
- Às vezes acho que em vez de estar numa escola estou num Motel – disse o professor Bernardo Campos entrando abruptamente no compartimento de não fumadores da sala dos professores.
Os seus colegas que ali se encontravam assustaram-se com a forma como ele entrara na sala. A verdade é que aquele espaço também não estava muito preenchido, era normalmente utilizado para aqueles que queriam desfrutar de alguns momentos de sossego longe do habitual barulho e do cheiro repelente dos cigarros que caracterizavam a sala dos professores.
O professor Carlos estava sentado a um canto, embrenhado na leitura de algum clássico da literatura, como já era seu hábito (ele menosprezava a literatura moderna, tão desprovida de encanto comparativamente à clássica). A professora Odete, de Psicologia, corrigia uns testes enquanto Ingrid Thorsten, docente de Alemão, e Louise Dias, de Francês, jogavam xadrez, cada uma soltando exasperações no idioma que ensinavam sempre que a oponente encurralava uma das suas peças. Catarina, a professora de História da Arte, bebia chá enquanto se debruçava sobre as palavras cruzadas do jornal.
- Então, Campos, que aconteceu para voltares do almoço assim tão mal-humorado? – indagou Carlos sem sequer levantar os olhos do livro. – Caiu-te mal a refeição?
Campos dirigiu-se a largas passadas para uma das poltronas, a sua barriga volumosa abanava como gelatina. Ao sentar-se o sofá chiou em sinal de sofrimento pelo peso que estava agora sobre ele… Ingrid mordeu o lábio para sufocar o riso antes de avançar com a torre em direcção ao bispo de Louise.
- Por acaso a comida até me caiu bem – informou Campos que desaperatava o botão do seu colarinho que, embora não pudesse ser visto aos olhos das outras pessoas pois tal como o seu pescoço estava coberto pelos múltiplos queixos, o sufocava. Estava calor e Campos por ser gordo transpirava com facilidade. – O que cai mal é os alunos andarem por ai como animaizinhos selvagens na época do acasalamento. Ainda ali no corredor estavam dois enroscados… não sei onde começava um e onde acabava o outro… francamente! É uma falta de respeito!
- Ora, então Campos – chamou à razão Odete enquanto colocava a classificação no teste que tinha em mãos -, é algo perfeitamente normal… são jovens e estão na altura em que se apaixonam e vivem os primeiros romances.
- Sim, senhora psicóloga – disse Campos com algum sarcasmo na voz. – Mas existem lugares próprios para isso. Anteontem fui ao supermercado com a minha esposa e os meus filhos e quando queríamos levar os sacos até ao carro lá estava um casalinho a trocar saliva bem no meio das escadas… a impedir a passagem! E hoje ia chegando atrasado porque uns resolveram beijar-se em frente à passadeira… fiquei feito parvo parado com o carro à espera que as personagens se decidissem se queriam ou não atravessar a estrada… É uma pouca-vergonha!!!
- Em parte até concordo com o Campos – opinou Louise dirigindo-lhe um sorriso, em seguida salvou o seu rei que estava prestes a ser encurralado pelo cavalo de Ingrid. – Existem lugares próprios para isso… não é no meio da rua… não é questão de pudor ou não, é só por respeito às outras pessoas… mas nesta altura os jovens são muito difíceis de controlar.
- Ah sim! – exclamou Ingrid tamborilando distraidamente com os dedos na mesa enquanto pensava na próxima jogada. – São quase indomáveis… estão as hormonas aos saltos!
- Um verdadeiro cocktail de hormonas – gracejou Catarina por entre as goladas ao chá.
- Para não falar dos mais novos – continuou Campos recostando-se no sofá. – Imagine-se o belo exemplo que tem na frente deles a ver os alunos mais novos em comportamentos pouco ortodoxos em pleno corredor da escola!
- Ah, Bernie, não entres por aí – disse Ingrid –, a maioria deles já sabe essa matéria de trás para a frente… até muito melhor do que nós quando tínhamos a idade deles.
- Mas é do conhecimento geral que os jovens hoje começam a fazer essas coisas mais cedo – Carlos fechara o seu livro, deixara de estar absorto no enredo e aquela conversa estava a interessá-lo. – Às vezes acho que é aquela ânsia de querer fazer todas as coisas de uma só vez como se a vida fosse acabar nesse mesmo dia… só que há sempre as consequências…
- É típico dos adolescentes! – Odete elucidou.
