Desde que há memória, sempre fizeram questão de me injectar a ideia de que devemos de ser coerentes, que devemos de falar e agir da mesma maneira e nunca fazer uma coisa que não vá de acordo com aquilo em que acreditamos. Porém, sejamos realistas! Quem é que consegue ser coerente? Verdade seja dita é que nunca conseguimos ser coerentes por há sempre algo que nos escapa por entre os dedos. Por exemplo, sempre cresci com a minha mãe e a minha tia dizendo: «Camila, não deves fumar, faz mal à saúde!». Boa, mas como é que elas podem dar o exemplo se elas mesmo fumam?! «Faz o que eu te digo, não olhes para o que eu faço», dizia o ditado. Mas isto faz-me pensar em algo de maior dimensão. Enquanto cidadãos e membros desta sociedade torpe e em decadência, exigimos sempre que os outros tenham determinados comportamentos, mas como podemos exigir algo de alguém se nós não o fazemos? Como podemos advogar uma determinada ideia se na prática fazemos exactamente o contrário.Pensemos bem, no fundo somos quase sempre incoerentes. Eu, por exemplo, dou conselhos às minhas amigas para se valorizar, para acreditarem em si mesmas, mas sou a primeira a deitar-me abaixo, a primeira a deixar o meu complexo de inferioridade estrangular a minha auto-estima. minha amiga diz: «Ah eu, basta o meu namorado fazer-me uma porcaria qualquer e acabo logo com ele», verdade seja dita que faz precisamente o contrário. Conclusão a que chegamos: «Quem muito fala, pouco faz»!
Concordemos, somos contraditórios, somos incoerentes, e enquanto não mudarmos talvez não evoluiremos (se é que ainda há alguma coisa para se evoluir).
Lembrei-me até, enquanto escrevia este textozeco, de uma passagem da música “Auto da Fé”, do Sam The Kid (que serviu de banda sonora do filme «Crime do Padre Amaro»): «Senão praticas o que pregas de que te valem essas regras?».
Reforço a ideia, nunca conseguiremos ser coerentes naquilo que fazemos, e tal como li: «A coerência é a virtude dos imbecis». Nada como ser a famosa «metamorfose ambulante», porém, será que no meio dessa mudança toda conseguimos mudar alguma coisa (para além de nós mesmos)? É que às vezes acho que nenhum país evoluiu com os seus governantes indo dormir pensando numa coisa e acordando pensando em algo totalmente diferente... ou secalhar até aconteceu... lá está a ingenuidade dos meus tenros 19 anos...


3 comentários:
Coerência... Por incrível que isso possa soar, sou coerente. Com aquilo que acredito, com as situações (boas e ruins), com as pessoas, enfim... Tirando curtos circuitos que volta e outra me acontecem, o fato é que, tento, na medida do possível ser coerênte. Mas ultimamente, a lógica da ilógica vem se aponderando da minha vida de uma tal forma, que é só isso que eu poderei lhe dizer sobre esse assunto. Começo a pensar que o caos é o sacrosanto remédio para tudo. Bjus.
"O homem que pretende ser sempre coerente no seu pensamento e nas suas decisões morais ou é uma múmia ambulante ou, se não conseguiu sufocar toda a sua vitalidade, um mono maníaco fanático."
Aldous Huxley
- Nem preciso dizer mais nada , né?!
Quem muito fala pouco faz, my dear
Enviar um comentário