Tenho tantas saudades de quando eu era criança, inocente e ainda acreditava que o mundo era bonito. Mas pouco a pouco, à medida que vamos crescendo, essas nossas concepções do mundo vão se desmoronando como um castelo de cartas e a gente acaba acordando para a realidade, e ainda bem que isto acontece… acabamos por ver os problemas sociais e que é necessário fazer algo… de nada serve viver na ilusão. No entanto eu reparo em tantas diferenças entre a minha infância e a da minha irmã, que tem agora 8 anos, que eu prefiro mil vezes a minha, e ora vejam bem…Peixe grelhado: Eu comia tanto quando era criança que um dia achava que até ia criar espinhas.
Sempre que ia na casa da minha tia era peixe grelhado (porque ela mora em Quarteira, uma cidade piscatória) … fazendo um balanço, acho que foi positivo, afinal o peixe é um alimento saudável e a casa dela continua sendo a única onde eu ainda como peixe (minha mãe não tem muita paciência para cozinhá-lo). Hoje em dia, quase ninguém come peixe… minha irmã, por exemplo, até torce o nariz das raras vezes que ele é servido na mesa… Até minha tia diz que hoje em dia as crianças são logo levadas para o McDonald’s e todos esses restaurantes de comida de plástico. No meu tempo o McDonald’s era que nem dinheiro em carteira de pobre, bem escasso (rsrsrs eu também era do tempo do “Sai de Baixo”).
Cartas: Nossa, como esse hábito se perdeu! Ainda me lembro que eu escrevia cartas para minha família no Brasil e ficava aguardando alegremente pela resposta. Hoje em dia já não é assim, é só mandar um mail que segundos depois a gente obtém a resposta… veio “descomplicar”, é verdade, mas acho que se perdeu algo de “mágico” que havia antigamente, aquela ânsia de esperar por uma carta. Antigamente ainda tínhamos esperança de abrir a caixa de correio e encontrar uma carta, agora, como diz a minha mãe, é só conta para pagar.
Game boy: Eu cresci vidrada na ideia de ter um Game Boy, até que, aos dez anos ganhei um. Era daqueles bem antigos, pesadões, dos primeiros. Joguei tanto nesse dia que a minha mãe dizia que os meus olhos já estavam em sangue! Esses jogos portáteis de antigamente eram pesados e os gráficos deixavam a desejar, mas eram tão engraçados! Hoje em dia o game boy foi diminuindo de tamanho e é tão leve que as vezes a gente até esquece onde colocou, além disso a Playstation portátil ultrapassou em muito a sua rival Nintendo. Quem não prefere essa nova consola que dá para jogar, ver filmes, ouvir música, navegar na net, e mais um pouco até faz torradas e aperta sua gravata!
Enid Blyton: Das melhores escritoras juvenis de todos os tempos. Eu bebia cada palavra dos seus livros dos “Cinco” e dos “Sete”. Foram dos primeiros livros que eu li, e tinham uma coisa que eu adorava: já eram bem velhos, pois tinham pertencido à minha tia, e já tinham as páginas meio amareladas do tempo, mas eu adorava aquilo, dava uma “mágica” particular ao livro. Eu sonhava com as aventuras deste grupo e quando brincava com a minha prima, sempre nos imaginávamos como as personagens deste livro. Hoje em dia parece que as pessoas foram perdendo, gradualmente (ou até mesmo vertiginosamente) o hábito de ler. Muitos destes escritores infantis e juvenis viram suas obras sendo adaptadas para a televisão, e claro, ver na TV dá sempre menos trabalho que ler…
D’Artagnan: O Dartacão e os Três Moscãoteiros, eram os meus desenhos animados preferidos. Mais tarde li este romance do Dumas, mas eu não imaginava as personagens em carne e osso e sim como nos desenhos animados. Uma das coisas que se foi perdendo com os tempos foi esta inocência dos desenhos. O Dartacão, por exemplo, realçava valores como a lealdade, a amizade e a coragem, hoje em dia os bonecos estão quase todos virados para a “promiscuidade”, os dramas são quase todos namoros e problemas relacionados com a beleza… as crianças devem ter muitos, não haja dúvida…
Brincar na rua: Tenho tantas saudades… De brincar de apanhar os outros, de esconde-esconde, de andar de bicicleta na rua, jogar futebol, etc. Minha irmã não tem oportunidade de fazer isso, afinal os tempos mudaram. Antigamente brincávamos na rua com as outras crianças e voltar para casa era um tormento, mas parecia que os pais tinham mais tempo para nós. Hoje em dia, as crianças são enclausuradas dentro de casa, cercadas por jogos de computador. Acabam por perder uma das melhores coisas da infância e não aprendem a se machucar, os pais parece que ficam alarmados, nos dias de hoje, quando o seu filho cai no chão, é como se fosse uma peça de museu. Eu abri o queixo duas vezes, cai de bicicleta umas outras tantas e aqui estou, pelo menos ganhei as minhas defesas, coisa que as crianças de hoje em dia não têm…Pokémon: Eu era totalmente viciada neste jogo e nos desenhos animados. Jogava, trocava bichinhos
e tinha as minhas lutas, mas era engraçado porque acabava conhecendo muita gente. O jogo tem vindo a perder os fãs que teve outrora, e a verdade é que jogos como este têm vindo a ser cada vez mais raros… no fundo tínhamos um Pokémon e era necessário caçar outro, treiná-los, fazê-los evoluir e ultrapassar uma série de obstáculos… como me lembro das tardes na casa do meu amigo Ruben, jogando Pokémon e Super Mário… A maior parte dos jogos de hoje são sobre guerra, luta e imagine-se só que até se fez um sobre bullying… É necessária ética nos jogos de vídeo…
Gibis: A primeira vez que li uma história de Banda Desenhada foi quando fui ao Porto, de autocarro, com a minha tia. Imaginem a seca que foi! Um dia inteiro de viagem, e na altura as estradas não tinham as condições que têm hoje, quase que dava para ler “Guerra e Paz” do Tolstoi num só dia… Era um Gibi da Turma da Mónica… eu era louca por eles… trocava revistinhas entre os meus amigos… adorava aquele sentido de humor. Além da Turma da Mónica também lia O Tio Patinhas, a Luluzinha e o Astérix. Hoje em dia, embora minha irmã também leia a Turma da Mónica, parece que não é regra geral da maior parte das crianças…
Novelas: Meu Deus, eu era tão noveleira quando era criança. Ainda me lembro que passava aqui na TV aquelas novelas mexicanas com tradução brasileira, um grande melodrama, sem contar que o actor abria sempre a boca e a fala parecia não corresponder com o movimento. Eu adorava as novelas da Globo… as que mais me marcaram na infância foi a Próxima Vítima, Malhação e Força de Um Desejo… Mas há algo que eu já notei presentemente, parece que a Globo perdeu a qualidade em suas novelas (se é que alguma vez elas tiveram alguma). Sei não, parece que as novelas de antigamente eram bem melhores… Este hábito presentemente não mudou, as crianças ainda vêem novelas, só que agora são novelas portuguesas, bom, são quase uma cópia fiel das piores novelas brasileiras.