- Sim, mas há uma altura certa para se fazerem as coisas – opinou Carlos. – Eles começam a fazer as coisas tão cedo que chegam aos 20 anos e para muitos a vida parece que já não tem qualquer sentido porque eles já fizeram tudo o que havia para ser feito. Acho que há sempre o tal momento certo para se fazer as coisas… por exemplo, na última escola onde dei aulas antes de vir para o Liceu foram encontrados dois alunos a ter relações sexuais na casa de banho. Imaginem as idades! Ele tinha onze e ela tinha dez!
Campos abanou a cabeça em sinal de discordância de tal acto. Catarina engasgou-se com o chá e as outras três professoras trocaram olhares, atónicas.
- E não era a primeira vez dela – rematou Carlos. – Foi um choque para a Escola. Com dez anos, por favor… ainda nem pré-adolescente era!
- E depois admiram-se do número de mães adolescentes – retorquiu Campos, ainda boquiaberto com a notícia. – Essa quando chegar aos quinze já deve estar mais amassada que a fruta da feira. A melhor maneira de acabar com isso era voltar aos tempos em que haviam escolas para moços e escolas para moças… assim não haviam namoricos e passava a existir mais concentração nas aulas…
- Mas seria pouco saudável - redarguiu Odete. – Os jovens têm de conviver com elementos do sexo oposto… além disso o facto de existirem moços e moças numa turma acaba por equilibrar a balança.
- Ah, e também não seria uma forma de acabar com os namoros – declarou Louise. – Eu troquei muitos bilhetinhos na saída da escola… lembram-se? As moças estudavam de manhã e os rapazes de tarde… quando nos encontrávamos à saída era uma alegria… havia mais respeito, é verdade, mas estas coisas acabavam sempre por acontecer… só que não tomávamos conhecimento porque antigamente não havia tanta difusão da informação como há nos dias de hoje?
- Sendo assim não há solução – disse Campos. – Deixemos então os jovens entregues aos seus impulsos para se comportarem como verdadeiros predadores sexuais! Uns verdadeiros Marqueses de Sade, chamemos o Baco à festa também.
- Não exageres, Campos – contrariou Carlos. – Os alunos também não andam propriamente em orgias. São namoros típicos desta idade… por vezes a temperatura deve subir, acredito… mas nós enquanto pedagogos temos o dever de os alertar para as consequências dos seus actos… por isso que sou apologista da Educação Sexual nas escolas.
- Educação Sexual?! – Campos riu sonoramente em tom de troça. – Vais ensinar os alunos a usar o preservativo? Só vais é a incentivá-los a prosseguir com a devassidão…
- Caso eles se sintam incentivados, pelo menos teremos a certeza de que o farão com precaução – contrapôs Carlos. – As pessoas adoram ver o sexo como Tabu mas quando olham para a taxa de gravidez na adolescência ou de jovens infectados com doenças sexualmente transmissíveis já sabem apontar os seus dedinhos acusadores… mas o que fizeram elas para mudar? Soube de uma professora em Portugal que foi levada a tribunal por ter dado uma aula de Educação Sexual… sinceramente!!! Dogmatismo já foi a ruína de muitos reis!
- Eu concordo com o Carlos – expôs Odete. – A Educação Sexual não os vais incitar ao sexo, mas sim é um meio de os prevenir para o que está subjacente à prática sexual… a maioria deles já o sabe, mas se de vez enquanto os relembrarmos não será nada mal pensando.
- É verdade – anuiu Catarina. – O sexo é perfeitamente normal, desde que eles o façam em segurança. Devemos de investir na prevenção e não na proibição. No nosso tempo fazíamos o mesmo, e pior: fazíamos às escondidas com medo dos nossos pais… mais vale que seja agora às claras para os podermos controlar… alem disso eles têm mais informação agora do que nós tínhamos no nosso tempo.
- De facto – prosseguiu Ingrid enquanto derrubava o bispo de Louise com a sua rainha -, salvaguardando aqueles casos que são quase surreais, nos dias de hoje só engravida mesmo quem está a leste desta informação… há tanta a coisa a ser feita neste âmbito…
- E será que chega? – perguntou Campos.
