
— Já reparaste, Gus, estes jornais ingleses são uma baixaria! — comentou Camilla enquanto apontava para um exemplar do The Sun.
Estavam num pequeno quiosque numa rua movimentada e na sua frente achavam-se centenas de jornais, mas os jornais ingleses destacavam-se sempre pelas suas letras garrafais, fundo negro e imagens reveladoras sobre o casal Beckham ou a família Real Britânica.
— Bom, existem jornais sensacionalistas em todo o lado, mas os ingleses exageram — respondeu Gustavo, vagamente, enquanto perscrutava num monte de jornais em busca do periódico irlandês Irish Independent e do jornal português que oferecia álbuns fotográficos de personalidades renomeadas na área, as quais ele coleccionava por ser de seu interesse pessoal. — Não sei qual é a piada de saber que a Britney Spears não faz a depilação ou que a Rihanna foi apanhada a andar sem cuecas.
— Aqui tem o seu troco, menino Gustavo — o velhote do quiosque, com um farfalhudo bigode grisalho, entregou ao Gus umas quantas moedas, as quais ele guardou no bolso das suas calças axadrezadas.
— O homemzinho já te conhece — fez notar ela enquanto eles se encaminhavam para o trabalho dele. Camilla concordara em leva-lo ao trabalho de manhã para praticar um pouco de exercício e desfrutar da sua companhia.
— É normal — retaliou ele enquanto lia o cabeçalho do Independent. — Vou sempre ali comprar jornais e sou o único que compra o Irish Independent. Gosto sempre de saber o que se passa no meu país.
Ela revirou os olhos. «Patriota», pensou.
— Olha, Gus, já reparaste que nunca mais se falou nada sobre aquela miúda inglesa que desapareceu na Praia da Luz… a Maddie McCann.
— Podes crer, tanto alarido p’ra nada. Eu acho que a miúda ‘tá morta… também, se for para a torturarem mais vale que esteja morta… sometimes a morte é mais uma solução do que propriamente um problema.
— Sabes, logo quando passou nas notícias a história do desaparecimento da Maddie, a minha irmã fez-me uma pergunta que me deixou a pensar…
— Qual foi?
— Ela perguntou: «Porquê que existem adultos que fazem mal às crianças?»
— E o que é que respondeste?
— Disse que existem pessoas más no mundo… mas no fundo acho que não dei a resposta certa, foi mais para despachar o assunto porque acho que ninguém sabe responder a essa pergunta…
— Concordo contigo, a maldade não tem explicação…
E ainda não hoje não sei que resposta dar…
Estavam num pequeno quiosque numa rua movimentada e na sua frente achavam-se centenas de jornais, mas os jornais ingleses destacavam-se sempre pelas suas letras garrafais, fundo negro e imagens reveladoras sobre o casal Beckham ou a família Real Britânica.
— Bom, existem jornais sensacionalistas em todo o lado, mas os ingleses exageram — respondeu Gustavo, vagamente, enquanto perscrutava num monte de jornais em busca do periódico irlandês Irish Independent e do jornal português que oferecia álbuns fotográficos de personalidades renomeadas na área, as quais ele coleccionava por ser de seu interesse pessoal. — Não sei qual é a piada de saber que a Britney Spears não faz a depilação ou que a Rihanna foi apanhada a andar sem cuecas.
— Aqui tem o seu troco, menino Gustavo — o velhote do quiosque, com um farfalhudo bigode grisalho, entregou ao Gus umas quantas moedas, as quais ele guardou no bolso das suas calças axadrezadas.
— O homemzinho já te conhece — fez notar ela enquanto eles se encaminhavam para o trabalho dele. Camilla concordara em leva-lo ao trabalho de manhã para praticar um pouco de exercício e desfrutar da sua companhia.
— É normal — retaliou ele enquanto lia o cabeçalho do Independent. — Vou sempre ali comprar jornais e sou o único que compra o Irish Independent. Gosto sempre de saber o que se passa no meu país.
Ela revirou os olhos. «Patriota», pensou.
— Olha, Gus, já reparaste que nunca mais se falou nada sobre aquela miúda inglesa que desapareceu na Praia da Luz… a Maddie McCann.
— Podes crer, tanto alarido p’ra nada. Eu acho que a miúda ‘tá morta… também, se for para a torturarem mais vale que esteja morta… sometimes a morte é mais uma solução do que propriamente um problema.
— Sabes, logo quando passou nas notícias a história do desaparecimento da Maddie, a minha irmã fez-me uma pergunta que me deixou a pensar…
— Qual foi?
— Ela perguntou: «Porquê que existem adultos que fazem mal às crianças?»
— E o que é que respondeste?
— Disse que existem pessoas más no mundo… mas no fundo acho que não dei a resposta certa, foi mais para despachar o assunto porque acho que ninguém sabe responder a essa pergunta…
— Concordo contigo, a maldade não tem explicação…
E ainda não hoje não sei que resposta dar…


6 comentários:
Gostei! Clara e sucinta, sem muitos floreados ^^
Good question! Como é que se explica a uma criança de oito anos a maldade que existe no mundo?
Eu olho meus irmãos entrando na adolescência e tremo por dentro.
Temo demais por eles e ao mesmo tempo sei que não posso super proteger.Irmã mais velha sofre!
É boa pergunta,a maldade não se explica...
acho tuas conversas com o Gustavo tão produtivas...estás sempre a comentar um tema bastante relativo com ele...
Bjokas
Letrinha amarela é fogo, a gente seleciona e soluciona :P
Maldade...é inexplicável, não há motivo pra tanta maldade no mundo, não há. Mas ainda tem uns maníacos, se assim podemos dizer, que persistem em matar, torturar e até mesmo estuprar crianças com menos de 9 anos.
Mudando de assunto..
Odeio jornais ingleses :B
Definitivamente a maldade não tem explicação,mas um dia, ela entenderá...e que esse dia, demore a chegar, porque preservar a inocencia, é preciso.
[nem sempre]Gosto de saber o que se passa no meu país.
Lindo fim de semana.
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