistas, às tantas desesperas e em todo o lado a única coisa que te dizem é «Pois, meu amigo, nós queremos pessoas com experiência», mas então como é que vamos algum dia ter experiência se ninguém nos dá trabalho? Ou então, empregam-te como estagiário, ganhas um bom dinheiro e quando o estágio está prestes a terminar pensar «bom, como gostaram do meu trabalho, de certeza que me vão deixar ficar», mas meu amigo, sai do mundo faz-de-conta e coloca os pés na terra: hoje em dia os patrões preferem ter estagiários que são muito menos dispendiosos do que um trabalhador a tempo inteiro. E o que acontece contigo? Vais para o fundo de desemprego, receber uns míseros euros, aguardando que um trabalho chova do céu.
Do outro lado da pirâmide etária as coisas também não estão fáceis. Mais e mais têm ido para o olho da rua trabalhadores com anos e anos de serviço. Parece que a época do «pleno emprego» fomentado pelo Estado Providência já chegou ao fim. E para estes trabalhadores é ainda mais difícil arranjar trabalho. Poderíamos pensar que seria fácil, uma vez que têm muita experiência e sabem fazer na perfeição aquele trabalho ao qual dedicaram tantos anos da sua vida. Mas qual quê? «Pedimos imensa desculpa, mas queremos pessoas jovens, os empregados são a cara da nossa empresa, somos uma empresa virada para o futuro e só empregamos gente jovem. Lamento imenso mas as múmias só ficam bem no museu». Pois é, se para um jovem já é difícil arranjar emprego, imagine-se para uma pessoa com já 50 anos? Mesmo com operações plásticas e liftings, duvido muito que tenham sorte.
O que isto tudo provoca? Mais gente desempregada, a viver na precariedade e dependente dos fundos de desemprego. Supostamente é a população em actividade laboral que, através dos seus impostos, financia o dinheiro utilizado para os fundos de desemprego, mas com o agravamento acentuado do desemprego, pergunto-me se haverá gente suficiente para sustentar tantas pessoas sem trabalho. Ainda nesta linha, tanto quanto sei um dos pressupostos do actual sistema de mercado é produzir, produzir, produzir e produzir, mas então quem é que vai comprar esses mesmos produtos se as pessoas agora contam todos os tostões que gastam? O que acontece? Excesso de produção, a empresa perde dinheiro e onde tem que cortar? Nos empregados… mais gente para a rua. As pessoas não têm emprego, não tem como pagar as suas dívidas, o que acontece? Os bancos rebentam pelas costuras com endividamentos. Parece cíclico, não?
A minha mãe contou-me no outro dia que o hotel onde ela trabalha começou a despedir pessoas com 12, 13 ou mais anos de casa. Perguntei-lhe porquê e ela disse «porque o hotel agora está a apostar nos extras. Sai muito mais barato. O extra chega lá, trabalha durante uns meses e depois vai embora. Enquanto a um trabalhador normal, seria necessário pagar subsídios de férias, vencimentos. As empresas não querem vínculos com os trabalhadores». Claro, as empresas querem é ter flexibilidade em empregar e despedir pessoas. Colocando-me no lugar de um rico empregador, o cenário até parece perfeito, com tanta gente desempregada têm-se muito por onde escolher: podes contratar uns quantos, depois manda-os embora e contratas mais uns quantos e por aí vai. É um paraíso, não é? Pois, para gente que senta todos os dias o traseiro numa cadeira giratória de cabedal e tem que gerir uma empresa parece óptimo, mas para quem trabalha como um cão, tem bilhões de contas para pagar e uma família para sustentar, ir para o desemprego é quase o mesmo que ir para o tronco levar umas chibatadas. É claro que isso não interessa muito, dado que vivemos num mundo em que adoramos objectos e usamos as pessoas (sinceramente só espero que o Reagan tenha sido um bom actor em Hollywood, porque ele como político foi uma trampa [uma forma delicada de dizer «merda»]).
«Despedimentos» e «crise» são duas palavras que não param de ecoar na minha cabeça. A empresa está a produzir pouco e por isso, para não ter despesas, tem que mandar gente para a rua. E eu que pensava que em tempos de crise o que seria mais sensato era criar postos de trabalhos para combater o desemprego, não foi esse um dos pontos do New Deal de Roosevelt? Olhem, eu não sei para onde isto caminha, a única coisa que sei é que neste momento «somos todos precários»!.
Não sei se o Huxley previu isso no Admirável Mundo ou se o Nostredamus profetizou algo assim, mas a verdade é que estamos vivendo tempos difíceis, e desta vez isto não é somente a sinopse de um filme americano ou de um romance de Steinbeck, é a mais pura realidade. Sinceramente esta verdade começa a assustar-me cada vez mais, dado que daqui a uns tempos terminarei o meu curso e serei lançada aos leões.