- Podemos não acabar com isto, mas já iluminaremos umas quantas cabeças e talvez a batalha já tenha sido gloriosa – respondeu Carlos. – Mudam-se os tempos, mudam-se os costumes, velho Campos. O mundo virou mais liberal em vários aspectos, o que de certo modo até é bom para a abertura da mentalidade das pessoas… mas ao mesmo tempo tornou-se extremamente conservador em outras áreas… no fundo, neste nosso Mundo é raro encontrar um meio termo, e as situações são quase todas verdadeiras contradições… Oh Admirável Caixinha de Contradições esta em que vivemos.
- Nos dias de hoje confunde-se ordem com ditadura e liberdade com libertinagem – filosofou Ingrid. – O centro deixou de existir e só se vê o lado direito e esquerdo das coisas…
- Mas no meio é que está a virtude – concluiu Catarina levantando a chávena de chá para Ingrid como que a brindá-la pela filosofia.
- E quanto aos comportamentos promíscuos no meio do corredor? – inquiriu Campos. – Atiramos mais lenha para o fogo? Ou será que nos deixamos estar a ver o fogo a arde? Ou não deveríamos apagar esse fogo antes que provoque um incêndio?
- Ah, Campos e as suas metáforas – gracejou Carlos com um sorriso. – Nós fazemos o nosso papel enquanto professores. Tentamos passar normas de boa conduta para que todos possamos coexistir em harmonia social, mas se os nossos alunos chegarem a casa e aprenderem precisamente o oposto do que lhes ensinamos então nada feito.
- Pois é – anuiu Odete. – Os pais são muito importantes neste aspecto pois a família é um meio de socialização primário. Não são só os professores que têm o dever de ensinar os jovens, também é papel dos pais passar-lhes valores morais e sociais… se não o fizerem não há muito mais que possamos fazer. Simplesmente acho é engraçado que os pais depois vão há televisão recriminar os professores por a sua filha ter engravidado… não fazemos milagres!
- As pessoas adoram procurar culpados em outras pessoas, ignorando que muitas das vezes podem ser eles mesmos os culpados – filosofou Ingrid.
- Não esperava outra resposta que não esta vinda de ti – elogiou Carlos piscando-lhe o olho.
- Resumindo e concluindo, sempre que quiser ver filmes pornográficos basta sentar-me no corredor da escola e observar os alunos – resmungou Campos.
- Campos, francamente! – exclamou Louise.
- Sim, da maneira como falas até parece que estão a fazer castings para o próximo filme da Playboy – zombou Odete.
- Eu só acho uma falta de respeito…
- Campos, não vejo falta de respeito nenhuma em jovens aos beijos num corredor da escola – opinou Catarina. – Nos dias de hoje há tanto ódio entre povos, tantas guerras, que até é de louvar estas demonstrações de carinho entre a geração mais nova.
- A mim também não me afecta nada – disse Odete. – Essa tua aversão até parece despeite…
- Sim, Bernie, começaste a falar do comportamento sexual dos jovens – brincou Ingrid. - «Quem tem fome fala de pão».
E dito isto todos os professores desataram a rir, excluindo Campos que estava vermelho como um tomate. Ingrid já chorava de tanto rir, e só foi trazida à realidade quando a sua oponente anunciou «xeque-mate», derrubando o seu rei.
Ps: junto acrescento um vídeo com uma publicidade feita ao preservativo. Adorei esta!
Os seus colegas que ali se encontravam assustaram-se com a forma como ele entrara na sala. A verdade é que aquele espaço também não estava muito preenchido, era normalmente utilizado para aqueles que queriam desfrutar de alguns momentos de sossego longe do habitual barulho e do cheiro repelente dos cigarros que caracterizavam a sala dos professores.
O professor Carlos estava sentado a um canto, embrenhado na leitura de algum clássico da literatura, como já era seu hábito (ele menosprezava a literatura moderna, tão desprovida de encanto comparativamente à clássica). A professora Odete, de Psicologia, corrigia uns testes enquanto Ingrid Thorsten, docente de Alemão, e Louise Dias, de Francês, jogavam xadrez, cada uma soltando exasperações no idioma que ensinavam sempre que a oponente encurralava uma das suas peças. Catarina, a professora de História da Arte, bebia chá enquanto se debruçava sobre as palavras cruzadas do jornal.