Roupas horríveis: Eis algo que invejo nas crianças de hoje em dia… antigamente, verdade seja dita, os nossos pais tinham um péssimo gosto para nos vestir… eram aqueles vestidos com folhos e um padrão que metia dó, ou os laçarotes na cabeça… Eu detestava tanto essas roupas que até chorava quando a minha mãe me queria vestir um vestido… fui um pouco Maria-Rapaz quando era pequena… Presentemente a moda evoluiu bastante no que diz respeito às crianças… sorte da minha irmã que não apanhou a porcaria dos vestidos com folhos!
Músicas infantis: Já quase nem se ouvem… eu até conhecia as músicas do Chaves, as da Xuxa, e outras tantas daqui de Portugal… O que os miúdos ouvem hoje em dia? A banda sonora dos Morangos com Açúcar! Preferia muito mais «Era uma vez um cuco que não gostava de couves…» do que «Fiquei presa por um fio, senti mais um arrepio, aceitei o desafio, desse teu olhar…». Ideal para criar piranhinhas em ponto pequeno! 
Quadro de Giz: Ainda sou do tempo em que escrevíamos no quadro com giz, agora, com essas novas tecnologias, passou-se a utilizar aqueles quadro com canetas magnéticas… Bah! Antigamente também escrevíamos tudo a mão, hoje em dia é tudo a computador, conclusão, as pessoas dão erros crassos (o que até me apanhou a mim).
Falta de responsabilidade: Antigamente uma criança podia ser criança à vontade… hoje, o Mundo Moderno, com as suas exigências, também as estendeu às crianças. Os seus pais, hoje em dia com cada vez menos tempo para os filhos, depositam ne
les muitas responsabilidades. Eu vejo todos os dias de manhã, crianças indo sozinhas, desprotegidas para a paragem do autocarro, algo enfezadas e com as mochilas maiores do que eles… ou irmãos de pouco mais de dez anos que têm de se encarregar de levar os irmãos mais novos à escola, que têm de tomar conta deles e fazer as suas refeições enquanto os seus pais são sugados até aos ossos por este mundo capitalista, globalizado e moderno… já nem são crianças, mais parecem adultos em ponto pequeno… Quando era pequena não tinha essas preocupações, comocei a ficar sozinha em casa aos 9, mas ainda assim não tinha essas responsabilidades que as crianças de hoje têm…É um Admirável Mundo… mas com todos estes progressos, essas melhorias de vida, salvo seja, eu continuo a preferir o meu tempo, onde havia inocência e ainda se acreditava que alguma coisa podia ser diferente…


4 comentários:
Ai, ai... Se eu ficar lembrando da minha infância... Das vezes que pulei muros, subi no telhado, briguei com meninos, empinei pipa, assisti Speed Racer, brinquei com fogo... NOssa! Nem parece que fui uma menina! :)
Mas eu vejo os meninos de hoje (os meus), e embora a infância seja evidentemente diferente, continuam moleques, criativos, terríveis, curiosos, afetuosos... Afinal, somos todos nós assim, não? ;)
Beijinhos!
Ah minha infância... Tempos bons que agente vive. É como vc bem disse, época da inocência... E eu me pergunto: "aonde perdermos essa inocência?" De acreditar piamente nas coisas, de ver o lado colorido da vida, enfim... Agora, as gerações se diferenciam. O Geme Boy e da sua geração, a minha já é a do Atary. Acho legal essa disparidade, esses mundos que o tempo vai forjando. Bjus
Ah , eu ainda sou criança ás vezes...com meus irmãos , minha sobrinha , com meus alunos.
É a melhor época da vida.
Eu sinto falta sabe do quê?
Tomar banho de chuva com as crianças na rua...agora qualquer ventinho frio e vem a sinusite!
Alguém precisa ter mais fé nas novas gera�es... Talvez essa mania de olhar para as crianças de hoje em dia lamentando os costumes perdidos seja só porque quando pequenos éramos mais felizes e otimistas. Eu vejo meu irmão que passa a maior parte do tempo jogando video-games e não gosta de ler os gibis que eu lia... Depende de nós passarmos os costumes que queremos aos nossos filhos (eu ainda escrevo cartas)
Um abraço o/
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