Jesus Christ! Este post é capaz de sair um pouco pessoal e eu detesto isso, até porque quando a conversa fica por mais de dois minutos centralizada em mim eu sinto-me pouco à vontade. «Caso perdido», diria o Freud.«Não há nada mais falso do que aquilo que se vê», proferiu uma vez Luis Laço. Anotei essa citação no cabeçalho da página do meu Manual de História. Ah, caro stôr Luís, como esta citação se enquadra que nem uma luva, afinal nós, habitantezinhos do Admirável Mundo Moderno, somos movidos através de aparências.
Aprendi isso tudo em Psicologia... somos uns bichinhos engraçados. Temos todos os acontecimentos catalogados nas nossas cabecinhas e servirmos de uma imagem anteriormente visionada para categorizar uma nova imagem... assim muitas vezes se formam os estereótipos, os quais inteligentemente devemos romper... mas não me vou armar em Jacinto Gaudêncio (sim, o meu professor de Psicologia tinha um nome lindíssimo) e começar a debitar estes conceitos. Até porque nós todos sabemos que, no Admirável Mundo, mais do que ser é preciso parecer.
A roupa então é mais revelador disto tudo. Se usamos umas botas, uma gabardina e uns óculos de sol retrôs bem grandes com o D&G a reluzir ao sol olham logo para nós boquiabertos, até fazemos parar as carrinhas com os pedreiros, tratam-nos por «você» com extrema cordialidade e toda essa boa-educação que embrulha o estômago, mas por outro lado se passearmos alegremente por esse mundo fora com umas All Star, um lenço ao pescoço e um casaco com estrelinhas, olham logo para nós com um ar de desdém, as velhotas puxam para sim as suas malinhas com medo de serem assaltadas e somos atendidos com um «quê que queres?!» grosseiro. (adoro usar hipérboles xD).
Para quem já leu as minhas histórias sobre a Raquel Dias (uma das adolescentes daqui do Admirável Mundo) sabe do que eu estou a falar. Às vezes eu penso se o que me aconteceu é o que eu escrevo ou se eu escrevo aquilo que me vai acontecer (estilo premonição... acho que descobri mais um talento para além do de irritar as pessoas com o meu modo de me vestir) [e sim a Raquel é o meu alterego. Chocante?! Boa, também tenho essa capacidade]. A verdade é que estou a passar por uma situação semelhante à da Rachel! «Camila, já pensaste em vestir um vestidinho assim, uma botinha assim, blá blá blá?». Acho que o meu estado civil deve incomodar mesmo muito as outras pessoas... sim porque segundo elas eu não tenho ninguém de momento porque eu me visto mal e porcamente... é verdade, com comentários destes eu penso para os meus botões que eu devo me vestir tão mal que o Dior teria um enfarte se me viesse... e esperem lá, talvez me chamem para fazer de Betty Feia, afinal sem maquilhagem até somos parecidas, temos aparelho e tudo! Enfim... (suspiro) (suspiro) (ranger de dentes) (ponto de ebulição).
As pessoas ligam de tal forma às aparências que acabam por somente olhar em uma direcção e ignorando tudo o resto. O Gaudêncio contou uma vez que em Lisboa deram uma série de desfalques numas empresas em Lisboa porque estes mesmos ladrões apareceram todos engravatados, com grandes carros e jogaram com as aparências... os outros... cegos pelo que viam cariam no truque e puff... mais uns números para a taxa de desemprego em Portugal... a empresa ruiu como uma linha de dominós.
Aparências! Aparências! Aparências! Já liguei mais do que ligo agora, devo confessar. Nos dias que correm sou capaz de dar mais credibilidade a alguém com o cabelo cor-de-rosa do que a alguém com o cabelo uniformemente penteado e os sapatos a reluzir de tal forma que lá consigo ver o meu reflexo (nunca se perguntaram porquê que os heróis da minha história têm alargadores e piercings e os vilões são todos tão banalmente normais?).
Sim, eu sei que o texto não têm sentido nenhum, é confuso e está uma miséria (para não dizer outra palavra que começa por «m» e acaba em «a»), mas foi escrito num momento de invulgar exasperação em que não conseguimos pensar correctamente pois estava a deitar tanto fumo quanto a máquina a vapor que o James Watt inventou. Mas acreditem que também não é fácil ter sempre dezenas de dedos acusadores a dizer que nos devemos de vestir como a Bree das Donas de Casa Desesperadas. Todavia, se bem me lembro não tenho filhos e nem estou a trabalhar para nenhuma multinacional por isso não vejo porquê que tenho de me vestir como alguém super respeitador das leis (até porque não o sou). Toda a gente da minha idade, salvaguardando aqueles que querem crescer mais depressa, se vestem da mesma maneira que eu, no entanto é sempre comigo que embirram. Sou um caso perdido, não sou, Freud? Secalhar é melhor enterrar a cabeça no traveseiro...
Ps: Para variar Simple Plan tem a música ideal para este momento.


3 comentários:
Voces emos tem com cada crise! LOOL mas vá, o Sr. Furtado também se vestia mal e as pessoas riam dele (hahahaha), e tu principalmente (aquela botinha!)... O teu humor negro teve on fire aqui... até a desgraçada da Raquel tu meteste ao barulho x). Só concordo quando dizes que és mesmo um caso perdido... pobre Freud LOL
Boyle faz como eu disse: guarda as pedras que te atiram para construires um castelo ;)
ps: vou rir + um pouco com o video do ladrao da vila x)
Muito bem... Vai lá a experiência de uma quase cinquentona... Eu ouvia as mesmas coisas que você agora. A diferença é que na época não havia piercingns, ou pelo menos não era moda. E se fosse moda, eu estava fora. Estava pouco ligando para namorado, porque tinha horror a alguém controlando os meus passos. A única vez que cai nessa durou 15 dias. Depois, foi quando eu decidi que já era tempo(30 anos)- já dura 16 anos, depois de um namoro de 3 meses (mas ele já estava escolhido e catalogado! kkkkkkk). Portanto, minha menina, curta a sua idade, os seus amigos, a sua moda pessoal, as suas viagens, passeios, o que a vida lhe der. O companheiro de sua vida vem junto com isso, porque vai ser justamente isso - companheiro.
Ah gente besta.
Se vc visse a coleção de all star que eu tenho...kkk
Amo.
Eu me visto pra mim , pra estar confortável e , claro ,pra chocar um pouquinho ás vezes.
Nada como dar uma sacudida nas idéias de certas pessoas.
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