- Então, Campos, que aconteceu para voltares do almoço assim tão mal-humorado? – indagou Carlos sem sequer levantar os olhos do livro. – Caiu-te mal a refeição?
Campos dirigiu-se a largas passadas para uma das poltronas, a sua barriga volumosa abanava como gelatina. Ao sentar-se o sofá chiou em sinal de sofrimento pelo peso que estava agora sobre ele… Ingrid mordeu o lábio para sufocar o riso antes de avançar com a torre em direcção ao bispo de Louise.
- Por acaso a comida até me caiu bem – informou Campos que desaperatava o botão do seu colarinho que, embora não pudesse ser visto aos olhos das outras pessoas pois tal como o seu pescoço estava coberto pelos múltiplos queixos, o sufocava. Estava calor e Campos por ser gordo transpirava com facilidade. – O que cai mal é os alunos andarem por ai como animaizinhos selvagens na época do acasalamento. Ainda ali no corredor estavam dois enroscados… não sei onde começava um e onde acabava o outro… francamente! É uma falta de respeito!
- Ora, então Campos – chamou à razão Odete enquanto colocava a classificação no teste que tinha em mãos -, é algo perfeitamente normal… são jovens e estão na altura em que se apaixonam e vivem os primeiros romances.
- Sim, senhora psicóloga – disse Campos com algum sarcasmo na voz. – Mas existem lugares próprios para isso. Anteontem fui ao supermercado com a minha esposa e os meus filhos e quando queríamos levar os sacos até ao carro lá estava um casalinho a trocar saliva bem no meio das escadas… a impedir a passagem! E hoje ia chegando atrasado porque uns resolveram beijar-se em frente à passadeira… fiquei feito parvo parado com o carro à espera que as personagens se decidissem se queriam ou não atravessar a estrada… É uma pouca-vergonha!!!
- Em parte até concordo com o Campos – opinou Louise dirigindo-lhe um sorriso, em seguida salvou o seu rei que estava prestes a ser encurralado pelo cavalo de Ingrid. – Existem lugares próprios para isso… não é no meio da rua… não é questão de pudor ou não, é só por respeito às outras pessoas… mas nesta altura os jovens são muito difíceis de controlar.
- Ah sim! – exclamou Ingrid tamborilando distraidamente com os dedos na mesa enquanto pensava na próxima jogada. – São quase indomáveis… estão as hormonas aos saltos!
- Um verdadeiro cocktail de hormonas – gracejou Catarina por entre as goladas ao chá.
- Para não falar dos mais novos – continuou Campos recostando-se no sofá. – Imagine-se o belo exemplo que tem na frente deles a ver os alunos mais novos em comportamentos pouco ortodoxos em pleno corredor da escola!
- Ah, Bernie, não entres por aí – disse Ingrid –, a maioria deles já sabe essa matéria de trás para a frente… até muito melhor do que nós quando tínhamos a idade deles.
- Mas é do conhecimento geral que os jovens hoje começam a fazer essas coisas mais cedo – Carlos fechara o seu livro, deixara de estar absorto no enredo e aquela conversa estava a interessá-lo. – Às vezes acho que é aquela ânsia de querer fazer todas as coisas de uma só vez como se a vida fosse acabar nesse mesmo dia… só que há sempre as consequências…
- É típico dos adolescentes! – Odete elucidou.
- Sim, mas há uma altura certa para se fazerem as coisas – opinou Carlos. – Eles começam a fazer as coisas tão cedo que chegam aos 20 anos e para muitos a vida parece que já não tem qualquer sentido porque eles já fizeram tudo o que havia para ser feito. Acho que há sempre o tal momento certo para se fazer as coisas… por exemplo, na última escola onde dei aulas antes de vir para o Liceu foram encontrados dois alunos a ter relações sexuais na casa de banho. Imaginem as idades! Ele tinha onze e ela tinha dez!
Campos abanou a cabeça em sinal de discordância de tal acto. Catarina engasgou-se com o chá e as outras três professoras trocaram olhares, atónicas.
