"Crónica de Costumes"

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Divagações sobre o Sistema de Saúde...

O nosso caro Primeiro-ministro José Sócrates decidiu demitir o antigo Ministro da Saúde. Recebi esta notícia com muito regozijo porque sinceramente nunca percebi muito bem qual a política dele do «mais vale ter um hospital a 30 km do que um mal hospital a 3 km». Centenas de clínicas fecharam, bem como maternidades, algumas mães chegaram mesmo a ir ter os filhos a Espanha. Bem, se fossem perguntar a um homem que está a ter um enfarte se preferia ir ao hospital de 30 km ou ao de 3 ele mandava-vos ir pentear macacos porque o que ele queria mesmo era ser salve, e talvez quando chegasse ao hospital que fica a 30 km de distância da sua cidade já seria um cadáver.

O sistema de saúde de Portugal, como o da maioria da Europa (salvaguardando claro os países da Europa do Norte que são um mundo à parte), é uma vergonha. Listas de espera de não sei quantos anos, falta de médicos nos hospitais públicos, pelo que aqui no Algarve predominam os médicos espanhóis e claro os erros (in)evitáveis. Por exemplo, passou à uns meses atrás uma reportagem de uma senhora que precisava de ser operada ao pé esquerdo, e o que fizeram os excelentíssimos senhores doutores? Operaram o pé direito! (Devem de ter visto a radiografia ao contrário)… até dá vontade de rir, exceptuando claro o facto de a senhora ter ficado incapacitada de andar porque tinha um pé engessado e o outro fracturado.

Também me lembro daquela vez que estava a almoçar na casa da minha tia Amélia quando o telefone toca.

«Está sim, é para avisar que já foi marcado o exame aos pulmões do Sr. Felizbelo Santos» - disse a foz da querida profissional de saúde.

«Ah sim, mas é que o meu pai já morreu» - respondeu a minha tia, alarmada pela falta de qualidade do nosso querido sistema de saúde - «há quase um ano».

Enfim, até é um bocado difícil de censurar os médicos do Algarve (falo exclusivamente desta região portuguesa porque desconheço como seja lá em cima, podendo somente fazer relatos na terceira pessoa, mas como diz o Eça de Queirós «Lisboa é Portugal, fora de Lisboa não há nada», acreditem que isto pode ser muito revelador no que toca ao sistema de saúde algarvio), afinal eles fazem turnos horários de mais de 12 horas e são movidos a cafeína… eu também não consigo pensar correctamente quando fico a estudar até as 5 da manhã para o teste do dia seguinte (estudar já é uma seca, estudar de véspera então é uma m*****). Há sim falta de médicos, afinal as médias são tão altas que só os anti-sociais do Liceu é que podiam se dar ao luxo de entrar em Medicina. Concordo sim que se devam abaixar as médias, embora todos queiramos médicos competentes, quem não nos garantes que um bom médico pode ter média de 15 e um mau médico média de 19?

Mas mesmo que se baixem as médias os médicos vão sempre preferir ir para estabelecimentos de saúde privados. Uma vez até estava a conversar sobre este tema com a minha tia e ela deu-me a seguinte ideia:

É sabido que o Estado gasta milhares de euros na formação dos futuros médicos (apesar de nós alunos universitários pagarmos um balúrdio em proprinas [e se querem que vos diga não sei para onde vai esse dinheiro, a julgar pelas condições da minha Faculdade, onde até chove lá dentro, não diria que seja para as reformas estruturais]), assim como também o fazem para os pilotos da Força Aérea. O que acontece é que estes médicos depois vão para hospitais privados e o Estado esteve a jogar dinheiro ao vento (algo que o Estado sabe fazer melhor do que ninguém). No caso dos pilotos, eles ficam dez anos de serviço ao Estado como pagamento do esforço que este mesmo Estado dispensou na sua formação e depois vão à sua vida (claro está que recebem ordenado, não trabalham de graça). Creio que o mesmo poderia ser realizado no sistema de saúde. Os médicos trabalham durante 10 anos para os hospitais públicos e depois é cada um por si.

Tenho fé que a nova Ministra faça um melhor trabalho do que o seu antecessor. Porque andamos nós a pagar grandes quantias de impostos e esperamos ter alguma segurança caso adoeçamos.

Não só os hospitais, mas também as maternidades… andam as portuguesas a fazer filhos para depois eles ficarem registrados como espanhóis? Daqui a pouco ainda voltamos aos tempos em que as mulheres têm os filhos em case. Quem sabe ainda ressuscitamos as prezadas parteiras.

Havia de ser engraçado…

«Eu nasci no Hospital de Santa Maria, e tu João, onde nasceste?»

«No cruzamento da Avenida 25 de Abril com a Travessa 10 de Outubro. A ambulância tinha parado nos semáforos».

6 comentários:

Anónimo disse...

Voce conhece Toranja?

Mirian Martin disse...

Quando estive aí, a reclamaçào nos jornais era justamente o fechamento das tais clínicas. Eu ri, na época, porque aqui, numa cidade como São Paulo, às vezes, mesmo com uma clínica a 3 km, o trânsito não deixa caminhar!

Mirian Martin disse...

Camila, você conhece este blog?
http://depositodocalvin.blogspot.com/
Bjs.

Anónimo disse...

Eu gosto muito, foi uma das grandes descobetas musicais minhas no ano passado...
Voce curte que estilo?

Poisongirl disse...

É curioso ver que osproblemas se repetem mesmo com um oceano de distância...
Eu não sei se desespero ou tento me encher de esperança que há de ter jeito.
Vale não deixar passar que fico imaginando teu sotaque , lendo os textos.
Deve ser fofo.

Anónimo disse...

LOLOL! Adorei o remate final do:

«Eu nasci no Hospital de Santa Maria, e tu João, onde nasceste?»

«No cruzamento da Avenida 25 de Abril com a Travessa 10 de Outubro. A ambulância tinha parado nos semáforos».

:P*