(Nota 1: Peço desculpa aos meus leitores pela considerável perda de qualidade que os meus posts têm vindo a sofrer [desconheço também se alguma vez tiveram alguma qualidade, mas enfim…]. Com o teste de psicologia à porta toda a minha atenção e todo o meu tempo têm sido direccionados neste sentido. Hoje optei por colocar aqui a letra de uma música, é que com os nervos em franja para a prova de amanhã não consigo transpor para o papel quaisqueres ideias que não estejam relacionadas com formações de impressões, atribuções causais e todo esse palavreado da Psicologia Social. Tenho que aprender com a minha mãe a formula perfeita para fazer várias coisas ao mesmo tempo!) (Nota 2: Lembro-me muito bem da minha primeira reacção quando comecei a escutar Facção Central. A principio até julguei que eles procuravam dar a pobreza como desculpa para a brutalidade dos crimes cometidos pelos bandidos, mas pouco a pouco me fui apercebendo que o que eles queriam na verdade era alertar para a raiz do problema e a sua possível solução. Apesar das suas letras serem um pouco violentas é através delas que eles reportam a violência vivida nas favelas de São Paulo. Servindo-se de hipérboles, isto é, exagerando um pouco, eles narram a realidade do Brasil. Esta música debruça-se sobre os problemas que um garoto rico e um garoto pobre enfrentam num país de extremos)
(Nota 3: Junto acrescento a música, é só carregar no play e apreciar. Obs: o género musical é o RAP)
Da cobertura eu observo os moleques lá embaixo
Da cobertura eu observo os moleques lá embaixo
chinelo no cotovelo jogando bola descalços
Felizes sem muro com caco de vidro
Sem vigia com Walkie Talkie, camera de vídeo
Indo pra aula sonho atrás da blindagem do Nissan
com pipa, pião, carrinho de rolimã
Tenho 12 até hoje ninguém reclamou em casa
que na minha cobrança de falta eu quebrei sua vidraça
Não tem graça no condomínio minha bike nova
me sinto igual a um Hamster correndo na gaiola
Meu pai nunca me buscou depois da aula
pra eu ver ele só marcando horário com a secretaria
Minha mãe só se preocupa com plástica, jóia
Alta costura, teatro, desfiles de moda
Pra eles foda-se o que o pobre ta comendo, bebendo
Aí eu termino de computador, escargot, só que preso
Não passo de mercadoria, produto pra sequestro
Meu chofer na Blitz falsa é projéctil no cérebro
Pra quem joga sozinho não tem cartucho legal
Sem Internet eu nem teria amigo virtual
FODA-SE o parque aquático, o toboagua
quero a bandeira do meu time, gritar gol na arquibancada
Daria meu kart, minha parte na herança
pra tá no bar do morro jogando fliperama
Sonho com a carta de alforria da minha
Alcatraz de Ouro
com a paz sem vigia
nem muro de tijolo(4x)
Daqui debaixo eu observo a cobertura de luxo
como seria abrir a geladeira e ter de tudo
Morar num Ap de 600 de área construída
fim de semana na fazenda, no haras da família
vou pra aula sonhando com um copo de leite
com as prateleiras da Ri-Happy, um ténis sem silver-tape
Ate hoje um frango assado foi meu melhor almoço
esmola do padeiro pra eu não olhar pro seu forno
não tem graça na favela rolê com a minha bike roubada
perto de cadáver, gambé dando cabada
Há, se eu esconder uma camera pra filmar
o que meu pai me bate, vira santa a babá
minha mãe só se preocupa com a escolha do vestido
tem que ser bem fudido pra vender doce no seu vidro
nasci pra ser cobaia, puta que pariu
pra testar com a 9,3-8 terno blindado de 9 mil
Igual ao cão que odeia o gato
gato que odeia o rato
por instinto quer o menino do condomínio enterrado
filho de egoista, que país é turista
praga ruim tem que cedo trombar pesticida
Tem foto em Orlando com Mickey abraçado
e eu pra andar num Vectra é só algemado
Daria até minha automática com dois pentes cheios
Pra nunca mais sonhar com o lanche na hora do recreio
Sonho com a carta de Alforria
da minha Alcatraz de compensado
com a paz sem revolver
nem refém torturado(4x)
O vinho do meu pai é 12 mil a garrafa
penso no numero de cesta básica o apetite vasa
prevejo que um dia vai ter bomba no motor
virou a chave no contato, adeus Doutor
Dono de loja, famosa, varias filiais
tipo que odeia pobre mas não seus Reais
tem como hobby humilhar a empregada domestica
também pegar o jato e pular de pára-quedas
O mundo é o corpo e ele é o tumor maligno
descende de quem roubou as terras dos índios
Eu nunca vou ter minha carta de Alforria
é que corpo em chamas não é problema da minha família
Meu sonho é ser astro de cinema
mas não ser o ator preto carregando bandeja
quero dar colectiva, ter minha cara fotografada
mas não pra explicar minha fuga cinematográfica
Harvard pra um pivete de patinete no pé
um do tambor pro de isipor vendendo picolé
Sem Game Boy, brinquedo da Tec Toy
no aniversario é só 2 Dolly e um bolo Seven Boys
eu sou a artista plástico pronto pra expor
seu retrato falado no museu da dor
Tem um muro de lágrima entre o bandido e o boy
do lado dourado cresce a vitima
no vermelho seu algoz
Sonho com a carta de alforria da minha
Alcatraz de Ouro
com a paz sem vigia
nem muro de tijolo(2x)
Sonho com a carta de Alforria
da minha Alcatraz de compensado
com a paz sem revolver
nem refém torturado(2x)
Sonho com a carta de alforria da minha
Alcatraz de Ouro
com a paz sem vigia
nem muro de tijolo(2x)
Sonho com a carta de Alforria
da minha Alcatraz de compensado
com a paz sem revolver
nem refém torturado(2x)


3 comentários:
O que eu conclui desta musica é que existe uma grande diferença entre o Brasil dos ricos e o Brasil dos pobres, e os dois estão prisioneiros da sua realidade. sou contra o pobre odiar o rico por este ter mais, no entanto sou apologista de que o pais devia de dar condições iguais tanto a uns quanto a outros.
muitas vezes nem ódio há entre um e outro. moro numa rua onde os favelados adoram vir para empinar papagaios de papel e se juntam aos "riquinhos" que também adoram fazer a mesma coisa.
Só eu que detesto, porque as porcarias acabam todas por enroscar no meu muro!!!
Bruxa, Bruxa... rsrsrsrs. Teus textos não estão perdendo a qualidade não, muito pelo contrário, gostei muito desse. Bjus.
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