- E não era a primeira vez dela – rematou Carlos. – Foi um choque para a Escola. Com dez anos, por favor… ainda nem pré-adolescente era!
- E depois admiram-se do número de mães adolescentes – retorquiu Campos, ainda boquiaberto com a notícia. – Essa quando chegar aos quinze já deve estar mais amassada que a fruta da feira. A melhor maneira de acabar com isso era voltar aos tempos em que haviam escolas para moços e escolas para moças… assim não haviam namoricos e passava a existir mais concentração nas aulas…
- Mas seria pouco saudável - redarguiu Odete. – Os jovens têm de conviver com elementos do sexo oposto… além disso o facto de existirem moços e moças numa turma acaba por equilibrar a balança.
- Ah, e também não seria uma forma de acabar com os namoros – declarou Louise. – Eu troquei muitos bilhetinhos na saída da escola… lembram-se? As moças estudavam de manhã e os rapazes de tarde… quando nos encontrávamos à saída era uma alegria… havia mais respeito, é verdade, mas estas coisas acabavam sempre por acontecer… só que não tomávamos conhecimento porque antigamente não havia tanta difusão da informação como há nos dias de hoje?
- Sendo assim não há solução – disse Campos. – Deixemos então os jovens entregues aos seus impulsos para se comportarem como verdadeiros predadores sexuais! Uns verdadeiros Marqueses de Sade, chamemos o Baco à festa também.
- Não exageres, Campos – contrariou Carlos. – Os alunos também não andam propriamente em orgias. São namoros típicos desta idade… por vezes a temperatura deve subir, acredito… mas nós enquanto pedagogos temos o dever de os alertar para as consequências dos seus actos… por isso que sou apologista da Educação Sexual nas escolas.
- Educação Sexual?! – Campos riu sonoramente em tom de troça. – Vais ensinar os alunos a usar o preservativo? Só vais é a incentivá-los a prosseguir com a devassidão…
- Caso eles se sintam incentivados, pelo menos teremos a certeza de que o farão com precaução – contrapôs Carlos. – As pessoas adoram ver o sexo como Tabu mas quando olham para a taxa de gravidez na adolescência ou de jovens infectados com doenças sexualmente transmissíveis já sabem apontar os seus dedinhos acusadores… mas o que fizeram elas para mudar? Soube de uma professora em Portugal que foi levada a tribunal por ter dado uma aula de Educação Sexual… sinceramente!!! Dogmatismo já foi a ruína de muitos reis!
- Eu concordo com o Carlos – expôs Odete. – A Educação Sexual não os vais incitar ao sexo, mas sim é um meio de os prevenir para o que está subjacente à prática sexual… a maioria deles já o sabe, mas se de vez enquanto os relembrarmos não será nada mal pensando.
- É verdade – anuiu Catarina. – O sexo é perfeitamente normal, desde que eles o façam em segurança. Devemos de investir na prevenção e não na proibição. No nosso tempo fazíamos o mesmo, e pior: fazíamos às escondidas com medo dos nossos pais… mais vale que seja agora às claras para os podermos controlar… alem disso eles têm mais informação agora do que nós tínhamos no nosso tempo.
- De facto – prosseguiu Ingrid enquanto derrubava o bispo de Louise com a sua rainha -, salvaguardando aqueles casos que são quase surreais, nos dias de hoje só engravida mesmo quem está a leste desta informação… há tanta a coisa a ser feita neste âmbito…
- E será que chega? – perguntou Campos.
- Podemos não acabar com isto, mas já iluminaremos umas quantas cabeças e talvez a batalha já tenha sido gloriosa – respondeu Carlos. – Mudam-se os tempos, mudam-se os costumes, velho Campos. O mundo virou mais liberal em vários aspectos, o que de certo modo até é bom para a abertura da mentalidade das pessoas… mas ao mesmo tempo tornou-se extremamente conservador em outras áreas… no fundo, neste nosso Mundo é raro encontrar um meio termo, e as situações são quase todas verdadeiras contradições… Oh Admirável Caixinha de Contradições esta em que vivemos.
