(Nota: Finalmente voltei para expor toda a minha diarreia mental. Pensamentos têm vindo a assaltar o meu cérebro e a minha caneta não pára de ejacular todo um leque diversificado de texos que eu tenciono vir aqui partilhar com os prezados leitores. Porém, dando uso à citação de J. K. Rowling [in Harry Potter e os Talismãs da Morte] «o último inimigo que será vencido é a morte», pois eu digo que o meu «último inimigo» é sem dúvida a preguiça!)Não é de hoje que tenho magicado escrever sobre este assunto. Frases soltas para este texto têm perambulado pelo meu cérebro qual crianças irrequietas e, acreditem, ter algo a "entupir" as nossas celulazinhas cincezentas não é particularmente agradável (especialmente quando tentamos sonhar com o Johnny Deep a contracenar em trajes menores). Acho que já estava na altura de louvar aquelas criaturazecas que só eu vejo e que povoam o meu mundozinho!
Quando olho para trás vejo uma criancinha sossegada que passava horas a fio brincando sozinha com os seus brinquedinhos... ao olhar das pessoas comuns era até uma cena agradável de se ver. Contudo, ela não brincava sozinha. Ela tinha amigos que mais ninguém via (não, ela não via pessoas mortas como o menino do "Sexto Sentido" do Spielberg). Ela tinha amigos imaginários, algo que, na idade dela, é visto pelo senso comum como verdadeiramente normal e que se enquadra na categoria do «ai que fofinho!».
Mas quando crescemos vamos nos apercebendo que temos de abandonar uma data de comportamentos que tinhamos na infância (isto senão queremos ter uma data de pessoas a olhar para nós com o sobrolho arqueado). Porém, eu não abandonei! Os meus amigos imaginários continuam sempre comigo. Na infância há sempre aquele conceito de inocência, de que as criancinhas não têm maldade nenhuma e que adoram brincar ao "faz de conta" e por isso é que criam amigos imaginários... e no caso dos adolescentes?! Bem, aí o cenário torna-se consideravelmente mais negro. A sociedade começa logo a apregoar a nossa insanidade. Advogam que os amigos imaginários são fruto da "deturpação mental" de pessoas que se sentem sozinhas, que não têm ninguém em quem confiar e que devemos de procurar imediatamente a ajuda de um psicólogo/psiquiatra/psicalinista. É incrível que em todas as pesquisas que tenho realizado neste âmbito dizem exactamente o mesmo, o que me leva a pensar que talvez o mal seja mesmo comigo.
Confesso que já fui ao psicólogo. Pensava eu encontrar lá um senhor com as capacidades mentais do grande Freud e uma barba hisurta e afável à là Karl Marx (e um ligeiro toque de insanidade avec Monsieur Salvador Dali), no entanto não deixei de sentir uma certa desilusão quando uma senhora de razoavelmente trinta anos sorriu para mim e me despachou em três tempos (provavelmente porque não estava para aturar uma desvairada como eu).
É que eu também nunca senti necessidade de me livrar deles (digo deles porque eles são muitos mesmo). Acredito que não deva ser nada animador para a minha mãe entrar no quarto e ver-me a falar sozinha, ou quando converso com os meus amigos e menciono um ou outro amigo imaginário como se eles existissem mesmo, mas para mim eles até são um modo de evasão. Gosto de conversar com eles e de ouvir aquilo que eles têm para me dizer, é que eles são quase como a voz que provêm do meu inconsciente. Eu fico magicando interiormente com eles conversas, cenas passam pela minha cabeça como um filme e qual o resultado? Eu pego na caneta e vou escrever tudo o que eles me dizem, tudo o que eles me deixam ver. Eles são um pedaço de mim... ao longo da minha adolescência fui construindo a minha identidade e cada um deles representa um pouco dessas personalidades... é quase como o Fernando Pessoa com os seus heterónimos. E sim, também são um modo de me sentir sozinha, é incrível que eles até me dão conselhos que na praxis funciona muito bem. É quase como ter uma data de cérebro a morar cá dentro! A psicóloga até disse para eu me livrar deles... casá-los... mas não resultaria. Ninguém nunca iria perceber o quão importante eles são para mim! Frutos do meu subconsciente... e eu devo dizer... que eu adoro o meu subconsciente! Porque todos eles, que mais tarde viraram personagens dos meus textos, me marcaram com a sua companhia e ajudaram-me a crescer e a encarar as adversidades do Admirável Mundo Moderno. Um grande Ave, para todos eles.
Aos leitores que provavelmente irão se afastar de mim "acidentalmente de proposito" apenas digo: um toque insanidade dá o seu charme, e qual é a piada de se ser normal? É que pelo menos no meu mundinho eu sou o "centro" e não tenho de viver à sombra de ninguém.... ser o porta-chaves! Ter que ouvir as piadas que eu contei à dez segundos atrás a serem proferidas por uma alma prevertida que a ouviu a contou como sendo dela enquanto os ouvintes riem a bandeiras despregas e os olhares incrédulos ficam para mim. Bah, eu e o meu subconsciente estamos bem um para o outro. Talvez numa próxima época balnear a gente abra para os turistas visitarem este mundinho surreal.
Ps: Amanhã, a pedido de muitas famílias (rrsrsrs) será postado o último acto da Tragédia!


2 comentários:
Bom... Adoro Kevin&Hobbs! Tenho toda a colecão desse moleque e seu tigre imaginário e meu menor também o adora.
Quanto ao seu mundo interior... São poucos os que admitiriam. Só isso. Uns são mais ricos que outros. E pelo visto, o seu, al~em de rico, é vasto... rsrsss
Milher... Essas suas ejaculações mentais estão bastante prazeirosas rsrsrsrs. Ótimo texto, aliás como sempre. Bjus.
Enviar um comentário