Acho que os meus olhos são demasiado keynesianos para entender a lógica neoliberal, abertamente acho-a com mais buracos que um campo de golfe (uma comparação algo estúpida, mas enfim). O actual sistema económico incentiva, entre outras coisas, o consumo desenfreado, e num mundo onde tudo o que temos hoje em uma semana acaba passando de moda, penso que as pessoas também entraram nesse catálogo e acabaram-se tornando descartáveis. As grandes empresas (expressão delicada para «uma-cambada-de-filhos-da-mãe-que-possui-o-monopólio-de-determinado-sector-e-que-se-está-a-“cagar”-para-o-resto-das-pessoas») fomentam essa própria flexibilidade em poder-se livrar de tudo, senão vejamos. Uma das tarefas mais difíceis para um recém-licenciado é encontrar emprego. Mandas o teu currículo para todo o lado, vais a entrevistas, às tantas desesperas e em todo o lado a única coisa que te dizem é «Pois, meu amigo, nós queremos pessoas com experiência», mas então como é que vamos algum dia ter experiência se ninguém nos dá trabalho? Ou então, empregam-te como estagiário, ganhas um bom dinheiro e quando o estágio está prestes a terminar pensar «bom, como gostaram do meu trabalho, de certeza que me vão deixar ficar», mas meu amigo, sai do mundo faz-de-conta e coloca os pés na terra: hoje em dia os patrões preferem ter estagiários que são muito menos dispendiosos do que um trabalhador a tempo inteiro. E o que acontece contigo? Vais para o fundo de desemprego, receber uns míseros euros, aguardando que um trabalho chova do céu.
Do outro lado da pirâmide etária as coisas também não estão fáceis. Mais e mais têm ido para o olho da rua trabalhadores com anos e anos de serviço. Parece que a época do «pleno emprego» fomentado pelo Estado Providência já chegou ao fim. E para estes trabalhadores é ainda mais difícil arranjar trabalho. Poderíamos pensar que seria fácil, uma vez que têm muita experiência e sabem fazer na perfeição aquele trabalho ao qual dedicaram tantos anos da sua vida. Mas qual quê? «Pedimos imensa desculpa, mas queremos pessoas jovens, os empregados são a cara da nossa empresa, somos uma empresa virada para o futuro e só empregamos gente jovem. Lamento imenso mas as múmias só ficam bem no museu». Pois é, se para um jovem já é difícil arranjar emprego, imagine-se para uma pessoa com já 50 anos? Mesmo com operações plásticas e liftings, duvido muito que tenham sorte.
O que isto tudo provoca? Mais gente desempregada, a viver na precariedade e dependente dos fundos de desemprego. Supostamente é a população em actividade laboral que, através dos seus impostos, financia o dinheiro utilizado para os fundos de desemprego, mas com o agravamento acentuado do desemprego, pergunto-me se haverá gente suficiente para sustentar tantas pessoas sem trabalho. Ainda nesta linha, tanto quanto sei um dos pressupostos do actual sistema de mercado é produzir, produzir, produzir e produzir, mas então quem é que vai comprar esses mesmos produtos se as pessoas agora contam todos os tostões que gastam? O que acontece? Excesso de produção, a empresa perde dinheiro e onde tem que cortar? Nos empregados… mais gente para a rua. As pessoas não têm emprego, não tem como pagar as suas dívidas, o que acontece? Os bancos rebentam pelas costuras com endividamentos. Parece cíclico, não?
A minha mãe contou-me no outro dia que o hotel onde ela trabalha começou a despedir pessoas com 12, 13 ou mais anos de casa. Perguntei-lhe porquê e ela disse «porque o hotel agora está a apostar nos extras. Sai muito mais barato. O extra chega lá, trabalha durante uns meses e depois vai embora. Enquanto a um trabalhador normal, seria necessário pagar subsídios de férias, vencimentos. As empresas não querem vínculos com os trabalhadores». Claro, as empresas querem é ter flexibilidade em empregar e despedir pessoas. Colocando-me no lugar de um rico empregador, o cenário até parece perfeito, com tanta gente desempregada têm-se muito por onde escolher: podes contratar uns quantos, depois manda-os embora e contratas mais uns quantos e por aí vai. É um paraíso, não é? Pois, para gente que senta todos os dias o traseiro numa cadeira giratória de cabedal e tem que gerir uma empresa parece óptimo, mas para quem trabalha como um cão, tem bilhões de contas para pagar e uma família para sustentar, ir para o desemprego é quase o mesmo que ir para o tronco levar umas chibatadas. É claro que isso não interessa muito, dado que vivemos num mundo em que adoramos objectos e usamos as pessoas (sinceramente só espero que o Reagan tenha sido um bom actor em Hollywood, porque ele como político foi uma trampa [uma forma delicada de dizer «merda»]).
«Despedimentos» e «crise» são duas palavras que não param de ecoar na minha cabeça. A empresa está a produzir pouco e por isso, para não ter despesas, tem que mandar gente para a rua. E eu que pensava que em tempos de crise o que seria mais sensato era criar postos de trabalhos para combater o desemprego, não foi esse um dos pontos do New Deal de Roosevelt? Olhem, eu não sei para onde isto caminha, a única coisa que sei é que neste momento «somos todos precários»!.