- Nos dias de hoje confunde-se ordem com ditadura e liberdade com libertinagem – filosofou Ingrid. – O centro deixou de existir e só se vê o lado direito e esquerdo das coisas…
- Mas no meio é que está a virtude – concluiu Catarina levantando a chávena de chá para Ingrid como que a brindá-la pela filosofia.
- E quanto aos comportamentos promíscuos no meio do corredor? – inquiriu Campos. – Atiramos mais lenha para o fogo? Ou será que nos deixamos estar a ver o fogo a arde? Ou não deveríamos apagar esse fogo antes que provoque um incêndio?
- Ah, Campos e as suas metáforas – gracejou Carlos com um sorriso. – Nós fazemos o nosso papel enquanto professores. Tentamos passar normas de boa conduta para que todos possamos coexistir em harmonia social, mas se os nossos alunos chegarem a casa e aprenderem precisamente o oposto do que lhes ensinamos então nada feito.
- Pois é – anuiu Odete. – Os pais são muito importantes neste aspecto pois a família é um meio de socialização primário. Não são só os professores que têm o dever de ensinar os jovens, também é papel dos pais passar-lhes valores morais e sociais… se não o fizerem não há muito mais que possamos fazer. Simplesmente acho é engraçado que os pais depois vão há televisão recriminar os professores por a sua filha ter engravidado… não fazemos milagres!
- As pessoas adoram procurar culpados em outras pessoas, ignorando que muitas das vezes podem ser eles mesmos os culpados – filosofou Ingrid.
- Não esperava outra resposta que não esta vinda de ti – elogiou Carlos piscando-lhe o olho.
- Resumindo e concluindo, sempre que quiser ver filmes pornográficos basta sentar-me no corredor da escola e observar os alunos – resmungou Campos.
- Campos, francamente! – exclamou Louise.
- Sim, da maneira como falas até parece que estão a fazer castings para o próximo filme da Playboy – zombou Odete.
- Eu só acho uma falta de respeito…
- Campos, não vejo falta de respeito nenhuma em jovens aos beijos num corredor da escola – opinou Catarina. – Nos dias de hoje há tanto ódio entre povos, tantas guerras, que até é de louvar estas demonstrações de carinho entre a geração mais nova.
- A mim também não me afecta nada – disse Odete. – Essa tua aversão até parece despeite…
- Sim, Bernie, começaste a falar do comportamento sexual dos jovens – brincou Ingrid. - «Quem tem fome fala de pão».
E dito isto todos os professores desataram a rir, excluindo Campos que estava vermelho como um tomate. Ingrid já chorava de tanto rir, e só foi trazida à realidade quando a sua oponente anunciou «xeque-mate», derrubando o seu rei.
Ps: junto acrescento um vídeo com uma publicidade feita ao preservativo. Adorei esta!


6 comentários:
heuaehauh
As escolas não são um motel,mas eu conheço umas que são quase isso.haha
Adorei esse post.
bj
Fantástico.
Alunos precoces e professores frustados.
Bem próximo da realidade.
O COMERCIAL É TUDO DE BOM.
Baseado em fatos reais....heheheheh
como sempre camilla adorei o post,realmente a abertura da sexualidade e sua precocidade é de se espantar sim,mas nunca devemos atuar como ditadores,proibir não adianta,quem não conhece aquela frase:''tudo que é proibido é melhor''?
beijos.
Eu tenho muito essa sensação de estar num motel em vez de uma escola! Já tive algumas aulas de educação sexual, mas realmente quem determina se os adolescentes terão comportamentos "promíscuos" por aí são os pais - hoje mesmo a Jéssica me contou de uma amiguinha de infância dela cuja mãe já incitava beijar meninos com 9 anos! (não sei, pra mim isso é bastante cedo, mas vai saber..)
Não consegui assistir o comercial :( mas peguei a idéia do post xD
Ah, aquele livro que eu cito no blog é "o restaurante no fim do universo" do Douglas Adams ^^
beijos
aula de educação sexual os meus meninos estão tendo desde os 9 anos e as perguntas que fazem são de arrepiar! fico imaginando quando chegar na fase de adolescência, mesmo!
adorei o video!!!!
beijinhos e bom final de semana
Totalmente de acordo! Não à proibição, sim à educação!
Esse Campos é um púdico do caraças!
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